Nossa primeira vocação é amar

O amor incondicional de Jesus por todos deve ser o alicerce de nossa resposta ao chamado de Deus Ao longo de nossa caminha, Deus vai nos chamando a ser, no mundo, um sinal de sua presença. E uma das maneiras de revelarmos o rosto d’Ele aos nossos irmãos acontece por meio da vivência de nossa vocação em sua plenitude. Não basta dizermos ‘sim’, se a vocação à qual formos chamados não nos ensinar a amar. Nenhuma vocação será plena em seu significado se não cumprir a sua primeira e principal missão: amar. Sem amor, toda e qualquer vocação será estéril e pobre. A riqueza de um chamado está na capacidade que ele nos dá de amar o outro e Deus, a cada dia, de um modo mais profundo e pleno. É conhecida a frase de Santa Teresinha do Menino Jesus: “Minha vocação é o amor”. Sim, na base de toda vocação estão impressas as marcas do amor de Cristo por cada um de nós. Esse amor incondicional de Jesus por todos deve ser o alicerce de nossa resposta ao chamado de Deus. Quanto mais amarmos, mais estaremos vivendo a nossa vocação. E talvez esse seja o nosso termômetro vocacional. Olhemos para nossa caminhada e nos perguntemos: minha vocação é um sinal vivo e concreto do amor de Cristo por mim? No meu dia a dia, eu procuro viver esse amor no contato com meus irmãos e irmãs? Fato é que não basta dizermos que Deus nos ama se não vivemos essa realidade em nossos gestos ou palavras. Amor não sobrevive de teorias, amor é ação colocada em prática no contexto da vida. Sem amor, nós nos desligamos da videira verdadeira, que é o Cristo Senhor. É sempre necessário voltarmos às fontes do amor de Cristo por nós. Com o tempo, corremos o risco de nos descuidarmos da fonte e começarmos a viver de acordo com nossas verdades. Abandonamos o essencial do chamado para nos prendermos ao periférico das teorias. Acabamos nos preocupando tanto com as coisas de Deus, que nos esquecemos d’Ele. Uma vocação somente será frutuosa se cuidarmos dela com amor e vivermos o nosso chamado no amor de Deus, fonte e origem de nossa existência. Quanto menos amor estiver injetado em nossa veia vocacional, menor será nossa solidariedade, paciência, misericórdia, acolhida e ternura com o outro. O amor é alimentado com as boas obras, com uma vida de intimidade com Jesus Cristo, com a vivência fecunda da Palavra de Deus, com uma vida eucarística e a certeza de que sem amor nossa vocação é apenas uma função a ser executada, mas não um chamado a ser vivenciado em sua essência. Um chamado vocacional está sempre ligado ao jeito que amaremos. O carisma de uma vocação é sempre o amor em primeiro lugar. Os meios que esse amor será colocado em prática são os caminhos para realizarmos esse carisma. O mundo necessita de pessoas que vivam sempre mais conscientes de sua vocação e amem em todo tempo e lugar. Só vai compreender a autenticidade da sua vocação aquele que cultivar no coração um amor incondicional por Jesus Cristo, presente em cada irmão e irmã.   Fonte: Canção Nova

O chamado de Deus em nossas vidas e como podemos melhor atendê-Lo

Agosto é o mês Vocacional. Iniciemos este mês refletindo sobre o chamado de Deus em nossas vidas e como podemos melhor atendê-Lo… “Parece-me mais do que é justo que a Igreja dedique o mês de agosto às vocações, entendidas como os vários “ministérios” que o Senhor quer infundir para o serviço ao Cristo presente em todos os membros da humanidade. Toda vocação é um chamado por parte de alguém. Deus é fonte de todas as vocações. Muitas vocações fracassam porque o ser humano acha que ele pode determinar a sua vida como bem pensar, mas na verdade quem vai orientando a vida é o mesmo Espírito Santo. É importante re-devolver ao ser humano o sentido verdadeiro de “vocação” como chamado por parte de Deus. Não há dúvida que a vida é o grande, maior dom que Deus pode fazer a alguém. É chamá-lo do “nada” e inseri-lo no mundo para que ele seja um sinal vivo do seu amor. Ninguém dá a vida a si mesmo, mas uma vez que recebe a vida ele deve ser capaz de cultivá-la, de amá-la e de transmiti-la aos demais. Parece-me que uma boa parte da confusão que se vê por aí deve-se ao fato que temos perdido de vista que somos enviados ao mundo não para dominar mas sim para amar, não para fazer dos outros “degraus” para subir, mas de mãos dadas construir um futuro que seja melhor e mais bonito. A cada pessoa cabe esta responsabilidade. O mês vocacional é o momento de Deus que nos questiona e pergunta: que você está fazendo neste mundo? Será que vai deixá-lo um pouco melhor do que quando você veio habitá-lo? Uma vocação não pode ser frustrada. A vida deve ser vivida com qualidade, com amor, com alegria. Deus, alegria infinita, nos quer felizes. Nenhum ser humano tem vocação para fazer o mal ou passar por aqui triste e abatido. Deus nos ama e o amor de Deus se espalha no mundo através do meu amor”.  Frei Patrício Sciadini

