“Se mil vidas tivesse, mil vidas te daria”

O mundo do Futebol e cada um de nós fomos acordados na madrugada desta terça (29) ,com uma trágica notícia. O avião que levava a delegação da Chapecoense para Medellín, na Colômbia, caiu a poucos quilômetros do seu destino. Em meio ao luto coletivo que nosso país e todo o mundo estava vivendo, algumas horas depois, eu vivi uma das maiores experiências da minha vida missionária. Estava voltando de uma visita apostólica que havia feito à missão de Aparecida no voo Guarulhos/Fortaleza com escala em Juazeiro do Norte. Quando sobrevoávamos Minas Gerais, o avião teve uma pane. A turbina fez um forte barulho gerando não só um ronco estranho, que permaneceu durante toda a viagem, bem como uma fumaça asfixiante que se espalhou pelo interior da aeronave, que chegou a tender para o lado da turbina com defeito. Todos a bordo, inclusive os comissários, ficaram apavorados e pensei que seria minha última missão. Estava dando meu testemunho para a Claudiana que se encontrava ao meu lado, e no momento da pane, perguntei se poderíamos rezar o terço. Convidamos o Ítalo, que estava no outro acento, para rezar conosco. Em meio as ave-Marias, Maria foi pacificando nosso coração. No momento em que o avião tendeu para o lado, diante do desespero, pensei: “se hoje fosse o último dia da minha vida, teria válido à pena ofertar a minha vida a Deus?” Há dez anos consagrei minha vida à Deus na Comunidade Católica Shalom, pela evangelização dos jovens. Em meio àquela aflição, lembrei do rosto de cada jovem que passou por mim e que eu havia evangelizado, e percebi o quanto minha vida tem sentido. Sou um jovem realizado, apaixonado por Deus, pelo carisma Shalom e pela missão que Ele me confiou. Essa experiência me fez refletir ainda sobre a fragilidade da vida. A palavra de Deus diz que “não sabemos o dia, nem a hora”.[1] Por isso, não podemos nos perder no que é provisório, mas buscar sempre o essencial, o que não passa, vivendo cada momento como se fosse o último dia, a última chance. Deus me concedeu uma nova chance ao me poupar de algo pior. Senhor, se mil vidas tivesse, mil vidas te daria. A aeronave não tinha condições de continuar a viagem. Fizemos um pouso de emergência no aeroporto internacional de Brasília, onde permanecemos até o dia seguinte. Com essa experiência Deus me uniu de maneira bem próxima àquele evento trágico. Pude sentir algo semelhante ao que a delegação da Chapecoense possa ter sentido momentos antes do desastre. Me uno a dor e em intercessão aos parentes daqueles que perderam a vida naquele voo. Força chape! Shalom! Glaucio Rocha – Missionário da Comunidade de Vida Shalom    [1] Mt 25,13

“A quem está passando por um câncer eu digo: tudo isso vai acabar e você não será mais a mesma pessoa”

