Testemunho: “Buscar ser santo e continuar sendo quem sou”

Eu acho massa isso de ter um tênis sujo de tanto andar por ai falando que o amor não é amado em meio as tarefas diárias. Eu acho muito “paw” a cordinha do terço suja de tanto passar o dedo entre as bolinhas. Passar o dia com a mochila nas costas, e ter dentro dela um caderno que tem escrito tudo o que sou, e ainda a Palavra que dá sentido à toda vida. Essas coisas meio largadas, tipo as letras dessa arte/foto, bagunçada, mas dentro o coração tá do jeito que Deus quer. Acho massa demais essa coisa de buscar ser santo e continuar sendo quem sou. Dizem que como muito fastfood, mas qual é o santo que não gostaria? Falam ainda que eu digo muito “boy” (expressão usada pelos jovens natalenses) mas até essa identidade é difícil de tirar, quando o espírito é jovem. E quem nunca se apaixonou? Ah, sou muito apaixonado. Tem dias que acordo sem querer amar, mas quem eu amo me faz sempre retornar a Ele no fim do dia, e aí dormimos sempre “de boa”. Boy, esse negócio de ter aquela calça jeans de guerra, é bom demais. Vai com você pra onde for, e a camisa daquele evento que você quer divulgar. Parece que não sai do corpo, tipo to agora com a do Acamps. Mas essas coisas dão sentido, e me fazem perceber: a cada dia Deus me faz mais jovem! Estranho né? Quando eu tiver meus 60 anos de idade, quero estar nos meus 20 anos de juventude. Ser como São João Paulo II. Dar um rolê de patins, levar quedas, levantar, tomar um banho de chuva com medo de molhar os cadernos na volta pra casa, melar mais uma vez o tênis (dessa vez de lama), sair com os amigos pro shopping, ou pra aquele hot dog da esquina mesmo, quando é fim de mês e a galera tá sem grana. Ir pra umas reuniões eternas pra planejar algo, ou pra rezar pelos jovens que ainda não tiveram uma experiência. Sabe aquela propaganda que passa na TV, que fala: “Isso não tem preço”? Pronto. Isso tudo não tem preço, mas tem muito valor. Só que nada se compara, nada é maior que a vontade de Deus. Se Ele me pede tudo isso, eu darei, na certeza de que 100x mais Ele me dá. 100x mais eternidade, 100x mais juventude, 100x segurança, 100x mais tudo isso que falei aí em cima. Encontrei quem sou, encontrei meu lugar, ser shalom, ser jovem, viver na terra o céu que Deus quer pra mim, nessa comunidade, na Igreja, para sempre. Pedro Dantas Vocacionado – Missão Natal

