Para qualquer lugar sou chamada a levar o Shalom!

Meu nome é Louise, sou postulante da comunidade de Aliança de Ponta Grossa (PR), e alcançada pela Divina Providência gerada pelos 35 anos da Comunidade Shalom. A peregrinação à Roma foi e ainda esta sendo fonte de abandono e confiança em Deus, que me envolve em um obra de pobreza e esvaziamento das minhas seguranças materiais e espirituais. Materialmente de forma mais concreta, por eu não ter condições financeiras. E certamente um dos momentos mais marcantes foi a Audiência com o Papa Francisco, que de forma muito simples e extremamente feliz nos acolhe, e também o fato de renovar a minha oferta de vida no coração da igreja aos pés do “Jovem” Papa. Apesar de ainda não ser consagrada, Deus foi me dando esta graça espiritual por provar e vivenciar na carne as alegrias, as dificuldades próprias de uma peregrinação e os frutos que são gerados por estas experiências de mais uma vez confirmar o meu chamado, meu ser Shalom, reavivando este desejo do Para Sempre em meu coração. Vivi muitas experiências com a providência, a misericórdia, a fraternidade e a evangelização, que me fizeram ter a certeza de que em todo o lugar, seja no Brasil ou em Roma, sou chamada a levar o Shalom do Pai, até os confins desta Terra.    

Florirá!

O Amor transfigura tudo é da um toque de infinito às coisas mais banais! Que Amor é esse? Ele se encontra comigo dia a dia com tamanha Misericórdia em meio às minhas misérias, vai no profundo do meu coração e preenche um lugar ao qual desconhecia, me molda como um vaso de argila nas mãos do Oleiro e faz-me diariamente uma Obra Nova que eu jamais pensei em ser. Sim! Eu tive uma experiência com o Ressuscitado, que ressuscita dentro de mim uma esperança extraordinária ao passar pela cruz diária, que me faz crer no invisível e no impossível na vivência de uma radicalidade ao qual mata o meu egoísmo por inteiro, para me ensinar que os meus planos e sonhos nunca me darão a felicidade que não passa, esperando o tempo para que tudo se cumpra debaixo do céu e experimentando de um Amor que me fere ao contemplar Sua Divindade, que toca na minha humanidade pequena, fraca, miserável e, mesmo assim, INSISTE em mim. É leve, livre, puro, simples, feliz, espontâneo, esplêndido, perfeito, extraordinário, não faltaria adjetivos para expressar o que esse Amor causou em mim, mas o Amor me explicou tudo… “Ele é, e basta”! Porque tão simples e complico tanto? Porque a minha humanidade ferida pela falta de amor no mundo, acha que sou “vítima” de um amor desvantajoso e, no entanto, é o meu egoísmo gritando e querendo