“Me perder Dele seria me perder de mim mesmo”

Eu me chamo Hélio, sou postulante de segundo ano da Comunidade de Aliança Shalom. Sou de família católica. Minha mãe, desde muito cedo, já me levava para participar das missas dominicais. Por volta de 2002, comecei a participar do grupo jovem da paróquia e, desde aí, comecei a sentir um apelo de Deus a um seguimento mais intenso, mais dedicado, com compromisso de vida. Em 2004, conheci a Comunidade Shalom, mas não tive grandes aproximações, em vista dos meus compromissos na paróquia. Mal sabia que ali meu coração já tinha identificado aquele famoso “germe” da Vocação, aquilo para o qual desde sempre eu fui criado para ser. Em 2005, em conversa com o vice-reitor do Seminário Arquidiocesano, senti-me chamado a iniciar um caminho pra o sacerdócio e, então, ingressei no seminário, onde fiquei apenas 1 ano e meio, saindo em agosto de 2006. Nesse tempo, algo inquietava muito meu coração: sentia a necessidade de fazer mais orações espontâneas, que partissem do que eu estava sentindo e do que eu queria dizer a Deus. Tinha muita dificuldade de me relacionar com Deus, pois O via como alguém muito distante de mim, lá em cima, no Céu. Minha vida de oração nessa época se resumia à recitação, muitas vezes inconsciente, da Liturgia das Horas. Na ocasião da saída do seminário, passei um bom tempo sem entrar numa Igreja, e vivi as ilusões do mundo. O que me impedia de voltar era o engano de achar que eu precisava ser perfeito para estar na Igreja. Foi quando em 2009, um colega de trabalho, vendo a minha situação degradante, indicou-me pedir oração na Comunidade. Era muito difícil para mim, provava de um estado de morte, pois não tinha sentido e motivação para mais nada na vida. Depois de muita insistência, resolvi ir. Um irmão da Comunidade de Vida foi quem me recebeu e rezou por mim. Foi a primeira vez que provei da sensação que mais ansiava: Deus próximo a mim. E mais: ouvi Ele falar comigo, se comunicando, me falando do novo que Ele queria para mim. Foi algo fantástico, pois, apesar de ter sempre frequentado a Igreja, não conhecia Deus, pelo menos não do jeito que Ele queria que eu me relacionasse com Ele. Não me lembro exatamente como, mas chegou às minhas mãos os Escritos da Comunidade, e comecei a ler. À medida em que eu lia as palavras do Moysés, ia tendo a estranha sensação de que ele estava falando de mim. Mas minha experiência forte, que despertou aquele “germe” adormecido, foi quando o Moysés fala das almas esposas chamadas a esta vocação: os piores, os vasos de argila, os mais pecadores. Nossa! Aquilo tocou profundamente o meu coração. Era como se meus olhos tivessem se aberto depois de muito tempo. Vi um novo horizonte ali, e a partir daquele momento não tive outro desejo que não fosse o de me unir mais e mais a Deus por aquele caminho recém-descoberto, o da Comunidade. E o Senhor foi fazendo tudo muito intensamente e bem rápido. Era como se Ele quisesse, e eu também, recuperar o “tempo perdido”. Em 2010, eu já estava no Vocacional e, no final de 2011, pedi ingresso na Comunidade. Já não conseguia me ver mais separado do Carisma. Hoje, como Aliança, vivo um tempo de muita felicidade, que não significa ser isento de dores e cruzes, graças a Deus. De fato, quando Deus suscita um carisma novo no meio dos homens, Ele está manifestando, na Sua infinita providência, o Seu socorro para o homem com os problemas e mazelas atuais. Socorro MESMO, pois foi exatamente isso que o Shalom significou para mim naquela época de morte. Posso dizer que eu encontrei a vida, e vida em abundância. Que o Senhor me dê a graça de nunca mais me separar Dele, pois hoje, por meio da Vocação, me sinto verdadeiramente parte de Deus, e me perder Dele seria me perder de mim mesmo e voltar para a morte. Muito obrigado, Moysés, muito obrigado, SHALOM. Muito obrigado, Senhor! Hélio Tolêdo