Ir em missão é radical

Partir em missão é uma grande aventura em Deus! Sempre fui aventureira, a radicalidade sempre me atraiu; e, na minha caminhada com Deus, fui descobrindo que viver Nele, com Ele e por Ele é a maior radicalidade que posso experimentar, desejando assim fazer a vontade Dele, que é sempre felicidade e estar disposta a viver às Suas surpresas. Ir em missão é radical! É radical pois é um esquecer-se de si, para doar-se a tantos que não conhecem a felicidade, que precisam conhecer o imenso amor de Deus para assim descobrirem que Ele é a felicidade, Ele é a vida. Ir em missão é ser o feliz terceiro, como bem nos ensina a nossa bela vocação Shalom, onde Deus é o primeiro, meu próximo é o segundo e eu o feliz terceiro. Eu, tão pequena, tão incapaz e tão fraca que sou, fico encantada com o amor de Deus, que se utiliza da pequenez humana para manifestar os seus feitos. Lembro com carinho de uma fala do Messias, da comunidade de vida (mais conhecido como “Fofinho”, o querido responsável local da Missão São Paulo), na qual ele dizia que Deus escolhe pessoas com capacidades e qualidades desproporcionalmente pequenas ao que vão realizar, porque de fato quem realiza é Deus! Nesse meu tempo de discernimento para partir em missão, contei com a ajuda de grandes santos amigos: Santa Teresinha, Santa Teresa de Ávila, São Francisco de Assis e São João Paulo II em especial, pois eu já tinha um grande carinho por ele antes de conhecer o Shalom. Lendo uma mensagem que ele passou durante a vigília da JMJ em Roma no ano 2000, as palavras deste santo me tocaram profundamente. E para não perder nada da grandeza da sua afirmação, coloco aqui o dizer dele: “Jovens de todos os continentes, não tenhais medo de ser os santos do novo milênio! Sede contemplativos e amantes da oração, coerentes com a vossa fé e generosos no serviço aos irmãos, membros vivos da Igreja e artífices de paz! (…) Na realidade, é Jesus quem buscais quando sonhais com a felicidade; é Ele quem vos espera, quando nada do que encontrais vos satisfaz; Ele é a beleza que tanto vos atrai; é Ele quem vos provoca com aquela sede de radicalidade que não vos deixa ceder a compromissos; é Ele quem vos impele a depor as máscaras que tornam a vida falsa; é Ele quem vos lê no coração as decisões mais verdadeiras que outros quereriam sufocar. É Jesus quem suscita em vós o desejo de fazer da vossa vida algo de grande, a vontade de seguir um ideal, a recusa de vos deixardes submergir pela mediocridade, a coragem de vos empenhardes, com humildade e perseverança, no aperfeiçoamento de vós próprios e da sociedade, tornando-a mais humana e fraterna”. E com um misto de dor e alegria, vivendo o mistério da cruz e ressurreição, embarco nessa aventura para a missão de Teresina, minha nova terra de missão, sonho de Deus para minha vida, na certeza de que Ele tudo fará pois Ele está no controle de tudo e cuida perfeitamente de cada detalhe. E tenho a certeza de que o sonho de Deus para minha vida me fará muito mais feliz do que eu posso imaginar! Ele sempre nos surpreende com o seu Infinito amor e misericórdia. Coragem, renúncia e disposição é Ele quem me dá a graça de viver, pois os meus passos são Dele. “Um coração inflamado por este amor tudo realiza, a tudo se dispõe.” (Escrito Amor Esponsal 11). Quero ainda com o meu coração cheio de desejo dizer: “Obrigada Senhor por me teres escolhido! Amém! **Valéria embarcou para a missão de Teresina no dia 14 de dezembro.

O Senhor interveio na minha história, desconstruindo ilusões e me dando novo rumo

Conheça a história de Paulo Henrique Moraes Araújo, missionário da Comunidade de Vida Shalom. Ele será ordenado sacerdote nesta quinta-feira (22/12), na Catedral Metropolitana de Fortaleza. Eu me chamo Paulo Henrique, tenho 37 anos, e sou o oitavo filho de uma família de nove irmãos. Quando nasci, meus pais moravam no pequeno município de Icatu, no interior do Maranhão. Aos sete anos, tive que ir morar na capital São Luís, por conta da separação dos meus pais. Foi a minha mãe, mulher de uma fé simples e muito viva, quem me levou a dar os primeiros passos na Igreja. Lembro-me de que sempre que ela ia à missa na Igreja perto da minha casa, levava-me consigo. Chamava-me a atenção, a amizade e o cuidado que ela tinha pelos sacerdotes. Desde muito cedo, passei a ter uma grande admiração por esta vocação, sobretudo porque eu tinha amigos sacerdotes muito santos. No entanto, não me identificava com o sacerdócio secular e nem com outras formas de vida religiosa. Mesmo sendo um jovem bastante engajado na Igreja, ainda trazia no meu coração uma grande inquietação acerca do chamado de Deus. Conheci, então, a Renovação Carismática Católica, levado por um amigo que passou a ser um grande instrumento de Deus na minha caminhada. Na Renovação, tive uma forte experiência com o amor de Deus e com o serviço na Igreja, porém, sentia como se ainda faltasse algo. Não era ainda aquilo que Deus queria para mim, sentia um grande desejo de me doar inteiramente a Deus. Em fevereiro de 2001, participei de um retiro de carnaval, promovido pela Comunidade Católica Shalom. Neste evento, tive o primeiro despertar vocacional. Em julho do mesmo ano, participei do Acampamento de Jovens Shalom em Pacajus (CE), onde tive fortes experiências de Deus, que me levaram a descobrir aquilo que tanto meu coração desejava e a tomar uma decisão: consagrar-me a Deus na Comunidade de Vida. Enfim, havia descoberto o meu lugar na Igreja, aquilo para o qual Deus havia me criado. Dentro da Comunidade de Vida, fui fazendo grandes descobertas e escolhas, uma delas foi o estado de vida. Pelo fato de sermos uma comunidade mista e possuirmos as três formas de vida (matrimônio, celibato e sacerdócio), estava aberto ao discernimento da vontade de Deus, apesar de ir percebendo sinais do chamado de Deus para o sacerdócio. No entanto, não tinha coragem de tomar uma decisão, pois meus sentimentos e planos pessoais de constituir uma família eram ainda muito fortes. Foi quando o Senhor interveio na minha história, desconstruindo algumas ilusões e me dando um novo rumo. Um fato marcante neste sentido foi o Fórum Carismático de 2005. Em dado momento de adoração motivado pelo fundador do Shalom, Moysés Azevedo, pude tomar uma decisão mais firme em vista do caminho para o sacerdócio. Esse foi um momento fundamental para começar a firmar os meus passos na vontade de Deus por meio do caminho para o seminário. Neste tempo, foi muito importante para um bom discernimento a presença da comunidade, o auxílio dos irmãos e o olhar misericordioso da Comunidade por meio das autoridades. No ano de 2015, terminei os meus estudos e a Comunidade confirmou o meu chamado. Bendito seja Deus por Sua escolha irrevogável e, por isso, posso dizer com o salmista: ‘Dai graças ao Senhor por que ele é bom, eterna é a sua misericórdia’ (Sl 135,1).