Conheça o testemunho de uma jovem que encarou o câncer com fé e desejo de viver. Ao olhar a foto dessa jovem você poderia pensar que ela é uma pessoa normal, sem nada de especial. E, de fato é. Não fosse a luta contra um câncer, Angel Costa, 23, seria sim, uma jovem como qualquer outra. Mas, sua história nos mostra algo a mais. Lendo esse período de sua vida podemos encontrar uma lição de superação. Milhares de pessoas anualmente recebem diagnósticos de câncer. A reação ante a notícia, geralmente, é a mesma: desânimo, desesperança. Uma resposta justa. Algumas, contanto, conseguem reagir de forma mais positiva e buscam encontrar motivos para se continuar a viver. Angel é estudante de geografia, pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Ela foi diagnosticada com um Linfoma de Hodgkin em 2013. Tudo começou quando alguns nódulos começaram a aparecer no lado esquerdo de seu pescoço. Logo, outros sintomas começaram a surgir. Eram febres diárias ao anoitecer, sudorese noturna, e perca de peso. Angel procurou um médico que solicitou uma ultrassom. No dia da ultrassom Angel descobriu que seu caso poderia ser algo mais sério. “Quando fui fazer a ultrassom dos linfonodos (nódulos) que apareceram no meu pescoço, a médica que estava realizando o procedimento em mim perguntou quem tinha passado aquele exame, e eu expliquei que foi um clínico geral. Então, ela falou ‘pois se eu fosse você, procuraria logo um Oncologista’. Nesse momento eu percebi que poderia estar com câncer”, conta Angel. Angel saiu da clínica abalada com a especulação da possível doença e ao chegar em cada resolveu pesquisar sobre linfomas. Pelo que leu, viu que poderia fazer o tratamento e ficar curada. A jovem não sabia ao certo se estava realmente com câncer, mas com a biópsia veio o diagnóstico. Era Linfoma de Hodgkin. Ela narra como foi sua reação quando descobriu a doença. “A priori não chorei, pois já esperava esse resultado. No mesmo dia fui para a faculdade normalmente, assisti aula, até que no final da aula fui contar aos meus amigos mais próximos que estava doente. Foi então que a ficha caiu. Foi quando eu percebi que iria passar por um tratamento bem complexo e nada fácil. Voltei para minha casa e a única coisa que conseguia fazer era chorar. Chorei durante uns 3 dias direto, não conseguia “aceitar” que Deus tinha permitido aquilo acontecer comigo, fiquei muito revoltada mesmo”. Sua postura, no entanto, foi mudando. Ela percebeu que estava ficando depressiva e que ficar daquela forma não estava lhe fazendo bem. Angel passou, então, a aceitar a doença e afirma que a fé em Deus, o apoio e oração da família, dos amigos e sua vontade de viver a sustentaram nesse período. “Se Deus tinha permitido aquilo, Ele iria cuidar de mim”, conta ela, que começou a partir daí a encarar a doença de outra forma. A jovem passou por 16 quimioterapias, entre agosto de 2013 e março de 2014, e 15 sessões de radioterapia em maio de 2014. “Na primeira quimioterapia eu estava muito tensa, pois era tudo novo. Na minha cabeça eu ia ficar enjoada assim que a medicação começasse. Mas foi tudo super tranquilo, não senti nada. Não enjoei nada. O tratamento como um todo foi bem tranquilo. Somente nas últimas quimios, onde meu corpo já estava mais debilitado, comecei a sentir um pouco de enjôo, mas nada de mais. Acabei perdendo paladar que só voltou quase 1 ano depois do fim das quimios”. Angel fala que nesse período contou com uma ajuda muito especial, a do médico onco-hematologista Emmerson Eulálio. Segundo ela, desde as primeiras consultas ele a acalmou quanto à doença. A jovem disse que uma situação difícil que teve passar durante esse período foi o distanciamento de alguns amigos. “Amigos de infância que moram na minha rua mal falaram comigo após o diagnóstico (e até hoje não voltaram a falar), e até alguns amigos do grupo de oração que eu participava na época também se distanciaram de mim. Claro que cada um deles têm seus motivos e eu não os julgo por isso”. Atualmente, Angel está num período chamado Remissão. Um câncer só é considerado curado após cinco anos sem o retorno da doença. Angel está no terceiro ano de Remissão, mas acredita estar curada. “Cada dia que passa agradeço a Deus por mais um dia, por acordar bem e viva. Comecei a valorizar cada momento da minha vida. A quem está hoje passando por um tratamento de câncer eu digo que tenha fé e muita paciência que tudo isso vai acabar, e quando acabar, você não vai ser mais a mesma pessoa de antes, pode ter certeza. E a todos que não estão passando por um câncer, peço que façam exames regularmente e fiquem atentos aos sinais que o seu corpo dá. Um diagnóstico de qualquer doença precocemente é fundamental para uma recuperação bem sucedida”, afirma Angel. Guilherme Rocha