“Retornei à minha decisão de sempre viver e morrer por Jesus”

Tive minha experiência com Deus em 2004 em Camocim (CE). Apesar de o grupo de oração de ser muito bom, sentia que ali ainda não era o meu lugar. No momento do louvor, sentia muito forte a necessidade de erguer os braços e louvar não só cantando, mas com as minhas palavras e em línguas também. Em 2005, na festa de Pentecostes, dois missionários da Comunidade de Vida Shalom foram pregar em Camocim e, à medida que eles pregavam, eu falava: “Jesus, é assim que eu quero viver!” Foi quando eu conheci alguns vocacionados da Comunidade, fomos nos aproximando e nos tornamos amigos. Algum tempo depois, ganhei o livro “E vós, quem dizeis que eu sou?”, que contém o testemunho pessoal do fundador da Comunidade Shalom, Moysés Azevedo. Quando li, comecei a chorar, a dançar… Ao conhecer a vida do Moysés, descobri que sou Shalom e que nasci para também ofertar a minha vida. Ao sentir o desejo de avançar para águas mais profundas, decidi vir para Fortaleza em busca da Comunidade. Em uma semana arrumei minhas coisas e viajei para a cidade de carona e sem dinheiro. Assim que cheguei, fui atrás do Shalom e meu primeiro contato foi na missa do padre Antonio Furtado. Ali, meu coração só sabia dizer: “Encontrei meu lugar”. Trilhei o caminho vocacional, ingressei na Comunidade de Vida e parti em missão para Aracaju (SE). Deus, com sua bondade, amou-me e formou-me. A experiência de vida comunitária reconstruiu minha vida, meus valores, renovou minha esperança no céu. Dois anos depois, retornei a Fortaleza, para viver como Comunidade de Aliança. Sustentada pela passagem bíblica de Isaías 14,3, continuei minha vida, fazendo a experiência de que a providência não cuida somente dos irmãos da Comunidade de Vida. Na verdade, é uma graça do Carisma. Mesmo precisando recomeçar na vida profissional, nunca aceitei qualquer emprego, pois minha vocação sempre foi a prioridade e sei que Deus é pai que cuida dos filhos. Vivendo todos os desafios próprios da Comunidade de Aliança, vou percebendo que se não houver oração não tenho como ser fiel à vontade de Deus. Hoje trabalho, faço faculdade e permaneço escolhendo a vocação todos os dias como prioridade, ao acordar às 5h da manhã para rezar, ir à Missa, ao trabalho e, à noite, cumprir os compromissos do apostolado e da Comunidade. Essas são realidades desafiantes, mas consigo colher os frutos da vivência da vocação na vida dos meus amigos de trabalho. Lembro que passei, em 2012, “inverno” muito difícil e não conseguia corresponder ao Carisma. Pensei em sair da Comunidade e isso foi me deixando triste. Meus amigos de trabalho começaram a perguntar o que estava acontecendo comigo. Decidi, então, conversar com uma das minhas colegas e falei que iria pedir desligamento da Comunidade. Ela imediatamente disse que eu não fizesse isso, pois ela percebia o quanto eu sou feliz, que eu não tinha noção de o quanto as fotos que eu posto no Facebook fazem diferença na vida dela. Diante disso, fiz um processo de retornar à minha decisão de sempre viver e morrer por Jesus, morrer cansada pelo anúncio do Evangelho, porque é assim que eu sou feliz! Sei que muitas coisas no mundo são boas, mas a única coisa que me levará para o céu é a vontade de Deus. Eulália Dias

“No Acamp’s, descobri alguém que me amava e me conhecia”