Antes do Acamp’s eu pensava que era realmente feliz

Chamo-me Ruyter Júnior, tenho 19 anos, e sou acadêmico de Direito. Antes do Acampamento de Jovens Shalom (Acamp’s) eu pensava que era realmente feliz, mas nós nos contentamos com a luz do fogo enquanto não conhecemos o Sol, pensamos estar bem mas existe mais para conhecermos, deixamos a beleza da vida passar e não abraçamos. Eu sou jovem e tive muitas dúvidas na vida, mas acreditava na minha felicidade e que eu estava completo, só que ao ter a experiência no Acamp’s percebi o quanto me faltava pra me preencher, e lá mesmo fui muito preenchido, muita coisa em mim mudou, foi inesquecível. Sempre fui católico, mas isso não me deixa mais limpo que os outros, na verdade a queda foi maior pois percebi que servia a Deus de forma errada. Recebi vários convites mas todos eu negava, e realmente sem esperar mais nada, dizia um ‘não’ bem seco, com a convicção de que não queria, estava longe de grupos e só ia às Missas. Minha alma sofria com isso, estava triste e algumas coisas na vida não faziam sentido, ela precisava daquilo, mas minha carne achava que não, minha carne gostava desse ócio e essa imaturidade, as vezes ficar deprimido pelo mínimo, pelo nada, e eu ficava confuso. No fim acabei dizendo sim, não poderia mais fugir, pois além dos convites, minha própria mãe havia me pedido pra ir. Eu não gostava de me divertir daquela forma, de festa e barulho, nem de gincana, e mesmo conhecendo muita gente, no começo ainda me sentia muito só, as vezes eu ria mas quando parava para pensar não me sentia tão feliz. Mas com o passar do tempo fui percebendo a presença de Deus, fui me abrindo, e o que que eu havia passado que me doía a carne não era mais nada, tudo saia com as lágrimas e a felicidade me cobria, como se dentro de mim as coisas fossem se completando. Poderia passar dias escrevendo mas minhas palavras não fariam justiça aos sentimentos de estar ao menos um minuto na presença de Deus. Lembro que na missa da primeira manhã me entreguei ao choro na homilia, o Padre contava a história de um menino, ‘feinho’, fraquinho e magrinho, que estava com medo de andar de bicicleta, mas o seu pai disse para ele olhar para frente e pedalar, isso diversas vezes, olha para frente e pedala, o menino estava com medo e o pai dizia o mesmo, olha para frente e pedala, e me vendo ali comecei a chorar e não parava, não lembro o porquê, mas chorei e as dores estavam passando, e soluçando como criança me entregava ao Pai e me encontrava mais uma vez com ele, foi lindo, um sentimento renovado, descobri o amor perfeito mais uma vez. Não foi o primeiro anúncio de Deus pra mim, mas foi o primeiro do Shalom, me encontrei de uma forma única com o Pai, pude sentir mais naquele carisma. Minha alma que entrou dando os últimos suspiros saiu feliz e cheia de amor e paz, ela ressuscitou pois não existia mais dor, ainda haviam cicatrizes, mas estava viva. Um final de semana e eu não era mais o mesmo as coisas no mundo ainda estavam do mesmo jeito mas eu estava diferente, estava bem, estava em paz. Depois dali ainda tive que lutar comigo mesmo para continuar, e no fim me decidi a estar sempre nesta paz com Deus, e graças a ele ainda estou, ainda vivo a felicidade ‘dos primeiros anúncios’ pois o Shalom do Pai ainda vive em mim. Estou em paz fazendo parte da Obra da Comunidade, e agradeço pelos que me convidaram e pelos que não desistiram de mim, não sabia onde estaria agora se o Senhor não houvesse agido neles também. Sou muito feliz, e se você que estiver lendo meu breve testemunho nunca passou por isso, espero que um dia sinta, é uma experiência incomparável, e uma alegria inexplicável. Mande o seu testemunho para redacao@comshalom.org