me iludir que esse Amor me aprisiona do que eu sou, do que eu quero ser e do que tenho. E isso me faz quebrar a cara milhões de vezes, pois não importa aonde quer que eu me encontre, sempre me sentirei injustiçada e lutando por um vazio que nunca vai me preencher. Mas na verdade, esse Amor não me rouba nada, ao invés disso: Ele me apresente quem sou eu, me liberta de mim, descobrindo a liberdade interior. Tudo que sou e tenho é desse Amor. Eis a fonte e o fiador da minha liberdade, que ninguém pode usurpar. Me sinto como a jovem judia Etty Hillesum que foi morta pela perseguição nazista e deixou o relato: “Em mim há céus que se alastram tão vastos quanto o firmamento. Creio em Deus e creio no homem, sou uma mulher feliz e canto os louvores desta vida.” Este Amor não se aprisiona, muito menos se compra, na verdade me ensina o amor verdadeiro e, portanto, feliz: quando pessoas se dispõem livremente delas mesmas para dar-se uma a outra. Sim, é isso! DAR-SE, DOAR-SE, foi exatamente isso que o Amor fez por mim LIVREMENTE! Agora sim compreendi Santa Faustina em seu diário, “o Amor é um mistério que transfigura tudo o que toca, em coisas belas e agradáveis a Deus. O amor de Deus faz a alma livre. Ela é como uma rainha que não conhece o peso da escravidão”. Eu lutarei insistentemente, declararei guerra se preciso for, para no final poder dizer que O AMOR VENCEU sobre todas as minhas limitações, fraquezas, pecados. Vou gritar que o Amor me amou! Elaynne Marques Ribeiro, filha de Deus, vocacionada da Comunidade Católica Shalom e tudo o que Deus quiser! “Eu não posso me esquecer, que foi Você que me Amou, me olhou nos olhos e deu aquilo que me faltava: a esperança, Senhor! Cumprir a Tua Vontade e quando Você quiser … meu jardim florirá! “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a Tua Vontade” (Lc 1, 38), afinal não podia deixar de citar minha Mãe Maria, que tem grande participação na minha descoberta por este Amor, aquela que é Cheia de Graça, Bem Aventurada, exemplo de entrega e confiança, pura, serena, humilde, sacrário vivo do Filho. Em seu doce amor cuida tão bem de mim, me fazendo dócil à vontade de Deus mesmo na minha ingratidão de filha. Tudo para me ensinar a ser persistente à voz do Filho, me dizendo constantemente: “Fazei o que Ele vos disser”. (Lc 2, 5) Eis a consequência extraordinária desse Amor de Deus que florirá… Teu chamado, Tua vontade, minha entrega, minha felicidade! Shalom!                                                                                                               Elaynne Marques, vocacionada da missão Brasília