 No dia 8 de fevereiro de 2007, fui para o primeiro Acampamento de Jovens Shalom em São Luís, realizado em Coroatá (MA). Eu tinha 16 anos, estava num tempo de rebeldia, de muitos questionamentos. Logo de cara, quando cheguei lá, minha vontade era de voltar pra casa, não conhecia ninguém, apenas minha irmã, que foi comigo, mas permaneci, afinal era só o primeiro dia. Já no segundo dia, Deus foi me conquistando, amolecendo o meu coração e de imediato, começando a fazer sua obra de amor em mim. No terceiro dia, tive a minha primeira experiência com o Amor de Deus, algo que mudou a minha vida, a minha história, experimentei do real amor de Deus de forma muito concreta, descobri alguém que me amava e me conhecia, não se importando com as minhas fraquezas e pecados. Por meio de Maria, fui tendo essa experiência do amor eterno de Deus que era mais forte do que eu. Lembro-me que neste dia uma imensa alegria invadia meu ser, tão grande, tão forte, não entendia de onde vinha tanta felicidade, experimentei desse amor perfeito que não passa, que preenchia o vazio do meu coração. Vale a pena! Minha vida mudou, tomou outro rumo, outra direção, a direção da Vontade de Deus! Hoje, com 23 anos, sou fruto do primeiro Acamp’s da missão do Shalom em São Luís, sou postulante da Comunidade de Aliança, sou feliz na vocação Shalom, amada e eleita por Deus! Sou feliz, sou Shalom!  Leandra Santos

Campanha “Ele marcou a minha vida, a minha história” reúne testemunhos sobre João Paulo II e João XXIII

A organização da peregrinação Shalom lança a campanha “Ele marcou a minha vida, a minha história”, sobre testemunhos de experiência com os papas João Paulo II e João XXIII, cuja canonização está marcada para 27 de abril de 2014, na Santa Sé. A Comunidade lançou diversos pacotes de viagens para o evento, desde os que oferecem hospedagem em casas de retiro àqueles contratados com agências de viagens, que reservam quartos em hotéis de Roma. Para participar da campanha “Ele marcou a minha história”, basta enviar para portal@comshalom.org texto, foto e/ou música, entre outros materiais, que testemunhe uma experiência pessoal com um dos dois papas ou com ambos. As histórias serão publicadas no comshalom.org, o portal da Comunidade Shalom. Estamos na contagem regressiva para peregrinarmos até Roma e nos alegrarmos ao serem proclamados santos João Paulo II e João XXIII. A Igreja os reconhece como exemplos e testemunho das virtudes heroicas de Cristo para com todos os homens, de todos os tempos.  Contamos com você! Partilhe conosco como João Paulo II e João XXIII marcaram sua história. Emanuele Sales

“Algo em mim não queria mais magoar o coração de Jesus”