Na minha adolescência, o Senhor me visitou e me separou para Ele

Quando Deus escolhe alguém, Ele coloca este propósito no coração desde muito cedo. Conheça a história de Douglimar Estevam, missionário da Comunidade de Vida Shalom, que será ordenado sacerdote nesta quinta-feira (22). Tenho a alegria de partilhar um pouco sobre o chamado de Deus na minha vida. Nasci em uma família católica, não praticante, porém meus pais sempre incentivaram a fazer a primeira comunhão, por uma questão de tradição. Mais ou menos por volta dos 6 a 7 anos fui a minha paróquia sem a presença dos meus pais e me ajoelhei no último banco da Igreja e ali comecei a rezar e ter uma experiência de Deus. Lembro-me que foi tão forte que a minha expressão era: quero ser como aquele homem. Como aquele sacerdote que lá estava. Naquele momento estava acontecendo uma celebração eucarística, mas pela idade eu não compreendia o que estava acontecendo. Aos 10 anos fiz minha primeira comunhão, aos 14 tive minha experiência de efusão do Espírito Santo que mudou minha vida. Na minha adolescência o Senhor me visitou e me separou para Ele. Havia no meu coração um grande desejo já neste tempo de descobrir o que Deus queria para mim, mais no coração Dele já havia um plano muito além daquilo que eu imaginava. Ele me surpreendeu. Nesta época eu fazia parte da RCC, e o Senhor me fez conhecer a Comunidade Shalom através dos missionários que faziam missões de finais de semana em cidades que não tinha a comunidade, muito me chamou a atenção a radicalidade evangélica que eles pregavam e vivam, a vida comunitária, o ser Shalom deles encantava o meu coração e eu me identificava com eles. Logo percebi que o Senhor me chamava a essa magnífica vocação, percebi que esse era o plano de Deus para mim. Fui vocacionado por carta, e o Senhor ia confirmando a minha vocação. Em 1999 ingressei na Comunidade de Vida, descobri o tesouro que eu tanto desejava encontrar. O Senhor me fez Shalom para sempre. Hoje posso dizer que sou filho de Deus, Shalom, celibatário, seminarista, a caminho do sacerdócio, crendo que esta é a vontade de Deus para mim. Crendo no caminho que Deus foi realizando nestes anos de descoberta da sua vontade. Este ano por graça de Deus, no santo do jubileu da misericórdia receberei a ordenação diaconal e presbiteral. A misericórdia de Deus se estende de geração em geração…” (Lc 1,50) Sim, posso dizer como Nossa Senhora: “…o Todo-poderoso faz por mim grandes coisas: seu Nome é Santo. ” (Lc 1,49) E dos meus lábios só pode sair um grande louvor a Deus, mesmo pobre, mais é louvor, mesmo pequeno, mais é louvor, mesmo pecador, mais é louvor, louvor a Deus que escolhe vasos de argilas para manifestar o seu poder e a sua glória. Junto a esse louvor quero me unir em oração por cada um de vocês que sãos os nossos benfeitores, que acreditam nesta obra de Deus. Muito obrigado por cada um de vocês que ajuda na nossa formação. Que Deus abençoe e recompense tudo o que vocês na generosidade do coração fazem para que tudo isso se concretize. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Para sempre seja louvado! Douglimar Estevam da Silva Lucena  