Promoção Humana é levar a esperança de uma nova vida

  “Senhor,tenho ardor missionário, conduza-me a terra, que tenha sede de Ti!”  Meu nome é Bruna, tenho 22 anos e sou desse ministério que tanto amo: Promoção Humana. Agradeço a Deus por esse “caminho de e para a felicidade” nesse tempo vocacional. Meu chamado a evangelização aos “pobres “começou na Infância e Adolescência Missionária, em 2009. Ao fazer as missões nas férias junto com Arquidiocese de Belo Horizonte para o interior de Minas,fui percebendo que eu tinha um chamado específico, mas que não conseguia dar nome. Meu coração queimava de alegria, ousadia e vivia cantando “quero anunciar para o mundo ouvir, que Jesus é o nosso Salvador”. Pedia a intercessão de  Santa Madre Teresa de Calcutá, pois a tinha e a tenho como modelo de gratuidade, de mulher que ama ao próximo como a si mesma. Ao iniciar o vocacional, ouvi falar de um grupo que fazia visitas em hospitais e logo me interessei.  Tive a graça de iniciar esse caminho e fui entendendo que era muito mais que isso.  Bendito Seja Deus! Hoje o ministério me sustenta e reafirma na minha vida a vocação Shalom. Sou alcançada em cada evangelização no hospital, no centro socioeducativo e no lar das idosas. Cada experiência é única e marcante. Percebo o quanto não sou nada, o quanto sou vaso de argila, pecadora, mas o Senhor me consola, como esta nos escritos Amor Esponsal: “Em seu infinito amor, o Pai quis escolher almas esposas, para o Seu Divino Filho. E para isso não escolheu, as melhores as mais belas, mas, a fim de manifestar a sua glória e o seu poder, resolveu escolher as mais pecadoras, as mais fracas, os vasos de argila, para aí realizar sua grande obra. Toda a glória pertence assim, Àquele que nelas tudo realizou”. Uma dessas experiências aconteceu no Centro Socioeducativo. Havíamos nos preparado para evangelizar em um pátio, mas ao chegar lá descobrimos que entraríamos nas celas. Na hora fiquei paralisada e tive receio de entrar. Um irmão do ministério me disse: “Está tudo bem? Você quer entrar?”. Eu respirei fundo e disse baixo: “Sim”. Ele me relembrou: “Deus nos chama a ir além Bruna”. Apesar da dificuldade humana, entrei e  lutei contra as minhas próprias vontades. Deus me fez compreender que não era eu que iria fazer algo, mas sim Ele. E que enquanto eu confiasse nas minhas próprias forças, eu iria afundar no mar do meu eu. Assim não teria espaço para Ele tudo fazer e tudo realizar. Por misericórdia Dele fui alcançada. O fruto muitas vezes não os vemos concretamente, mas Deus realiza. A Promoção Humana Shalom da missão de Belo Horizonte iniciou suas atividades de forma mais efetiva em 2010, porque  segundo Frederico Quintino, coordenador do ministério, as primeiras atividades da missão Shalom em Belo Horizonte foi com ações de  promoção humana, mas em  2010 criaram mais abrangência e foi se consolidando com o tempo e hoje tornou-se um ministério de Promoção Humana. O ministério é composto por aproximadamente 20 integrantes entre membros da comunidade e obra Shalom. Atualmente com o projeto “Mãe das Dores” promove ações de Promoção Humana em dois Centros Socioeducativos: o Centro Socioeducativo do Horto e Centro de Internação Provisória São Benedito. Todos os últimos domingos do mês alguns membros do ministério realiza visitas ao Hospital das Clinicas de Belo Horizonte e no Lar dos Idosos Santa Rita de Cassia. Frederico de Alencar Quitino, consagrado da comunidade de Aliança, participa a aproximadamente quatro anos da Promoção Humana da Comunidade Católica Shalom e atualmente como coordenador do ministério nos conta que para ele o ministério é uma experiência de salvação: “A Promoção Humana para mim é um ministério de salvação, onde eu posso tocar na vida das pessoas de forma concreta e levar a elas a esperança de um novo dia, de um novo amanhã, que a vida delas não termina naquela situação em que se encontram. Muitas vezes quando vamos às visitas no Hospital das Clínicas, esta esperança se dá na recuperação da saúde ou a esperança de uma vida eterna  no Céu. Quando nós fazemos as visitas nos centros socioeducativos a esperança é que ali onde aqueles jovens estão não é o fim da linha, não é o ultimo lugar onde eles vão parar e dali a vida deles vai ser condicionada conforme o local onde estão ou conforme o delito que eles cometeram. A vida deles pode ser recuperada e que existe um novo amanhã. A experiência da promoção humana que tenho é essa: Sempre acreditar que existe um novo dia, que Deus sempre vai nos dar um novo dia, um novo amanhã. Outra experiência por meio da Promoção Humana que venho vivendo neste tempo, é que assim como Jesus me acolhe nas minhas quedas e nas minhas fragilidades ele também acolhe e sempre irá acolher as pessoas que nós vamos visitar. Quando nós fizemos um retiro no inicio do ano, Deus falava que a misericórdia é para todos, que o céu é para todos. Na mesma forma que Deus sempre me acolhe com sua infinita misericórdia sempre vai acolher a eles também com sua infinita misericórdia”, disse.