Testemunho: A descoberta de um Amigo

Esse Halleluya foi muito especial pra mim. Faz (quase) 5 anos que tive meu primeiro contato com o Carisma Shalom, no primeiro Halleluya da Cidade Maravilhosa. Fui direto da paróquia, após uma reunião da pastoral de crisma, em caravana com vários amigos. A verdade é que cresci na Igreja e, por graça, nunca me afastei dela, mas meu coração estava inquieto, cheio de questionamentos, como se eu precisasse de mais. Meu coração não se contentava com o pouco da missa dominical, trabalho pastoral e meia dúzia de orações decoradas. Como dizia Santo Agostinho, ‘inquieto está o nosso coração enquanto não repousar em Deus’, e o meu coração ansiava por mais, eu precisava correr atrás do meu coração! Voltando pro Halleluya, tudo ali me encantou, a começar pela beleza da liturgia impecavelmente celebrada. O salmo cantado pelo Morel que não me sai da cabeça. O Canto das Írias. A reza na cabeça na oração e aconselhamento. Aquela atmosfera me atraía, a alegria por estar ali transbordava. Ali mesmo, fiz minha inscrição pro Acampamento de Jovens Shalom, que foi meu Seminário de Vida no Espírito Santo, que foi onde minha vida começou a mudar. Nesse caminho, a descoberta mais importante que eu fiz foi que Deus me ama de perto, como um amigo. Deus fala, guia, cuida, acompanha. Deus não está distante, pois tomou para Si a minha história e caminha comigo. Eu descobri que eu, jovem, tinha um lugar dentro da Igreja! Que eu podia dar tudo! Que eu podia ser feliz apesar de tantas coisas que me feriram e me afastaram de Deus! Que o amor e a misericórdia de Deus são pra mim! Hoje meu coração se encontra plenamente feliz na vontade de Deus, ainda que em meio às lutas, às fraquezas, às limitações. Eu hoje experimento de uma alegria que não passa e que nunca passará. Alegria de ser filha de Deus, jovem, missionária, estudante, filha, cheia de sonhos! Minha esperança não está nas mãos dos homens, mas na mão do meu Senhor que cuida, cura, liberta, ama! E essa graça é também pra você! Vem comigo! Vem com a gente! Shalom! Suellen Rei

Nunca imaginei que estar ali era só o início da fase mais feliz da minha vida…

Meu nome é Máyla Passos, 19, sou capixaba e estudante de Jornalismo. Desde Março deste ano participo da comunidade Shalom, meu Grupo de Oração é o Anawin e estou na fase Filotéia. Quando cheguei eles estavam na metade do Kerigma. Eu já havia feito o seminário de Vida na minha paróquia e mesmo assim achava todo mundo estranho e questionava a Deus o que estava fazendo ali. Nesses questionamentos nunca imaginei que estar ali era só o início da fase mais feliz da minha vida, aonde eu iria me conhecer, sorrir, brincar, dançar, ter os melhores amigos, os melhores pastores e encontrar meu Grande Amor. Hoje continuo questionando Deus, porém, com questionando Deus, porém, com outra pergunta: “Como fazer para que outros jovens tenham a mesma experiência de amor que eu tenho tido?”. Falo de coração que se pudesse levaria todos os jovens que conheço a experimentar por um minuto o que é ser amado de verdade. Vestir a camisa do Anawin é uma forma de gritar para o mundo a felicidade que vivo hoje em ser Deus, uma alegria que só cresce e me faz crescer. Sei que ainda preciso melhorar muito, e já sou muito grata por tudo que Deus tem feito em minha vida. Ser Shalom era o sentido que precisava para ser feliz e ser uma Jovem de Deus. Ele conhece bem o desejo do meu coração de ser a cada dia mais pertença a Ele, mesmo eu não identificando a oportunidade que recebia de imediato.  