Testemunhemos ao mundo a justiça de Deus

Se assumirmos nossas responsabilidades no mundo, cumpriremos a justiça de Deus   “Cumpri o dever e praticai a justiça, minha salvação está prestes a chegar e minha justiça não tardará a manifestar-se” (Isaías 56, 1). A liturgia que acompanhamos, neste tempo do Advento, traz para o dia de hoje duas palavras-chave: justiça e testemunho. Por quê? Porque Deus quer que testemunhemos para o mundo Sua justiça. E o que é a justiça de Deus? Se não procuramos ser justos e retos em tudo aquilo que fazemos, procuremos o que é justo. A primeira coisa fundamental, para que a justiça de Deus se cumpra é preciso cumprir nossos deveres e obrigações. Você sabe que todo mundo têm suas tarefas na vida; até nossas crianças têm, os pais ensinam as tarefas que elas precisam fazer. É difícil pensar numa criança que não aprende, desde pequena, a ter responsabilidades; a tarefa de arrumar sua cama, seu próprio quarto, a tarefa de ajudar a limpar a casa e assim por diante. É muito importante que seja assim, que nossas crianças aprendam, cresçam dessa forma, sabendo que, no mundo, todos nós temos responsabilidades! Se assumirmos nossas responsabilidades no mundo, estaremos cumprindo a justiça de Deus. O pai precisa ser pai, precisa cumprir suas obrigações de pai; o mesmo digo da mãe, do esposo, da esposa e até de mim, que sou padre. Cada um sabe que, no mundo, têm tarefas para realizar, obrigações a cumprir. Eu digo a você, que está no seu trabalho, onde quer que você esteja, saiba que ser justo é cumprir com suas responsabilidades, desde a hora em que você chega até a hora que você sai. Esse negócio de ficar matando serviço, enrolando, isso não é justo nem correto. Mesmo que os outros sejam injustos, não podemos justificar as coisas erradas que somos tentados a fazer ou que, muitas vezes, fazemos a partir do erro dos outros. O erro do outro já é uma injustiça, mas se somarmos nosso erro com o do outro, o erro ficará enorme demais. Não podemos ser coniventes, não podemos colaborar, não podemos corroborar com o erro que o outro pratica. Se não conseguirmos ser justos com os pobres, se as políticas governamentais e as ações deste mundo não conseguem cumprir o que precisam fazer com os outros, isso não justifica a nossa falta de caridade, de cuidado e atenção para com os pobres e necessitados. É muito importante que cada um de nós tenha consciência disso, não basta somente uma consciência religiosa: “Eu rezo muito! Sou temente a Deus! Eu vou à Missa! Eu cumpro minhas obrigações religiosas!”. Quem cumpre suas obrigações religiosas precisa fazer com mais zelo e presteza suas responsabilidades no mundo! Não justifica sermos irresponsáveis no trânsito, no trabalho e naquilo que nos é confiado. Testemunhar é, acima de tudo, cumprir com maior zelo o que nos é confiado. Esse é o testemunho que temos de dar ao mundo! Temos de fazer as obras que manifestam que Deus está em nós, e se queremos fazer obras, não pensemos somente em coisas grandiosas, não fiquemos só pensando em milagres e curas. O milagre que o mundo precisa é de pessoas responsáveis, corretas, honestas, justas naquilo que fazem. Todo mundo olha para a corrupção do mundo, mas ninguém quer olhar para a sua própria corrupção. Queremos olhar as coisas erradas que há no mundo, que são muitas!, não podemos fechar os olhos para elas, não podemos deixar de corrigir nossas injustiças de cada dia. Deus abençoe você! Canção Nova  