Eu me chamo Raimundo Batista Bezerra e moro em Fortaleza (CE). Em 2007 eu já era dependente de bebida alcoólica. Tinha uma micro empresa que nos garantia uma equilibrada situação financeira. Estava bem financeiramente, porém, tinha uma vida de trabalho sobrecarregada cujo alívio direcionei para a bebida através da vida noturna. Quando percebi já estava bebendo quase todos os dias e a cerveja não mais me saciava. O whisky passou a ser minha bebida predileta e foi a que me tirou inicialmente do controle de minha vida. Não lembro como conheci a cocaína mas, com certeza, estava altamente embriagado e fora de mim. De repente, estava rodeado de pessoas que usavam a droga e o whisky já não era suficiente para me satisfazer. Por fim, conheci o crack. Desse eu me lembro muito bem. A convite de um “amigo”, que se dizia desesperado por não conseguir largar essa droga, fui ao seu encontro na tentativa inicial de ajudá-lo. Porém, como já era dependente de duas drogas (álcool e cocaína), não tinha condições de ajudar ninguém. Na verdade, eu é que precisava de ajuda. Somado a isso, por me achar auto-suficiente, experimentei o crack dizendo ao “amigo” que nenhuma droga me viciaria. Na hora que eu quisesse largar, eu o faria. Foi a maior bobagem que cometi. Daí em diante, não consegui mais largar e fiquei cada vez mais compulsivo. Nada me interessava, nem mesmo minha esposa e filhos a quem eu tinha profundo amor. Em um ano perdi nossa empresa que faliu por minha ausência; perdi automóvel, moto, apartamento os quais fui vendendo na tentativa de quitar compromissos atrasados e tentar recomeçar. Porém, a dependência pela droga aumentava cada vez mais e, assim, passava noites e noites gastando dinheiro de todas as formas. Bati o carro e acumulei muitas dívidas bancárias que, aos poucos, ficaram insustentáveis até o ponto de não poder mais quitá-las por não ter de onde tirar recursos. Não conseguia parar de usar a droga. Era inexplicável como me acabava a cada dia e não tinha forças para deixar de usar. Lembro que muitas vezes caminhava chorando em busca de comprá-la, mas não conseguia mudar de direção. Cheguei a ser internado por 15 dias numa casa de recuperação. Ao sair, permaneci mais ou menos 30 dias sóbrio, porém, ao me deparar com as dificuldades, sobretudo as financeiras, entrei em desespero e recaí de vez. Perdi a esperança de sair dessa dependência pois sabia o quanto me dominava. Lembro que fiquei uns 15 dias sem dormir nem comer direito usando diuturnamente. Foi então que, por fim, minha esposa e meus três filhos, não aguentando mais o sofrimento e atendendo ao pedido de seus irmãos, resolveram sair de casa e morar com eles. Ela havia tentado várias vezes me levar ao Volta Israel e às missas de cura celebradas pelo padre Antônio Furtado às quintas-feiras, mas eu me negava porque não conseguia pensar em outra coisa. Foi então que afundei ainda mais. Fiquei dentro do apartamento onde morávamos de aluguel sem nenhum móvel durante os dias que me restavam para a entrega do imóvel, pois minha esposa e filhos já havíam saído. Vivi dias e noites terríveis onde não me alimentava e bebia água da torneira. Tinha visões de monstros se arrastando. Nesse período, por ter ainda alguns objetos de nossa loja, passei a vendê-los para manter o vício. Até um dia que não tinha mais de onde tirar dinheiro e minhas irmãs vieram me resgatar para morar com elas. Fui muito bem tratado e acolhido com amor e passei a morar com minha irmã Neide. Nos primeiros dias estava indo bem, mas não aguentei novamente e recaí. E nesse dia, vi a grande tristeza que causei a minha irmã. No dia 30/7/2008, passei a noite numa favela terminando de usar a droga que pude comprar através da venda de um celular que minha irmã havia me dado. Não tinha como voltar pra casa pois era de madrugada e não tinha recursos. Cheguei em casa por volta das 6h do dia 31/7, sentindo uma profunda depressão. Por volta das 9h, brotou em meu coração a vontade de procurar ajuda na Casa Santa Maria Madalena, da Promoção Humana do Shalom. Me dirigi até lá sozinho, e fui recebido por Érica, missionária da Comunidade de Aliança, que me ouviu durante bastante tempo, rezou em mim e me disse palavras que o Senhor havia colocado em seu coração. Palavras essas que me fizeram perceber que eu não era esse monstro que o inimigo tentava pintar. Que eu era um filho muito amado e que Deus queria me libertar e que para Ele não há nada impossível. Após passar a manhã toda lá e ganhar um terço de Érica, voltei para casa um pouco aliviado. No dia seguinte (01/08/2008), estava sozinho na casa de minha irmã e comecei a rezar esse terço. Senti a vontade de, nos intervalos da oração do Pai Nosso, rezar espontaneamente pedindo a ajuda de Jesus. Foi então que brotou em meu coração uma oração de súplica muito forte em que me entregava por inteiro nas mãos de Deus, admitindo que não tinha mais forças. De repente comecei a sentir um calor muito forte no meu abdômen. Ao mesmo tempo, tinha uma visualização de momentos da vida do meu filho, Vinícius, como o de um dia que saí no carro pra comprar droga e o levei junto. Estacionei na favela e o deixei dentro do carro enquanto ia comprar. Lembro que ele estava com bastante medo e que guardou minha carteira e fechou as portas do carro. Em meu coração, havia um profundo arrependimento por causar tamanha tristeza ao meu filho. Durante a oração do terço, sentindo esse calor forte, havia em mim um misto de alegria e tristeza, eu chorava e sorria ao mesmo tempo. Foi tão forte essa experiência que apesar da alegria que eu sentia, pois os pensamentos maus que até aquele momento tomavam conta de minha mente eram substituídos por pensamentos de esperança, fiquei