Cristo me conquistou com sua misericórdia e alegria

Por muito tempo fiquei a me perguntar até onde o bom humor poderia chegar quando o assunto é  religião e Deus. Perguntava-me se o meu bom humor atrapalhava de alguma forma a minha intimidade com Deus, minha oração pessoal e minha vida comunitária. Durante muito tempo achei que a resposta era sim, que “não se brinca com as coisas de Deus”, que Cristo é justo, e justiça não combina com bom humor… Eu estava enganado. Quando pensava em justiça sempre me vinha à mente um tribunal, um júri, um réu, e  que o bom humor de alguma forma nunca se encaixaria nesse cenário, como já disse, eu estava enganado. Não era o bom humor que não se encaixava, era o cenário que não estava compatível com o bom humor. Sim, Deus é verdade e  justiça, mas acima disso, Deus é alegria, é a “Alegria que nunca acaba”. Cristo não é um carrasco que veio nos condenar, pelo contrário, ele veio nos libertar e essa liberdade é que nos torna cada vez mais felizes. Cheguei certo dia no Centro de Evangelização, era uma noite de quinta e a casa estava cheia de jovens, estavam todos espalhados pela casa.  Sentei na lanchonete com três irmãos e começamos a conversar, uma conversa comum, como na maioria das vezes com brincadeiras e risadas. Propositalmente comecei a brincar e rir mais alto, as risadas tomaram conta da casa, não pude deixar de notar que a medida que riamos mais alto, mais jovens vinham se aproximando de nós, a medida que íamos nos sentindo mais felizes, mais jovens se sentiam atraídos por essa felicidade, de modo que quando me dei conta, praticamente todos os jovens estavam sentados à nossa volta partilhando da mesma alegria. É certo que Cristo se utiliza de metodologias diferentes para se relacionar com cada pessoa, pois ele sabe em que ponto cada pessoa é mais atraído ao seu chamado. Conversando com alguns irmãos outro dia, notei que antes de suas experiências pessoais com Deus, cada um foi se sentindo tocado/atraído por coisas diferentes, alguns pela música, outros por uma pregação, e outros ainda por um(a) paquera que frequentava a Comunidade. Mas de formas distintas, Deus havia nos reunido e nos introduzido ao caminho de e para a felicidade. Apesar de ter nos conquistado de formas diferentes, Ele nos apresentou a mesma felicidade e nos convidou a trilhar o mesmo caminho, o caminho de santidade, que embora duro e com muitas renúncias, um caminho alegre, simples e com um ganho incalculável para a eternidade. Minha vida de oração pessoal e comunitária, minha intimidade com Deus melhorou depois que olhei para Cristo como meu amigo verdadeiro, aquele com quem posso rir e chorar quando for preciso, aquele quem posso partilhar minhas tristezas e minhas alegrias, aquele que vai rir quando eu contar algo engraçado, e que vai me aconselhar quando não souber o que fazer. É aquele amigo que também brinca comigo… Meu intimo com Deus é vivido nas pequenas coisas do dia a dia, quando perco as chaves de casa, por exemplo, e olho para cima e penso “tá bom Deus, pode devolvê-las porque estou atrasado” e quase que instantaneamente as acho, ou quando estou chateado com algo e bato com o dedo mindinho no centro da sala, como se ele quisesse me dizer “acorde que você está errado dessa vez “ e logo penso “tudo bem, Pai, eu estou errado”. Cristo me conquistou com sua misericórdia e alegria, e essa alegria que devo viver e levar para meus amigos, a alegria que eles também precisam conhecer e  viver, que é gratuita e que é a verdadeira. Rafael Oliveira Obra Shalom. Arapiraca-Alagoas