Deus sempre fala com você, em tudo Ele fala

“Descobri que desde o momento da fecundação já sentia medo e tristeza. Fui crescendo dentro de um útero cheio de águas barulhentas onde a atmosfera reduzida me prendia  ali naquele espaço. Até a adolescência dormia no cantinho da cama da minha avó, que não se deitava enquanto não terminasse de rezar os  seus terços. Apesar de ver meus pais todos os dias a presença dos meus avós era absoluta. Como não ser marcada por aquele “Dorme com Deus!” de todas as noites? Como não se lembrar da voz do meu avô quando me acordava antes do sol nascer dizendo: “Acorda menina, vamos perder a procissão da penitência!” todas as primeiras sextas-feiras do mês? Impossível não mencionar o olhar de minha avó cheio de lágrimas ao me ver indo para  o meu primeiro dia de aula. Apesar de guardar na memória esses acontecimentos, antes no momento em que foi vivenciado, a sensação daquela criança era de ter no peito um buraco ao ver que meu irmão tinha um lugar na casa de meus pais e eu não. E que quando a noite caía, eu não ia pra junto deles, isso mesmo que inconscientemente, aumentava um vazio dentro de mim, algo que poderia ser comparado a um buraco dentro do peito. A certa altura da vida perdi meus avós, minha mãe passou por uma doença terrível, meus pais se separaram, mudei de cidade, buscava amor e encontrava paixão. O buraco aumentava e a cada dia me distanciava mais da igreja e de toda aquela referencia que tinha vivido na infância.  Muito revoltada com meus tropeços resolvi mudar tudo na minha vida, começando pela religião. Católica desde o nascimento , quis mudar e escolhi , vejam só, a Comunidade Shalom.  Quando conheci a comunidade que era próxima ao ponto de ônibus que eu usava todos os dias, percebi umas pessoas diferentes e pensei que ali era uma igreja evangélica. Deus e suas “deusuras” na minha história! Hoje, tecendo o meu segundo Fio de Ouro, foi me revelado que o sopro que me acompanha desde quando era um feto se trata do Espírito Santo que me mantem viva, que aquela atmosfera que me envolvia era as mãos de Deus preservando a minha vida e que foi Cristo na hora do parto, que me colocou no colo de minha avó, para que ela me criasse na fé. Ah, o mais importante; aquele buraco. Pois bem, é necessário “vomitar” tudo que cresce dentro de nós e nos impede de viver os planos que Deus planejou para nós e pedir que Ele preencha esse espaço com amor; com o seu Amor verdadeiro. E quando tropeçar saiba que a estrada continua e que um tropeço sempre nos impulsiona à frente, basta você levantar a cabeça e olhar a quem te olha, pois Deus sempre fala com você, em tudo Ele fala. Neila Caputo, Filha de Deus, mulher, casada.” Neila Caputo foi uma das participantes do Tecendo Fio de Ouro no Shalom de Belo Horizonte, que acaba neste sábado, 17. Segundo os organizadores, “foi um tempo muito precioso  onde a Comunidade  conduziu os participantes a fazerem um verdadeiro encontro consigo mesmo e principalmente encontrar-se com Deus”.  

De roqueira punk, ativista e ateia, ela se tornou católica e… freira!