“Obrigado, meu querido Shalom!” – testemunho do Retiro Sacerdotal

Nos dias 18 a 22 de novembro, aconteceu em Fortaleza (CE), o Retiro Anual para Sacerdotes, realizado pelo Shalom, para um momento de formação e escuta de Deus. Frei Gegório, que celebra no Centro de Evangelização do Shalom em Salvador, foi um dos cinco sacerdotes da capital baiana que participou do Retiro. Com grande alegria, ele comenta sua experiência: “Neste ano, recebi a graça de fazer o meu retiro sacerdotal no Shalom, num lugar lindo perto de Fortaleza. Gostaria de dizer para todo mundo a minha alegria por tudo que eu vi e ouvi tudo o que Deus falou no mais íntimo do meu coração nesse Retiro Sacerdotal. Seria impossível eu escrever todos os detalhes da ação de Deus que falou para nós sacerdotes nesses cinco dias de cenáculo. O que mais me impressionou, foi à facilidade de comunicação dos pregadores, de Moysés Azevedo e da co-fundadora Emmir Nogueira. Era como se ouvíssemos Deus falando a cada um de nós; foi à capacidade extraordinária de comunicar Deus, dessas pessoas que vão direto ao coração de cada um de nós. Nota dez em todos os detalhes: acolhida maravilhosa, alimentação farta e variada, a beleza encantadora do ambiente; o verde do pomar e um lago que lembra o lago de Genesaré. Se meu superior me permitir, repetirei outras vezes para me encontrar sempre mais com Deus. Obrigado, meu querido Shalom!”

“Senhor, todas as minhas fontes se acham em Ti”

Sou Emanuella Lima, discípula da Comunidade de Vida da Comunidade Católica Shalom. Natural de Parelhas-RN, sou a mais velha de duas filhas, nascida em uma família católica, sempre fui educada nos princípios cristão. A  minha mãe sempre nos levava à Missa, aos grupos de oração para criança. Aos 17 anos, onde tudo foi ficando mais exigente nos estudos, também o círculo de amizade que fazia parte, tudo foi se tornando prioridade para mim e eu ia cada vez mais deixando Deus e as coisas dEle para último plano. Nada tinha um valor para mim, não ia mais às missas, quando ia, fazia mais por uma obrigação que por um desejo de encontrar-me com Deus. E neste tempo a minha vida foi tomada por um profundo vazio, ia me contentando com o nada que o mundo me oferecia. Aos 24 anos imersa na vida sem sentido que eu levava fora de Deus, um dia a noite no meu quarto eu decidi que eu não poderia viver mais daquela forma, onde eu tinha tudo, mas não tinha nada. E hoje reconheço que, naquela noite sozinha o Senhor me visitou, e então fui começando um caminho de retorno principalmente ver retorno interior e diante da sinceridade e do desejo do meu coração que buscava a Deus o Senhor foi se deixando encontrar de forma surpreendente. No final desse mesmo ano, um amigo me chama para fazer o “dê suas férias para Jesus”, pois ele queria muito fazer e por uma realidade de saúde ele não poderia ir sozinho e então fui com ele. Lembro-me que quando fui saindo de casa, eu fiz essa oração: Senhor, se eu descobrir o que queres de mim, eu farei para sempre. Quando falei isso eu não tinha pretensão de uma vocação, na verdade não conhecia muito bem a vinda em uma comunidade nova. Mas como o Senhor se alegria e escuta a oração de um coração sincero, por providência de Deus fiquei sozinha no “Dê suas férias”, e o que me fez ficar ali foi justamente o desejo de saber o que Deus queria de mim. Nesses dias tive uma forte experiência de Deus, uma experiência de chamado, apesar de tudo ser muito novo para mim, mas ao descobrir a vontade de Deus eu ia me descobrindo e ia provando de uma felicidade nunca vivida. Em março entrei no vocacional e aquela voz que me chamou foi a cada dia me sustentando, e hoje estando na comunidade posso dizer que está na vontade de Deus, que ter a Deus é o único e verdadeiro sentido da minha vida, e que a minha alegria está em ofertar a minha vida de forma total e incondicional a Deus em vista da salvação dos homens. “Viver de Amor, estranha loucura, vem o mundo e me diz, “para com esta glosa, não percas o perfume e a vida que é tão boa, aprende a usá-los de maneira prazerosa! Amar-Te é, então, Jesus, desperdício fecundo!… Todos os meus perfumes dou-te para sempre.” (Santa Teresinha do Menino Jesus) Emanuella Lima