Missão: do sertão para a floresta

Minha experiência missionária na Amazônia tem sido de grandes alegrias. Eu digo que se trata de uma dádiva muito natural na minha vida e missão de padre. Primeiro, trata-se de um desejo que me acompanhava há muito tempo. Segundo, a motivação dos 10 anos de ordenação. A Diocese de Itapipoca-Ceará, na pessoa do meu bispo Dom Antônio Cavuto, me convidou e enviou-me para cá, para a Igreja de Humaitá-Amazonas. Chegando aqui, Dom Francisco Merkel, bispo de Humaitá-Amazonas achou por bem confiar aos meus cuidados pastorais a paróquia da Catedral, paróquia Imaculada Conceição. Eu vim aberto a qualquer serviço, contanto que eu pudesse contribuir com essa Igreja, carente de vocações sacerdotais; a única “coisa” que é pouca aqui onde estou é padre. Somos poucos para uma realidade geográfica e necessidades pastorais tão gritantes. Dos poucos, todos de outras regiões, dioceses e de Congregações. O mais, tudo tem, graças a Deus e aos missionários que por aqui passaram, e aos que continuam sua missão neste chão. Precisamos urgentemente trabalhar as vocações autóctones! Eu vejo sementes vocacionais nos jovens daqui. Também eles precisam sentir essa necessidade vocacional e responderem à altura. A missão se dá no dia a dia. No contato com as pessoas, com as famílias, nas idas às comunidades ribeirinhas, quando posso, nos encontros pastorais etc. Aqui eu vejo muita semelhança com o nordeste. Por exemplo, o jeito de o povo rezar, as promessas e procissões, as devoções a Maria e aos santos. Há uma boa organização pastoral, mas que precisa abrir-se mais à perspectiva missionária. Também já se fala de “saída” missionária. Aqui é uma Igreja que já recebeu muito ao longo dos mais de 140 anos de missionariedade, desde quando recebe missionários estrangeiros e brasileiros. Há uma marca salesiana muito forte. A devoção e o carinho para com Dom Bosco e para com a Virgem Auxiliadora são muito pujantes. É preciso aproveitar esta graça e chegar ao coração dos agentes, para que eles entendam que também eles são missionários e que já a Igreja de Humaitá pode dar, também ela, de sua pobreza. Desde que cheguei aqui que não me canso em dizer que Humaitá é uma Igreja viva, bem organizada, estruturada em comunidades e pastorais que ensaiam uma pastoral de conjunto. Isso é bem presente, mas, evidente, precisa dar passos. Espero contribuir, mas também isso não significa que, como missionário aqui, eu resolva esta percepção das urgências pastorais e missionárias. O caminho continua sendo construído. O importante é caminhar. A animação bíblico-pastoral, a abertura missionária, a formação dos leigos e demais agentes, vão exigindo de nós mesmos e nos entusiasmando. O método é este: Envolver, Planejar, Ver, Julgar, Agir… Avaliar, Celebrar, Novas perspectivas… E assim vai… Olhos fixos em Jesus de Nazaré, o Cristo. Os encantos daqui são as belezas naturais, a mestiçagem do povo, gente de todo jeito e tantos lugares, os sotaques e as gírias: “coolega”, “cooleguinhaaa”, “maanoo”. A floresta, matas que atraem nossos olhares e nos fazem erguer a cabeça. Os rios, águas abundantes e reluzentes devido ao brilho de um sol escaldante. Em muitas partes, águas sombrias, pois cobertas pelas verdes matas. Também nos encantam as chuvas torrenciais e os ventos tempestivos, embora provoquem espanto. Longas estradas, caminhos certos, às vezes incertos, medidos quilômetro a quilometro, servindo de sinais para a o povo que vai e vem do 180 ao 150, ao 65, ao 90… Distâncias de 400 a 600 quilômetros… A mais… Pela terra e na superfície aquática. Ao longo dos percursos, grandes pontilhões, aldeias, povoados… As vendinhas pelo meio, aqui, acolá. Tudo saltam aos olhos, pois quem vem do sertão nordestino, acostumado com as belezas da caatinga, dos serrados e dos encantos praianos, certamente vê a diferença em ambas as belezas, nenhuma mais que a outra, simplesmente, diferentes. Cada uma com suas inspirações poéticas, suas canduras e fobias. É meu Brasil brasileiro!!! Pe. Arnoldo Sales 