“Não tenho vergonha dos meus questionamentos, das minhas lutas internas, da minha procura pelo absoluto. Eu não joguei o meu passado no lixo” A irmã Theresa Aletheia Noble, hoje religiosa católica, foi ateia quando mais jovem. Ela pede a Deus que livre a Igreja do risco de virar um “clubinho para acostumados”, um círculo de “iniciados” que se julgam católicos mais pela rotina e pela inércia do que por uma convicção de coração, renovada conscientemente todos os dias, apesar das dúvidas e perplexidades que surgem o tempo todo no caminho das pessoas que sinceramente procuram a Verdade. Ela mesma conta a sua história: De roqueira punk a religiosa católica Quando eu era pequena, adorava ler novelas de aventura, tocar violino e escrever contos de fadas. Depois virei roqueira punk e ateia. Em seguida, resolvi adotar o estilo de vida vegetariano e me engajar como ativista dos direitos dos animais. Quando terminei a faculdade, fui dar aulas em bairros pobres. A seguir, trabalhei numa fazenda. Depois disso – milagre! – comecei a acreditar em Deus, em Jesus, e me tornei católica. Finalmente, para surpresa de todos (inclusive minha), me tornei religiosa. Quando ando agora pelas ruas vestindo o hábito de freira, alguns me veem como uma representação da Igreja-instituição; outros como alguém que vive à margem da sociedade; outros, ainda, como uma excêntrica; e outros, por fim, enxergam o amor. De certa forma, eu sou tudo isso. É como se o meu passado e o meu presente não estivessem numa fusão completa de um no outro. Alguns aspectos da minha vida se fundiram, sim, mas outros não. E, no fim, o resultado é um belo mosaico vivo! Eu me pergunto, de vez em quando, se o meu lugar é no grupo que eu chamo de “acostumados” da Igreja. Será que vou acabar virando uma fariseia? Será que já não sou assim, um pouco? Vou continuar a lutar com honestidade pela minha fé, encarando de frente as minhas dúvidas, ou vou fugir desse confronto sincero, preferindo buscar o conforto, o conformismo, a rotina, a facilidade e uma sensação (falsa) de bem-estar? Será que me ajusto mais ao comportamento das pessoas que estão ao meu redor ou ao comportamento de Cristo? Depois de renunciar à vida “mundana”, será que vou me tornar uma religiosa “medíocre”? Eu não joguei o meu passado no lixo Eu me considero uma “ex-ateia”, mas as coisas não são assim tão simplórias. De certa forma, estou sempre em sintonia com as várias facetas que a minha personalidade já pôde ter – e espero que isso não mude. A maioria das pessoas espera que eu sinta vergonha do meu passado. Mas a única coisa que me envergonha é o jeito que eu tinha de não amar a Deus e o meu próximo. Não tenho vergonha dos meus questionamentos, das minhas lutas internas, da minha procura pelo absoluto. Não tenho vergonha de ter um lado excêntrico e de ter batido a cabeça nessa busca, de ser um pouco estranha e rebelde. Eu não joguei o meu passado no lixo. O exemplo de São Paulo Eu acho importante que nós vejamos o nosso pecado da forma como Deus o vê. Ele conhece com precisão os defeitos que nos levaram a pecar, mas que, trabalhados pela abnegação, também se tornam as qualidades que nos santificarão. São Paulo, por exemplo, foi um fariseu dos mais zelosos, um perseguidor violento, um homem que observava as regras externas de forma rigorosíssima. Essas características, que o levaram a cometer muitos pecados em nome de Cristo, são também as que o levaram ao caminho da santidade. Cada um de nós tem dons únicos para fazer frutificar junto aos outros, no seio da Igreja… E, com frequência, é a partir dos aspectos mais surpreendentes da nossa personalidade que Deus faz brilharem esses talentos. Eu me flagrei, outro dia, fazendo essa oração um tanto estranha: “Senhor! Eu queria, antes, que me ajudasses a lutar contra a minha natureza cética. Agora eu quero outra coisa: conservar este ceticismo. Eu não quero uma fé fácil e simplória. Faz com que a minha fé seja audaciosa, impetuosa, plenamente assumida, mas faz também com que eu consiga entender aqueles que duvidam. Eu quero, a todo custo, me manter próxima daqueles que vivem à margem da Igreja, daqueles que não a entendem de jeito nenhum, daqueles que não pertencem ao círculo dos ‘costumeiros’, daqueles que duvidam, daqueles que procuram, dos excêntricos, dos que não se encaixam na sociedade. Livra-me, Senhor, de uma Igreja-clubinho, de uma Igreja de ‘acostumados’, confortavelmente acomodados nas suas certezas de rotina”. Fonte: Aleteia