“Aos poucos, em oração, pela Palavra e por alguns sinais”

Meu nome é Rafael de Araújo, tenho 25 anos e sou natural de Brasília, Distrito Federal. Nascido em família católica, sempre participava das missas, aos domingos. Aos sete anos, se não me falha a memória, comecei ajudar o padre da cidade de Guará (DF) como coroinha. Em 2003, aos 15 anos, tive uma forte experiência com a Eucaristia, quando me perguntaram: “Rafael, você não sente nada ao servir Jesus na Eucaristia tão de perto?” No momento, respondi que não, mas na missa seguinte em que estava servindo, fui tomado de um grande amor a Eucaristia e de desejo de servir ao altar que não sei como explicar. Aos 16 anos, na turma de Crisma, tive uma nova experiência com a Palavra de Deus, pois surgiu um desejo de ler não somente por obrigação, mas de deixá-la entrar no meu coração e realizar sua força transformadora. No ano de 2007, após tantas quedas e vitórias na vida cristã, durante o retiro de carnaval Renascer (promovido pela Comunidade Shalom em várias cidades do Brasil), na adoração ao Santíssimo Sacramento, tive uma experiência com o amor e a misericórdia de Deus. Tive, assim, o meu batismo no Espírito Santo. A partir daí, me engajei e comecei a trilhar um caminho sério dentro da Comunidade Católica Shalom. Em 2009, cursando o quinto semestre de Matemática, ingressei na Comunidade de Vida, deixando tudo e com desejo de doar minha vida pela evangelização dos jovens. Como missionário, morei em Recife (PE), Pacajus (CE) e em Aquiraz (CE), na Diaconia. Em 2010, ao participar da missa de ordenação de quatro irmãos da Comunidade de Vida no sacerdócio, senti em meu coração que Deus também me chamava a essa vida. A partir desses pequenos momentos, tive grandes experiências com Deus e com Sua Vontade. Aos poucos, em oração, pela Palavra e por alguns sinais, fui percebendo que Deus me chamava a configurar meu ser, minha vida e história ao Seu Filho, Jesus Cristo. Em 2011, com o desejo de fazer a Vontade de Deus e confiante na Sua Graça, com alegria, ingressei no seminário* da Arquidiocese de Fortaleza, como missionário da Comunidade Católica Shalom. Hoje, moro em Lugano, na Suíça, onde prossigo com minha formação para o sacerdócio. Rafael de Araújo Moura Silva *A formação e o acompanhamento dos seminaristas são promovidos por benfeitores que contribuem financeiramente e por meio da intercessão. Envie um e-mail para seminaristas@comshalom.org ou adicione Seminaristas Shalom no Facebook e saiba como ajudar.

Moradores do Albergue São Francisco participam de Seminário de Vida no Espírito Santo