Como a singela luz de Deus derrubou as bases sólidas do meu ateísmo

Bom, entre meus dias, nada mais me surpreendia; estava fechada em mim mesma de tal forma que o mundo não andava por aqui, minha rotina parecia ter parado em único dia e desde então esse dia se repetia, se repetia… nada de novo eu me deixava acontecer. E a maioria dos âmbitos da minha vida permaneciam como frutas estragadas que em um dia eu já conseguira saborear; família, amigos, namorado… eram sempre os mesmos fatos, as mesmas coisas, o mesmo mundo que eu não deixava entrar. Mas a podridão e o desgosto desses âmbitos, dessas frutas, não estavam propriamente nelas, mas na forma que eu as enxergava, que meus olhos enxergavam o mundo. Vivendo dessa maneira, houve um dia em que me decidi ir embora (por apenas uns dias), e comecei a procurar na internet algum lugar para onde pudesse viajar, no fundo, nem eu mesma acreditava que acharia, mas só o ato de ir em busca, procurar, já me aliviaria. Abri o computador e logo depois de entrar no Facebook, encontrei a propagando do Acamps compartilhada por uma amiga antiga minha, dos tempos do fundamental. Fui logo conversando com ela no chat e perguntando se poderia ir mesmo sendo ateia pois na minha cabeça só haveria diversão, brincadeiras, etc. Ao que ela logo me respondeu dizendo que não haveria problema algum pois outros ateus também iriam. Só faltavam dois dias pro acampamento, se não um e eu já estava arrumando minha mala… Hoje eu vejo que talvez não fora coincidência ter a quantia de dinheiro exata que precisava pagar guardada nas minhas economias. Eu já estava decidida a ir, finalmente passar uns dias longe… Engraçado que foi justamente nesse ato de fugir de tudo e de mim mesma que eu me encontrei, entrando em contato com um eu que pra mim não existia mais pois eu já havia esquecido. Fui perceber, muito tempo depois, que Deus já cuidava de mim ali, com toda a sua primazia, pois bem grande foram as preocupações da minha mãe, ao saber que iria para esse acampamento, sem conhecer praticamente ninguém, mas grande era o ímpeto que Deus colocava em meu coração, antes mesmo de entrar no ônibus lembro que ela me perguntou pela enésima vez se eu queria mesmo fazer aquilo, e eu estava determinada… Porém, quando embarcamos no ônibus e me percebi ali, sentada sem ter ninguém com quem conversar, me veio a primeira onda de pensamento fria: será que eu devia estar fazendo mesmo aquilo? Será que não era melhor ter ficado em casa? Afinal… o que eu estava fazendo? Então ainda perdida nesses pensamentos, vi se aproximar uma menina, que tinha mais ou menos a minha idade, ela mal me apresentou seu nome e já estávamos conversando, e fomos conversando até chegar no local, descobrindo o tanto que tínhamos de comum. Dani. Vi aí a primeira pessoa que o Senhor me quis colocar, na tentativa de não me fazer desistir, de não me deixar ir embora. E tudo ocorreu muito bem, até o dia seguinte. Tamanha era minha estranheza diante daquelas atividades! Diante daquela alegria, todo mundo pulando, sorrindo, dançando, que coisa mais esquisita, eu pensava… Tivemos várias atividades de manhã as quais eu não saberia denominar, eu desconhecia essas coisas, essa alegria de agir, de louvar. Eu não entendia… Pra quê? Que Deus não existia… Logo comecei a me sentir como um peixe fora d’água e minha primeira vontade foi querer ir embora. Tudo era muito absurdo e diferente de mim. Peguei logo o telefone e liguei para minha mãe, avisando que se ela pudesse me pegar naquela hora mesmo eu iria, até que conversando com ela, percebi não saber o endereço do local e fui perguntar a primeira pessoa que vi a minha frente: o Kleber, que estava animando o evento. Ele me disse que para ir embora precisaria avisar antes a coordenadora dos meus dormitórios, a Manu. E lá foi eu, com minha mãe esperando na ligação… Agora percebo como todas as obras do Senhor são grandiosas, como Ele se faz presente em todos os detalhes, em cada pessoa que me colocava perto… Como sussurravas Teu nome pra mim e eu, plenamente surda, não Te ouvia! Manu logo me perguntou porque tamanho era meu desejo de ir embora, e fomos conversando… Até que nem reparei ter desligado o telefone e ela me propôs um desafio: ficar ali mais um dia, que qualquer coisa que me incomodasse eu poderia falar com ela, que me deixaria mais livre… E se ainda quisesse ir no outro dia, eu iria. Eu aceitei, e até nisso Meu Amado acertou… Pois sabia que minha alma não seria capaz de recusar um único desafio. Vocês já devem imaginar o que me aconteceu no outro dia…tive minha primeira experiência com Deus depois de muitos anos longe da Igreja Católica. Através dela, Deus se apresentou a mim, em minha plena pequenez e fragilidade humanas, retomou o laço que tínhamos quando eu ainda era uma criança e ia pra Igreja… Ele me conhecia! E eu também O conhecia, mas já havia esquecido de sua infinita presença e existência tão dócil! Pelo meu grande e tolo ateísmo. Através dela, Deus não só se fez presente mas teve a caridade de me explicar meus principais motivos ateístas, os quais eu mesma desconhecia. Ele me explicou a minha própria história e naquele instante já me fez ser mais livre… Porém meu medo de algo sobrenatural assim era tão grande e o baque na minha inquebrantável base ateísta foi tão grande… que eu logo duvidei, só que não era capaz de explicar o que tinha me ocorrido… E eu continuei lá, durante os últimos dias, participando meio bamba das atividades e sem conseguir acreditar com o que acabara de me acontecer… Mas não foi só isso, houve mais. “Eu quero sair das minhas prisões”, já dizia o Padre Tarso numa das missas em que eu me recusava a ir; acho que não por coincidência, essa foi a única frase que

