Gorette Menezes: “Onde está o teu irmão?”
Missionária da Comunidade de Vida Shalom ministra momento de pregação sobre o verdadeiro significado do Sábado de Aleluia e ressalta a importância de, como Cristãos, sairmos da cultura da indiferença O terceiro dia do Retiro de Semana Santa no Ginásio Paulo Sarasate, em Fortaleza, iniciou com um momento de pregação ministrado por Gorette Menezes, membro da Comunidade de Vida Shalom. Em um instante de profunda contemplação, Gorette falou sobre significado do Sábado Santo, dia em que a Igreja reza com a descida de Jesus à mansão dos mortos. “Hoje é o dia do grande silêncio, porque o Rei dorme. No credo nós professamos que Jesus foi crucificado, morto e sepultado, desceu à mansão dos mortos, e no terceiro dia, ressuscitou. Os que estavam na mansão dos mortos não podiam sair, estavam condenados, e somente Cristo, com a Sua Cruz, possui a chave que abriu essa porta. Ali, Jesus encontrou Adão e todos os homens que estavam no abismo da morte. Como dizia Jonas em sua oração: “Clamei a vós da morada dos mortos.” (Jonas 2.:2) – era esse o clamor dos homens de fé, o clamor por Cristo, pela Sua presença, pela Sua libertação.” – introduziu Gorette. “A radicalidade do Amor de Jesus representa a libertação dos cativos. Enquanto Cristo não foi crucificado, eles estavam privados da graça de Deus.” – completou. Após esse breve momento, Gorette falou sobre a importância de contemplarmos esse mistério em nossas vidas, e assim como Jesus, ir ao encontro dos que sofrem, saindo da cultura da indiferença. “Só o Ressuscitado pode elevar-nos até a união com Deus, onde nossas forças não podem chegar. Só Ele pode abrir as portas das nossas cadeias. E hoje, nós também somos chamados a através da oração, auxiliarmos os nossos irmãos.” – afirmou. Em menção à mensagem do Papa Francisco para a quaresma de 2015, Gorette ressaltou um convite feito pelo Pontífice: “O Papa nos fez um convite. Ele nos fez lembrar que se somos um só corpo com Deus, podemos fazer algo pelos que estão longe, algo que não poderíamos jamais fazer somente por nossas forças. Mas o que seria isso?” – questionou. “Nós devemos rezar com eles e por eles. Devemos ser um corpo que conhece e cuida dos seus membros, para que todos se abram à Obra de Salvação. Cada comunidade e Igreja local deve ser um corpo que conhece e cuida dos seus membros. Devemos sair da indiferença, é o que diz o nosso Papa.” – completou. Segundo Gorette, nesse grande dia de silêncio, somos convidados a sair da nossa condição de morte para que o nosso fervor e o nosso clamor sejam uma intercessão poderosa, capaz de subir aos céus e chegar até os nossos irmãos. “Às vezes queremos fazer tudo o que está ao nosso alcance, mas esquecemos de rezar pelo nosso irmão. Será que ele está mesmo em seu coração?” – questionou. Gorrete lembrou ainda da vida dos Santos, em especial de Santa Terezinha do Menino Jesus, que não estava indiferente à dor do irmão e nem buscou a sua santidade de forma isolada: “Santa Terezinha buscou em seu coração a salvação dos homens. Para ela, o seu irmão estava em sua vida.” – lembrou a missionária. E concluiu: “Se eu não rezo, não me uno ao sofrimento de Cristo. Se eu não rezo, não entendo o mistério de Cristo em meio àquele sofrimento.” Cássia Carvalho