Vocação: Na dúvida?! Cave um pouco mais!

Muitas vezes em meio às lutas pensamos em desistir da vocação, da missão, do vocacional, enfim daquilo para que um dia, com tanta convicção, demos nosso sim. Acontece com todo mundo… vem aquele desânimo, alguma decepção e de repente estamos questionando: “será que aqui é realmente o meu lugar? Será que esta é a Vontade de Deus?” E, então, a pergunta que não cala: “O que fazer diante disso?” Minha sugestão é: Cave, cave um pouco mais! A esta hora você deve estar se perguntando o que tem a ver a sua dúvida com cavar; Cavar o quê? Então, vamos lá, vou te explicar. “O Reino dos Céus é também semelhante a um tesouro escondido num campo. Um homem o encontra, mas o esconde de novo. E, cheio de alegria, vai, vende tudo o que tem para comprar aquele campo” (Mt 13, 44). Não podemos nos enganar achando que foi fácil para este homem encontrar o tesouro… e tenho um segredo pra te contar: foi preciso cavar! Podemos achar que, em um passe de mágica, o homem encontrou o tesouro, mas precisamos ver nas entrelinhas. Esse homem procurava algo precioso, mesmo que não soubesse que era aquele tesouro, ele estava procurando algo. Assim, acontece conosco, estamos constantemente à procura de um tesouro, um tesouro que nos faça mais plenos, mais felizes, e este tesouro tem um nome: Vontade de Deus. Como dizia Santo Agostinho, “o nosso coração inquieto estará enquanto não repousar em Deus”. Estamos constantemente em busca, talvez até mesmo sem saber, estamos buscando, procurando algo, alguém por quem valha a pena deixar tudo. Quando experimentamos de Deus, então nos realizamos, nos sentimos apaixonados por um Amor que é muito maior que nós e então dizemos: “Sim! Eu desejo! Eu quero! Eu vou!” Mas, diante de nossas fraquezas e desafios, queremos ter de volta as nossas antigas seguranças. Medo, angústia, desânimo, frustação… Parece que tudo concorre para tomarmos essa decisão. Nossa paixão parece ter esfriado, os irmãos nos parecem cada vez mais fracos, as estruturas parecem ruir, nossas ilusões começam a cair e, de repente, nos vemos não mais no campo do Tesouro, mas em um deserto cheio de incertezas. Então, o que fazer? É tempo de recomeçar! Sim, mas não com velhos planos e soluções próprias, é tempo de aproveitar o deserto e deixar que no silêncio Deus fale. “Por isso a atrairei, a conduzirei ao deserto e lhe falarei ao coração”(Os 2,16). Estar no deserto não significa que tudo acabou, significa que preciso cavar um pouco mais. Significa que Deus quer me falar de um modo novo, o deserto é o lugar da intimidade, é para lá que o Senhor nos conduz, porque lá só temos a Ele. Então pare, respire, silencie. Pare de correr, respire a presença d’Ele, silencie e deixe que Ele te fale. Por palavras ou pelo silêncio, deixa que Ele te fale! E então verás que o deserto e o campo são um só lugar, que o Tesouro continua lá, que a voz d’Ele não muda, pois ‘permanece fiel quando somos infiéis’ (cf.2Tm2, 13b). E então verás que a Vontade d’Ele não muda e que, se permitires, será capaz de, pela Misericórdia, sustentar-te Aquele que por Misericórdia te elegeu. Então, deixa tudo e cava um pouco mais para reencontrar este Tesouro que se chama Vontade de Deus, pois “onde está o teu tesouro aí também está o teu coração” (Mt 6, 21).   Thalita