De grande empresário ao sacerdócio

Este é o testemunho do Roberto Martínez Jiménez, nascido na Toluca, Estado do México: “Sou o mais novo de três irmãos, tenho 32 anos de idade; meus pais: Álvaro Martínez Monroy e María do Carmen Jiménez García. Durante os primeiros anos de minha vida, estive muito afastado das coisas de Deus, pois para minha família Ele não importava tanto. A única coisa que tínhamos que dar importância era ao trabalho, para poder seguir adiante. Desde pequeno trabalhava em uma mercearia para ajudar com os gastos da casa e para poder ir à escola. Nunca imaginei que existisse uma vocação na vida e que a felicidade estivesse no serviço a Deus! Ao completar 22 anos, os projetos que tinha planejado foram acontecendo: de empregado passei a ser dono do meu próprio negócio, meu desejo era criar uma cadeia de lojas. Ao longo de um ano já tinha o dinheiro suficiente para poder abrir outras sucursais. O desejo de me superar e a vontade de trabalhar me impulsionaram a seguir adiante. A empresa CERGEO me abriu as portas para ter um campo de trabalho mais amplo. Tinha uma vida planejada e estava disposto a formar uma família. Lembro que em um dia 18 de dezembro, justo nas estalagens, um amigo me convidou para um retiro, mas a princípio me neguei a participar. Conversamos um pouco e terminou por me convencer. Aquele retiro mudou minha vida, tanto que me aproximei do pároco Daniel Millán e lhe contei o que me passava. Comentei que tinha tanto desejo de ser como ele e perguntei o que era necessário para ser feliz, pois ele sempre se mostrava dessa maneira. Durante cinco meses, surgiu uma confusão em minha vida, tanto que alguns amigos que administravam propriedades nos Estados Unidos me ofereceram trabalho; as propostas e os lucros eram muito bons. Faltando três dias para a experiência vocacional, meu desejo de ser como o Pe. Daniel Millán parecia uma confusão, aproximei-me do padre e comentei que preferia ir para os Estados Unidos, já que não tinha conhecimento da vida sacerdotal, muito menos o que era o seminário. Convenceu-me a viver uma experiência vocacional, depois dessa experiência, apoiaria a decisão que tomasse. Foi uma semana que mudou meus projetos e me dava conta de que Deus me chamava. Os bens que durante minha vida tinha administrado, comecei a reparti-los com as pessoas que tinham necessidade; os negócios, dei de presente e comecei do zero. Foram momentos difíceis, momentos de dificuldade onde quis responder a esta vocação e poder fazer a vontade de Deus. Quero responder fielmente a este chamado pelo meu bem e da Igreja. Por isso, digo a Deus: “Senhor, em suas mãos ponho minha vida e, se me chama a ser sacerdote, dê-me a fortaleza para te amar com todo meu coração”. Fonte: Acidigital

Saia do Modo Automático

Meu nome é Michelle, tenho 28 anos de idade e faço parte da Igreja Católica desde que nasci. Vou as missas desde os 5 anos de idade, e assim que aprendi a ler passei a ajudar na liturgia. O tempo foi passando e eu continuei participando dos acontecimentos da minha paróquia, fiz catequese, crismei e aos 18 anos comecei a cantar nas missas e no grupo de oração. Aos 26 anos já era responsável pelo canto no grupo de orações da minha paróquia. Mas sabe quando as coisas acontecem como se estivessem em modo automático? Pois então, assim foram todos os meus dias dentro da igreja até o mês passado, quando conheci o carisma na Comunidade Shalom. Eu já tinha percebido que eu era uma cristã morna. Eu estava sempre presente em todos os acontecimentos na minha paróquia, mas não existia aquele fogo ardente no coração que faz com que a gente vá dormir pensando em voltar no dia seguinte, e no outro dia, e no outro e outro. Faltava alguma coisa! Foi quando recebi o convite de uma discípula da Comunidade Shalom para participar de um Seminário de Vida no Espírito, o seminário aconteceu dos dias 9 a 11 de novembro e eu nunca tinha experimentado nada do tipo. Em minha comunidade tivemos vários seminários nos grupos de orações, mas eu nunca havia sido tocada da maneira que fui nesse seminário. No primeiro dia eu sei que Deus falou comigo de uma forma tão particular, onde Ele dizia que minha procura, meu vazio, seria preenchido naquele lugar. E voltei no dia seguinte ansiosa e no outro da mesma forma,  passei a participar do grupo de oração todas as semanas desde então. Estou levando tudo o que aprendo para o grupo da minha paróquia,  tenho o entendimento de que Deus quer de mim a renovação da minha vida, uma obra nova. Ele quer fazer em mim e quer que eu faça no grupo de oração da minha paróquia uma obra maior ainda, um lugar que seja mais abençoado, vivo, uma verdadeira experiência com o carisma, uma verdadeira experiência de paz, uma experiência Shalom.    

Doar