Missão: não é desejo, é necessidade

  “Ir em missão, continuar em missão, morrer em missão, não é vontade minha é, antes de tudo, vontade de Deus.” Olá, meu nome é Igor Carvalho, tenho 24 anos e sou missionário há quatro anos. Vim partilhar sobre a experiência de viver em missão. Melhor, de ter a vida como uma missão. Antes de tudo, gostaria de começar partilhando o motivo de crer que ser missionário é algo que vem da vontade de Deus e não de um simples sentimento pessoal. Eu sempre tive medo de sair em missão. Lembro que quando saiamos como irmãos de grupo de oração e o tema missão era tocado, sentia um calafrio, uma repulsa, talvez até uma reação bem visível de que sair da minha terra não era a forma que eu acreditava como vontade de Deus para mim. No entanto, lembro bem de uma pessoa que certa vez disse uma frase (acho que nesse dia ela emprestou sua língua para Deus): “ei, a missão não vai aparecer para você como um desejo, vai aparecer como uma necessidade”. Aquilo me impactou muito. Não passei de pronto a aceitar que poderia partir um dia, mas ao menos naquele instante algo no meu coração se abriu para isso. Passado algum tempo, aprofundando a experiência da vida de oração, de serviço, de abandono, de mais oração, mais oração, mais oração… Deus começou a trabalhar no meu coração. Certo dia me chamaram para ajudar em um festival de música e artes da Comunidade Shalom, o Halleluya. Passei uma semana inteira trabalhando dia e noite sem parar com a intenção de dar o melhor para Deus. Aquela experiência de serviço foi tão grande, tão forte, que eu não pude mais negar a mim mesmo o que passava dentro de mim. “É, eu tenho necessidade de ir em missão. Eu acho que Deus talvez queira que eu vá em missão”. A partir daí comecei um processo de discernimento com o meu pastor do grupo de oração. Cinco meses depois, saía minha resposta: eu iria como jovem em missão e vocacionado para a missão de Montevidéu, no Uruguai. Ali vivi momentos intensos de saída para os irmãos, quando na maioria das vezes eu não queria. Momentos fortes de oração, quando muitas vezes eu só sabia pedir perdão a Deus por meio do autoconhecimento, quando percebia como eu era infiel diante daquele que sempre era fiel comigo. Momentos de forte identidade vocacional que serviram para que, depois de um ano, eu pudesse declarar: ir em missão, continuar em missão, morrer em missão, não é vontade minha é, antes de tudo, vontade de Deus. Por isso eu afirmo e reafirmo se é da vontade de Deus, não tenha medo, pelo contrário, creia, o melhor está por vir! Shalom.