Arraiá da Paz, o arraiá dos meus sonhos

             No dia 1º de julho, a Comunidade Católica Shalom realizou o Arraiá da Paz, um dos  maiores eventos de evangelização da missão. A festa reuniu cerca de 500 pessoas, no Iate Clube Pajussara. A animação ficou por conta das atrações Fabi Mariah e Tarcy Monteiro e do trio pé de serra, Cheiro no Zóio, quadrilha improvisada e diversas comidas típicas.  Tivemos vários stands  como o P.J.J. – Projeto Juventude para Jesus, Artes, Providência – benfeitor, livraria e Convenção Shalom em Roma. As crianças também se divertiram com muitas brincadeiras, no espaço kids. E esse ano, o foco da evangelização foi o ‘atendimento’ pessoal, o  acolhimento pessoa a pessoa e de  forma inesperada, os xerifes abordavam o povo e levavam  para prender no “xilindró“, ambiente marcante do arraiá, onde aconteceu 04 seminários relâmpago até o final da festa. Segundo Marília Soares, missionária da comunidade de vida, foram alcançadas 100 pessoas, na prisão. “Foi interessante ver a eficácia de Deus agindo em minutos, alcançando o coração dos participantes, dando início a uma experiência com o amor de Deus, fazendo -os desejar  aprofundar- se nessa experiência. Foi só o começo. O Senhor tem muito para realizar na vida deles”, afirma Marília. Um dos participantes, Igor Rocha, pela primeira vez, no Arraiá da Paz disse como foi seu momento no xilindró: “Fui capturado para a prisão, me senti muito tocado, alguém rezou em mim, o que ele me falou, realmente, foi uma intercessão, eu estava triste, e saí do xilindró bastante confiante e emocionado pelo que escutei. A partir dali, passei a curtir a noite, estou adorando, arraiá muito organizado, diversificado, ótima música, só alegria, gente bonita, um evento para a família, um lugar que aconselho todo mundo ir“.   Clique aqui e veja as fotos do evento.  

Shalom 35 anos: o testemunho de um povo

Este testemunho não pertence a uma pessoa, mas a milhares. É a história de um povo miserável, que andava à sombra da morte e foi alcançado pelo choque da ressurreição de Cristo. É a história de um povo que a cada dia é banhado pelo sangue e pela água que jorra do lado aberto de Jesus. É a história de um povo que espalhados por todos os cantos do Brasil e do mundo desejam propagar a todo homem que sofre, que Cristo está vivo. É a história de um povo que encontra na Eucaristia o alimento essencial para a alma e a fonte para vencer as barreiras do mundo. É a história de um povo que descobriu que não se vive só, e que onde dois ou mais estiverem reunidos em Seu nome, Deus se faz presente. É a história de um povo que tem Maria como Porta do Céu, Rainha da Paz e Esposa do Espírito. É a história de um povo que enfrenta combates diários para dizer sim a Deus e que luta, a cada instante, para alcançar o seu maior objetivo: a santidade! É a história de um povo que encontrou em Deus o seu maior tesouro e que sabe que a amizade com Ele é a mais bela que pode existir e, por isso, busca fazê-Lo feliz. É a história de um povo que, mergulhado no mar da misericórdia de Deus, sabe que não há ferida que Deus não possa curar e não desiste de tocar as chagas da humanidade. É a história de um povo incansável que nasceu do Amor, por Amor e para o Amor. É a história de um povo que viu na cruz a fonte da vida e o sentido de toda a sua existência. Essa é a minha história. Essa é a história dos milhares de membros da Comunidade de Vida, Aliança e Obra Shalom. Essa é a sua história, que é alcançado de alguma forma pelo carisma Shalom, seja pela missa, rádio, tv, artes, redes sociais, portal, casas de promoção humana, etc. Essa é a nossa história. Essa é a história de um povo, que nasceu no coração de Deus e que ganhou expressão através da oferta de um jovem, que determinado pela evangelização e impulsionado pelo Espírito Santo, fez de um povo uma família, um só coração. Este é o testemunho de um só coração, inquieto, que há 35 anos deseja somente chegar no coração do homem e lhe anunciar: Shalom, a paz esteja convosco! Feliz 35 anos.