Moradores da Casa São Francisco, albergue administrado pela Comunidade Shalom, em Fortaleza, participaram nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro de Seminário de Vida no Espirito Santo.  O abrigo acolhe 56 moradores de rua do sexo masculino que livremente pedem ingresso na casa. Esse fim de semana foi marcado por muita alegria, pois o Projeto Mundo Novo, Projeto Juventude e Centro de Evangelização Shalom de Fátima muito se doaram para que eles também fossem tocados pelo amor de Deus a partir do Seminário. Ministraram pregações os missionários Pe. Denys, Pe. Rômulo, Eveline Montenegro, João Patriolino, Cassiano Azevedo, Delcy e Fabiano Landim. Já Marcelo Braga e Banda E3 forma responsáveis pela música e animação. “A Promoção Humana juntamente com seus assistentes vivem um tempo novo. Um tempo de resposta a tudo que o Papa Francisco vem falando sobre a Nova Evangelizaçao, sobre o pobre, sobre o ‘tocar a ferida’. Grandes libertações, principalmente de perdão, e curas foram realizadas. Mais de 25 moradores se confessaram”, informa Daniel Landim, um dos organizadores dos Seminários. Ele nos fala um pouco da sua experiência como assistente de Promoção Humana, vocacionado da Comunidade Shalom, casado, pai e advogado. – Como e onde foi a sua experiência com os mais necessitados? O meu grande encontro com o pobre ocorreu na Praça dos Leões. Já servia há algum tempo na Promoção Humana, especialmente na parte de planejamento, finanças e benfeitores das Casas, mas nunca tinha, realmente, tocado ou reconhecido o rosto de Jesus em um destes pequeninos.  E em um dia, após uma reunião no Albergue, resolvi confessar-me na Igreja que fica naquela Praça. Enquanto caminhava, avistei uns cinco moradores de rua deitados no chão. Com bastante indiferença, baixei minha cabeça e apressei o passo para entrar na Igreja. Quando entrei, veio o arrependimento e a pergunta: por que estou na Promoção Humana se sequer olhei  os rostos daqueles pobres? Então, resolvi voltar e conhecê-los. Foi uma das mais belas e dolorosas experiências que tive com o sofrimento de Jesus. Conheci uma criança de apenas 30 dias, com a mãe viciada em crack e portadora do HIV. Uma menina chamada Maria Clara.  Naquele dia, descobri que naquele grupo de moradores, por mais que estivesse devastado pelas drogas e pelo abandono, ainda havia esperança e belas virtudes como: a ajuda e companheirismo de todos com a criação e proteção da criança.  Inclusive, eles já haviam colocado suas vidas em risco para defender a mãe e a criança. Depois desse dia, passei a me dedicar mais, pensando nas pessoas e não mais, simplesmente, nas estruturas. – Que frutos você percebe ao final de um Seminário de Vida no Espírito Santo, realizado na Promoção Humana? Diante dessa nova mentalidade de juntar os outros projetos (Mundo Novo, Família, Juventude) com a PH, estou vendo uma chuva de graças que não via há muito tempo nos Seminários. As orações de cura e efusões não são mais as mesmas. É sempre um forte encontro com a eternidade. Normalmente, as pessoas que servem nesses momentos estão saindo mais tocadas e mais fortes em Cristo, até testemunhos deles estamos vendo. E desse encontro com os pobres, vemos que os servos de Seminário acabam se importando com o grito desses pequeninos. Já existe um grupo do Projeto Mundo Novo que acompanha individualmente cada interno da Casa São Padre Pio. São frutos de vida eterna para ambas as partes. – Qual o maior desafio da Promoção Humana? Pessoas para acompanhar pessoalmente, para ministrar formação, coordenar grupos, acompanhar as famílias… Resumindo, precisamos de gente disposta a ir além.  Na verdade, precisamos que haja uma mudança de mentalidade em toda obra. O pobre não é uma “causa” da Promoção Humana, e sim de todo cristão. Ora, se devemos ser imitadores de Cristo, não podemos terceirizar o amor ao pobre! – Como conciliar uma vida agitada com esse “olhar” para o pobre? Depois que comecei a reconhecer Cristo nele, deixou de ser uma questão de tempo e passou a ser uma questão de prioridade. É o termômetro da minha vida de oração. – Em quem você se inspira? Papa Francisco. Ele não só fala, mas, principalmente, vai ao encontro e toca. – Deixe uma mensagem para todos aqueles que se sentem chamados a esse serviço. Se você é cristão, o chamado já está na sua alma. Todo imitador de Cristo deve servir aos pobres necessitados (moradores de rua, idosos, doentes, drogados, crianças abandonadas, etc.). Como diz o Papa, não se trata de uma questão social ou cultural, mas teológica.  Uma grande maneira de começar é visitando nossas Casas e acompanhando um atendido. Ou venha servir nos próximos Seminários da PH. Será um encontro que, por incrível que pareça, mudará sua vida. Você, após esse encontro, viverá e encontrará na sua vida a verdadeira pobreza evangélica. Quer saber como ajudar a Promoção Humana Shalom? Clique aqui. Tamyres Vasconcelos