Meu filho viveu cerca de 10 semanas. Nunca ouvi o seu coração, mas ele foi tudo pra mim

A paz de Cristo! Sempre que vocês postam algo sobre o aborto, fico mexida… Lembro de quando eu estava no início da faculdade e apoiava essa atrocidade, me escondendo atrás de argumentos e ressalvas que pareciam preservar a minha fé. Mas era tudo uma mentira. Me casei em outubro do ano passado e em janeiro descobri que estava grávida. Meu filho viveu cerca de 10 semanas. Tinha pouco mais de 3,5 mm. Nunca ouvi o seu coração. Mas ele foi tudo pra mim e para o meu marido. Foi a alegria de nossas famílias, foi o que nos deu esperanças. Hoje eu vejo que eu não tinha dimensão de quando a vida começava. Hoje me arrependo dos absurdos que defendi. Hoje eu sei que no dia em que descobri que estava grávida virei mãe, responsável por uma vida que, por menor e breve que tenha sido, foi confiada a mim por Deus. Não vamos desistir! Que Deus toque os corações!   Thaís Carolina da Silva Vicente

Testemunho: “Francisco de Assis foi um jovem como eu e como muitos outros”

“Muitas dessas perguntas me foram respondidas quando tive uma experiência única e pessoal com a pessoa de Jesus Cristo, e a partir dali fui percebendo que muitas das coisas, que antes eu não conseguia entender ou até desprezava, agora me atraiam, também havia dentro de mim a vontade de gritar ao mundo “o amor não é amado!”. Dentro da vocação Shalom pude ir conhecendo mais a fundo a vidas dos Santos, e não há como não destacar São Francisco. Lembro que a primeira vez que tive um contato com a história de São Francisco foi por meio de um espetáculo que foi apresentado por um grupo de dança que eu gostava muito, e ao ir me deparando com a vida de Francisco, um jovem da burguesia, que vivia intensamente muitas experiências de pecado, mas que ao ouvir a voz de Deus procurou em tudo corresponder à essa voz, por Deus tudo deixou, por Deus reconstruiu a igreja de seu tempo, a partir dai eu percebi que era sim possível almejar a santidade, era possível tudo mudar em minha vida, por que eu também ouvia aquela voz, porque eu tinha provado daquele amor, e agora eu sabia que por Ele, todas as coisas poderiam ser realizadas. Francisco de Assis foi um jovem como eu e como muitos outros, tinha pensamentos e sentimentos que eu bem conhecia e mesmo assim, por amor, foi capaz de mudar tudo em sua vida, quando sentiu o chamado de viver uma vocação e atendeu prontamente ao chamado de Deus, essa radicalidade, essa ousadia de ir contra tudo e todos muito me motivava, isso me provava que não era impossível ser santo, que o céu não era inalcançável. Mas toda vivência desse amor ainda me era meio estranha, porque não conseguia entender como algo poderia mudar uma vida tão radicalmente, mas hoje compreendo que uma alma realmente apaixonada, a tudo se dispõe pelo seu amado. Só uma pessoa que realmente ama é capaz de compreender as loucuras que se faz por amor, não falo aqui de um amor superficial, mas de um amor sem medidas, um amor que apenas Deus tem por nós e é esse amor que quando correspondido nos faz fazer loucuras, nos faz tudo deixar, nos faz ser diferentes, noz faz viver coisas que jamais sonhamos, e renunciar coisas que para nós tinham seu valor. Eu conheci o amor aos 17 anos, e nem naquele sublime momento jamais poderia imaginar as vias por onde Deus iria me conduzir, tinha metas, sonhos e planos a realizar, tinha meus objetivos, e provavelmente teria uma vida centrada em mim mesma, mas hoje aos 21 anos posso afirmar com plena certeza que ao ouvir a voz de Deus e me decidir por segui-la eu fui e sou muito mais feliz, o que Ele me propôs era totalmente diferente do que eu havia planejado, mas foi ai que encontrei o meu lugar, foi ai que pude começar a trilhar um caminho para santidade, foi a ai que descobri que sou Shalom e que apenas assim serei plenamente feliz. Em meio a todas essas coisas tenho São Francisco como um fiel intercessor, pois nele contemplo muito a pobreza, humildade de seu coração e a liberdade com que deixou Deus realizar em sua vida, e desejo todos os dias ao menos um pouco dessa liberdade para que Deus vá em mim realizando”. Adrielle Barbosa Postulante da Comunidade de Aliança

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