A alegria de experimentar o Amor

Faço uma breve partilha com vocês sobre a alegria de experimentar um amor pessoal, misericordioso, eterno, gratuito, constante e generoso: O Amor de Deus. Sou casada na igreja católica, porém separada há 15 anos. Tenho um filho com 18 anos de idade. A separação feriu bastante minha dignidade como mulher e também minha castidade, pois me envolvi em relacionamentos no intuito de me sentir amada e não me sentir só, mas nada preenchia o vazio que havia em mim, e Deus, que desde toda a eternidade me amou, ia me fazendo perceber que o relacionamento que eu vivia estava fora da vontade dEle. O desejo de Deus era que eu me aproximasse dEle, mas na minha incoerência, olhava para o meu pecado e me sentia extremamente indigna de me aproximar. Fui então me afastando cada vez mais da Igreja, dos Sacramentos, consequentemente de Deus e da Sua vontade. Mas Ele, que no seu desejo por mim, abraçou a cruz, sempre ia me atraindo. Em um momento de minha vida aquele relacionamento fazia com que eu me sentisse a pior das pecadoras, mas eu não tinha forças para romper; até que Deus interveio e o relacionamento chegou ao fim. Eu, mais ferida ainda, sentia-me cada dia mais só; minha vida não tinha um sentido próprio, faltava algo. Busquei no Santo Terço (até então a única maneira que sabia rezar), o consolo que precisava. Foi então que tive uma experiência com Jesus Cristo abandonado na cruz. Entendi que Ele sentia, sabia das minhas dores e podia curar as minhas feridas mais profundas. Mas como me relacionar com Ele? Eu não sabia… Deus me fez recordar de Paulo Lamenha, um amigo da comunidade. Pedi auxilio e ele me levou para uma oração e aconselhamento, onde Deus me falou que era preciso renascer da Água e do Espírito. Me engajei no grupo de oração, e no meu coração ardia o desejo de conhecer e me relacionar com Deus. Participei do curso de Formação Básica (FB) onde tive uma fortíssima experiência ao rezar com Gênesis 1,26, “FAÇAMOS o homem à NOSSA imagem e semelhança”. Me percebi imagem e semelhança da trindade, amada pessoalmente. A partir daí esse Amor foi me formando, curando as minhas feridas, me dando um Amor especial pela Eucaristia e já não tinha mais necessidade de nada nem de ninguém além da Pessoa de Jesus Cristo para ser feliz, para amar e ser amada. O Amor me ama! Isso me basta! Maravilhas fez em mim esse Amor! Hoje vivo a castidade, na certeza que o amor de Deus vem em auxílio de todas as minhas fraquezas e necessidades como mulher, como pessoa, como mãe. Procuro ser na minha família, no meu trabalho, sobretudo na vida do meu filho, testemunho de que é possível ser casta e fiel a Deus num mundo onde impera o prazer pelo prazer, onde o outro é visto como um objeto, onde se busca nas coisas e pessoas a felicidade que é uma Pessoa, que está dentro de nós. Hoje entendo as palavras de Jesus quando pergunta: “Que vale ao homem ganhar o mundo inteiro e perder sua vida?” E ainda: “Quem quiser ser meu discípulo renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga”. Hoje entendo porque Nossa Senhora e São José, mesmo tendo um ao outro, fizeram a livre e feliz escolha de serem todo de Deus. Luto com todas as forças para renunciar a minha carne e as minhas vontades, e desejo que o mundo conheça a verdade que me foi revelada por tamanha graça, amor e misericórdia de Deus que me amou primeiro. Segui orientação que recebi de buscar na Igreja a possibilidade da nulidade do meu matrimônio, em vista de um discernimento e reconciliação com minha história de vida, mas sempre abandonada na vontade de Deus e na certeza de que mesmo sem obtê-la, nada me separará do Seu Amor. Sou Elen, tenho 42 anos, Postulante de 1º ano da Comunidade de Aliança da Missão Maceió. Este testemunho faz parte das ações de junho em vista do curso É o tal namoro, saiba mais clicando aqui.