“Senhor, tudo é teu… mas por favor, não me peça o celibato”

“É a história de um coração de carne ao qual Deus fez uma proposta impossível, coração seduzido por Deus, por Ele provado e feito crescer, educado e tornado adulto. Contudo, sempre de carne. E portanto, sensível a tudo aquilo que atrai o coração humano. […] no entanto, é também história de Deus, de um amor que não falha e que jamais se rende, que não volta atrás diante da traição, da substituição, e da recusa da criatura que prefere os próprios e pequenos amores, de um amor que não falha diante da fraqueza e da vulnerabilidade do coração humano…” (Amadeo Cencini) Eu estava prestes a mandar minha carta para a Comunidade de Vida, Deus já tinha feito uma reviravolta na minha vida. Eu sabia que Deus era irresistível, por isso fiz uma oração: “Senhor, tudo é Teu, estou Te ofertando minha família, meus estudos, meu trabalho, meus planos e amores…, mas por favor, não me peça o celibato. Você me conhece, sabe dos meus sonhos. Por favor, não me peça isso.” Eu tinha medo do celibato estar nos planos de Deus para mim e eu sabia que Ele era irresistível. Ele, porém, me respondeu: “Eu nunca te violentaria, antes te seduzirei e te conquistarei.” É impressionante como foi e continua sendo um caminho de sedução e conquista. Deus preparou tudo à minha volta e dentro de mim para que, numa experiência de total liberdade, eu pudesse escolher, assumir e viver a verdade de quem eu sou: Lucimara, filha de Deus, Shalom, celibatária. Primeiro, depois de uma experiência de esvaziamento, de pobreza, de nada ter, Ele realizou em mim uma obra linda e necessária, a de descobrir-me filha amada, predileta. Nada pode me separar deste amor. Logo em seguida, depois de saber-me amada, Ele levou-me a um profundo autoconhecimento. Eu queria me firmar no Carisma como Comunidade de Vida. Tive uma forte experiência com minhas fraquezas e limites e não só com os meus, mas com os dos meus irmãos também. Esta foi uma dura prova. Estive prestes a desistir de tudo, de mim mesma, da vocação. Desacreditei… Mas a Sua misericórdia, o Seu amor me salvaram. Para onde iria? A quem iria? Assim, descobri o meu lugar: aos Seus pés. E estando aos Seus pés, descobri-me esposa, celibatária. Quando descobri isso, meu coração estava completamente rendido a esta verdade. Ele não só me seduziu, mas me encantou, me fascinou com Seu olhar, Sua voz, Seu coração. Quando uma pessoa se casa, tudo muda. Sua forma de relacionar-se muda, suas prioridades, as exigências, seu tempo. E quando vêm os filhos, mais mudanças no corpo, no jeito de amar, no jeito de ver. Tudo se desenvolve dentro desta nova realidade. Há uma mudança fora e dentro das pessoas, todos percebem. Uma mudança, assim, radical também acontece na vida do celibatário, a diferença é que muitos não percebem. De repente, não vivemos mais sozinhos. Mudam nossos relacionamentos (Ele é um Deus ciumento), nossas prioridades, as exigências do Amor. Muda a forma de amar, de rezar e se dar… É um desposamento real! Agora não é mais simplesmente “eu”, mas “eu e o meu Esposo”. Logo vem também os filhos, espirituais, sim, mas gerados não só na oração, mas na oferta total de vida. É tudo muito real e concreto, mas nada é para este mundo, e eu sou um sinal vivo de que o céu é esta realidade concreta porque eu a vivo na minha carne. Eu teria várias histórias para contar das exigências deste Amor e das delicadezas do meu Amado. Mas a maior delas é que Ele olhou para mim, para a minha pobreza, para a minha indigência e me elevou. Me elevou a um lugar de muita honra e distinção, o lugar do eleitos, o lugar da esposa. Lucimara Batista

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