Entrevista com o missionário Breno André Dias, novo responsável pela missão São Paulo

  “Acredito que Deus tem grandes planos para essa missão, planos de expansão missionária, de expansão do carisma. Nós temos uma resposta para o homem de hoje, desse tempo, e quando saio pelas ruas de São Paulo, eu questiono sempre: Como evangelizar esses homens na loucura dessa cidade que não para, mas que tem sede de Deus?”   Essa entrevista com o missionário da Comunidade de Vida Breno André Dias traz essa e outras reflexões pertinentes.  O novo responsável pela missão São Paulo também conta sobre suas experiências espirituais mais marcantes, o chamado de Deus para a vocação Shalom, seus principais desafios enquanto missionário, bem como o discernimento de seu estado de vida e seu noivado. Vale a pena conferir. Até o fim.     Antes de tudo: Você era um jovem de oração? Quando ocorreu sua primeira experiência com Deus? Eu sou mineiro, de Governador Valadares, e, como boa parte do povo mineiro, fui educado numa família católica, em meio ao tradicionalismo mesmo, com toda essa questão da importância da missa dominical, da primeira eucaristia e da crisma. Só que a Igreja, para mim, era apenas essa missa de domingo. Eu não tinha outros vínculos, nada daquilo fazia brilhar meus olhos. Até que houve um tempo em que eu estava buscando mudar meus rumos, porque eu andava por caminhos que não geravam frutos. E então pedi a uma tia minha, que era da renovação carismática, que me levasse até alguém que pudesse orar por mim. Ela me levou a uma senhora que rezou por mim e começou a dizer coisas que somente eu sabia. Eu e Deus. Foi ali que tive minha primeira experiência com um Deus que é vivo e de um Deus que realmente me conhece. Eu percebi que a vida poderia ter novos horizontes. Eu tinha somente 13 anos e a partir dali comecei a ter novas perspectivas de vida.   E quando foi que você se aprofundou nessa experiência com Deus? Depois daquela primeira experiência, eu fui viver minha vida. Mudei as direções, mas ainda não era de frequentar igreja não. Eu estava com uns 17 anos quando comecei a namorar e essa namorada queria passar o carnaval em um retiro espiritual da Canção Nova. Relutei de início, mas nós fomos, e foi ali que tive minha segunda experiência com Deus, através dos sacramentos da confissão e da eucaristia. Acho muito interessante porque a confissão realmente me devolveu a mim mesmo, e na sequência, aquela eucaristia me levou a ouvir, pela primeira vez, a voz de Deus. Foi muito forte, eu realmente escutei a voz de Deus. Fiquei assustado também porque meus planos já estavam traçados, as minhas metas de vida definidas, e aquela Voz me pedia para mudar Tudo. E a única coisa que essa voz repetia era: meu filho, deixa tudo, e segue-me. Ali percebi que tudo aquilo que eu havia projetado em minha vida, tudo o que eu tinha colocado como metas na minha vida, eram para mim as minhas “riquezas” – o que mais tarde fui perceber a relação com a história do jovem rico, narrada na bíblia. Foi muito louco, né? Porque você vai a um retiro de carnaval, e daí você escuta uma voz. E essa voz começou a se repetir todas as vezes em que eu comungava. Era a mesma voz, o mesmo tom, e a mesma frase. Parecia uma loucura porque de repente aquilo que Deus pede é uma mudança radical nos planos. Era uma voz que me seduzia. Sabe uma voz que você gosta de escutar? Essa voz silenciava todas as coisas dentro de mim. Comecei a ir à missa todos os dias, para continuar ouvindo aquela voz. E por causa dessa voz, acabei com todos os meus projetos. Mesmo sem saber para qual caminho Deus iria me conduzir. Foi difícil, foi desafiante, abrir mão dos sonhos, e porque o processo de transformação foi ocorrendo com o tempo. Deixei também minha namorada e ingressei no Vocacional de uma comunidade, onde permaneci por dois anos. E de repente eu recebi a notícia de que eu não trazia traços daquele carisma. Eu me senti sem chão. Eu deixei tudo por causa de uma Voz, e nesse momento em que recebi uma negativa, eu pensei: meu Deus, e agora? Daí eu me lembro da minha avó dizer que iria rezar por mim, e a partir dali eu pensei comigo: Vou seguir minha vida. Já que não é esse o lugar, vou voltar para a faculdade, recomeçar em outra cidade, vou fazer outras coisas, e se Deus quiser, Ele me encontra pelo caminho. Ele é capaz de mudar a história do mundo, como diz São João da Cruz: Deus muda o ritmo do mundo para que a vontade dEle aconteça na nossa vida.   Agora você tem 10 anos de Comunidade Shalom. Sinal de que Deus te encontrou mesmo pelo caminho. Conta um pouco disso pra gente. Como você chegou ao Shalom? Com aquela nova mudança de rota, eu me mudei para Belo Horizonte. E um dia uma amiga me apresentou a dois irmãos da Comunidade Aliança, que, como bons shalomitas, imediatamente me convidaram para conhecer o Shalom. A minha primeira reação foi negativa. Eu não achava que seria bom recomeçar em uma nova comunidade, e também estava um pouco ferido com tudo isso. Eu não fui. Mas existia ainda uma inquietação dentro de mim: de fazer aquilo que Deus queria. Isso não silenciava dentro de mim. Perto da minha casa, tinha um Carmelo, e fui atrás de fazer um caminho de discernimento vocacional sério. Fiz uma experiência de três anos no Carmelo, sendo acompanhado por um frei, que me ajudou a ir abrindo cada vez mais meu coração a Deus. Até que um dia, eu estava no meu trabalho um tanto angustiado por não compreender o que Deus queria que eu fizesse da minha vida e recebi uma mensagem daquele irmão da Comunidade Aliança me convidando para um curso de autoconhecimento e cura interior – era o Fio

Hoje eu também quero rezar por você

Hoje quero testemunhar a minha primeira experiência com a intercessão de São José pela Providência Divina que mudou a minha vida. Eu conheci a Comunidade Católica Shalom através do “Café de São José” em 2012. Eu nem precisei participar, mas hoje eu sei que ele sabia da minha necessidade, e sua intercessão passou pela Luciana Barros, integrante da Obra da Missão Maceió, que ao me oferecer um ingresso me falou sobre a Comunidade. O que mais me chamou atenção no convite de Luciana foi o que ela me falou sobre o Shalom, que no Centro de Evangelização sempre haveria alguém para rezar por mim quando eu precisasse. Ainda hoje me emociono quando lembro de suas palavras. Na hora eu fiquei maravilhada, pois eu não sabia que existia um grupo de pessoas que rezava por outras. Sete meses depois, diante uma necessidade muito grande, eu lembrei de Luciana, da Comunidade, “da pessoa” que rezaria por mim e sedenta de Deus, como uma cristã sem muita maturidade e que não sabia rezar direito, procurei o Centro de Evangelização Shalom em Maceió. Deus tinha um tesouro para mim, e hoje posso ver concretamente as joias que já recebi desse tesouro e as que Ele ainda tem para me dar. Só na primeira visita Deus me deu o Seminário de Vida no Espírito Santo que ia acontecer já no próximo final de semana. As palavras que encheram meus olhos e que fez meu coração dizer, “Eu quero isso pra mim!”, foram: “Vida” e “Espírito Santo”. Aquilo inflou o meu peito e me fez suspirar como quem encontra um oásis, que saciaria a minha sede me dando o que eu precisava, vida nova, e realmente encontrei… o Amor. Descobri que eu tinha tido a experiência do encontro com Jesus Cristo, mas que só tinha encontrado, mas O tinha deixado, e que às vezes eu voltava e passava por Ele, acenava e ia embora de novo. Mas a experiência com o Seu Amor faz permanecer com Ele, e foi o que aconteceu comigo. Eu era de igreja, mas precisava conhecê-Lo mais e melhor para permanecer e aprender a levá-Lo aos que tinham necessidade dEle, mas não sabiam. Descobri a imensa alegria de anunciar Jesus, descobri o meu lugar, descobri que eu já tinha o carisma Shalom, mas não sabia onde estava concentrado de forma que eu pudesse desenvolver os dons que Deus me deu e me abrir aos que Ele ainda queria me dar. Aprendi a me relacionar com o Espírito Santo, descobrindo o Poder de Deus, que é o único que pode ir aonde nós não podemos, que desarruma a nossa vida para arrumar do jeito dEle, que transforma, cura, liberta, que nos ama, nos quer, luta por nós, que tem um zelo por nossas vidas e uma incrível paciência, e espera por nós sempre sem se cansar, sem desanimar. Aprendi a conversar com Ele, a ouví-Lo, a deixar que Se faça em mim. Eu sou muito feliz pela vocação que Deus me deu… Vocação Shalom. Sou muito feliz por ter descoberto a minha Igreja Católica e sua beleza. Venha fazer parte desta família, hoje eu também quero rezar por você! Meu nome é Sheyla Campos de Oliveira, tenho 42 anos, sou membro da Comunidade Católica Shalom como Discípula de segundo ano, rumo à Consagração como Comunidade de Aliança.”

Eu, o Tau e o mendigo

Em uma cidade enorme como São Paulo me chama a atenção que um simbolo tão pequeno chame tanto a atenção das pessoas que cruzam conosco por essas ruas e avenidas tão movimentadas e tão cheia de outros simbolos. Era segunda-feira, neo-discípulo, fui à missa em uma paróquia, pela primeira vez, usando meu tau. Era uma manhã fria. Voltava para casa. Eu em meu costume de prestar atenção em tudo o que me rodeia. Um mendigo caminha em minha direção e me pára. Segue-se um dos diálogos mais emblemáticos e ao mesmo tempo revelador para mim. – Me dá esse cordão com essa cruz. -Ih, negão este aqui não posso não. Mas providencio outro para ti. -Mas eu quero é esse. Esse teu. -Este não. E toca no sinal. E eu querendo evitar esse toque. Com medo de sujar, de contaminar com algo de sua falta de higiene. Passado mais de três horas do acontecido, viajando para São Luis do Maranhão, eu entendo que ele não sujou meu sinal. Ele o abençoou. Lembro neste exato momento de uma frase de Nikos Kazantzakis que em seu livro O pobre de Deus  diz que “as vezes, Jesus vem à terra disfarçado de mendigo”. Lembro de meu amigo Francisco com medo e asco do leproso. Eu, ainda, emotivo pelo ingresso no discipulado, me emociono só em pensar naquele e neste encontro. No diálogo que se estabeleceu entre aqueles homens e entre eu e esse mendigo. E me arrependo, ao relembrar da expressão de desejo que se estampou em seu rosto. Eu não o abracei. Poderia ter feito isso. Apenas pus as mãos em seus ombros e continuei: -Esta não é apenas uma cruz. É um tau. É o simbolo visível de uma vocação invisível. É de uma comunidade. -Mas eu quero. Ela é minha. Me dói seriamente não ter chamado ele para ir comigo no Shalom. -Meu irmão, quer algo para comer? -Não. Quero esse teu cordão. Escrevendo sobre isso a emoção toma conta de mim. Eu que estava com tanto medo de como me veriam usando o tau, de como seria tratado na faculdade por meus professores e colegas de turma. É para sentir vergonha, eu sei. Mas a vergonha cedeu seu lugar à alegria, porque esse mendigo veio me dizer o que nenhuma daquelas pessoas a quem eu confessara isso me disse: “esse tau é o sinal de Deus em tua vida. Ele te fará alguém melhor. Ele te levará ao encontro de Deus e de quem Ele quer que você evangelize. Ele te fará amar aqueles que ninguém ama, ele te fará perceber os invisíveis desta sociedade” É revelador para a minha vocação que na última reciclagem eu tenha  tirado como pessoas pelas eu devesse rezar justamente os moradores de rua. Que Deus é esse que vem nos lembrar do que esquecemos e é importante em nossas vidas? Quem me conhece sabe que sou teimoso. Que sou resistente. Sabe que eu tenho muito mais perguntas do que respostas. E quando penso em tantas perguntas uma certeza se faz: eu jamais terei respostas para muitas dessas perguntas, mas um dia, ao chegar diante de meu Senhor, Ele me dirá: senta-te aqui, sabe aquelas perguntas todas? Aqui estão as respostas. Mas enquanto este dia não chega, Ele com sua pedagogia fantástica vai respondendo algumas. E uma delas foi essa. Eu não dei o meu sinal a ele. Mas me decidi a ter sempre comigo algo que pudesse expressar o amor de Deus pela humanidade como Ele fez comigo. “Querido Deus, eu não sei aonde me levarás, mas ensine-me a ser teu sinal nesta cidade e aonde me enviares. Como meu santo do ano eu me abandono em ti e com a valentia de Francisco eu te suplico faze de mim o que quiseres. Estou aqui e diposto a tudo, desde que a tua vontade se faça em minha vida.” Jorge Marvão Neo-Discípulo/ Missão São Paulo    

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