Testemunho Fio de Ouro

Eu sou em Ti, tenha os olhos fixos em Mim e não temas Recentemente,a missão de Santo André realizou uma edição aberta do curso Tecendo o Fio de Ouro, ao longo de nove semanas e a administradora de empresa, Jacqueline Golin de 29 anos, participou dessa última edição e nos conta um pouco sobre como foi a sua experiência. “Dar esse testemunho hoje é ir ao encontro com uma das minhas milhares limitações e ao mesmo tempo tentar viver o que Deus tem sussurrado em meu ouvido com todo carinho e paciência: Eu sou em Ti, tenha os olhos fixos em Mim e não temas. Então, lá vou eu, com uma coragem que daqui para frente creio não ser só minha. Talvez você tenha interpretado que sofro de timidez, mas não, eu bem que gostaria de fazer parte desse time, mas o time que faço parte tem como bandeira um limite miserável. Eu sou do grupo dos Soberbos. Triste não é? Pois é, mas é ai que começa o que Deus tem feito EM mim, mas principalmente POR mim. Há praticamente um ano, Deus olhava para mim com a tristeza de um pai que vê uma filha destroçada e com fraturas expostas depois de despencar de um balanço, que há muito tempo passava de uma altura segura a uma criança. Sim, é como vejo o olhar de Deus sobre mim e é exatamente como me sinto hoje ao fazer memória de tudo que me aconteceu. Eu sempre fui audaciosa, tomada por uma coragem destemida e já no parquinho era possível ter uma ideia do que me tornaria quando chegasse a fase adulta. Lembro-me que quando criança eu sempre queria brincar nos brinquedos dos mais velhos, sempre pedia para meu pai me empurrar mais forte e, quando ele negava, eu ia brincar em um balanço distante de seus olhos só para ver o impulso que ele mesmo havia me ensinado a fazer com moderação, podia ganhar muito mais força e velocidade. E lá estava eu nas alturas, vendo coisas que do chão não via, sentindo o frio na barriga que o chão não me arrancava, sentindo superior às demais crianças, coisas que o chão não me oferecia. Sim, meus pezinhos costumavam ficam bem distantes do chão, afinal o chão me fazia sentir igual, e ser igual não tinha graça, não me garantiria o reconhecimento, o olhar de admiração. Eu queria levar minha irmã mais nova, os coleguinhas que se sentiam excluídos, e a grande verdade é que sempre tive certa paixão por quem não tinha o que eu entendia ser coragem e força, a qual eu nem questionava em mim, pois em mim transbordava. Fui crescendo e o cenário só mudou do parque, para a escola, faculdade, empresas, família e relacionamentos. Sempre busquei estar aonde poucos tinham coragem ou dedicação para estar, sempre ia falar com a professora que todos tinham medo, defendia quem ia apanhar na saída da escola, entrava na sala do chefe mandão e dizia que daquele jeito não ia dar certo, falava com a equipe da produção e maquinava uma forma para convencer os chefes a cederem, fazia as coisas fora das regras se isso fosse favorecer quem estava menos favorecido (ferrado).  Nunca tive problema em ajudar quem estava, a meu ver, pior que eu. O meu problema era quando eu encontrava alguém tão ou mais forte e audacioso do que eu. Havia uma briga pelo poder, não o material/financeiro, mas sim sentimental, o amoroso. Como tem alguém mais querido do que eu? Como fulano merece o mesmo amor do que eu? Como o outro tem a mesma prioridade ou tem mais prioridade do que eu e não faz o que faço? Ridículo? Sim, muito! – Vergonhoso? Sim, demais! E esse é somente um dos meus muitos limites.  Onde entra o Fio de Ouro? Entra quando eu finalmente caio do balanço e não só meus pés tocam o chão de forma violenta e desastrosa, mas sim toda a minha essência bondosa, toda a minha força, toda a minha coragem e vontade de viver. Entra quando Deus, por mão de alguns, coloca o osso exposto no lugar e mesmo com meu grito agudo de dor e de desespero, escolhe cuidar da perna machucada ao invés de atender meu insistente pedido de amputá-la. Entra quando já não corro o perigo de ficar sem andar, pois até nisso Ele se preocupou. Seduziu-me ao Seu coração, me concedeu Suas pernas enquanto as minhas estavam engessadas, cicatrizou meus ossos enquanto me suportava com paciência na minha murmuração injusta de colher o resultado do meu plantio, me mostrou a liberdade de confiar em Sua vontade ao me deixar fazer todo tipo de chantagem e birra sem mudar sequer uma vírgula das etapas do processo de cura que Ele já tinha preparado para mim. Agora, me vejo aqui diante de um livro de 580 páginas, como se tivesse diante de 580 sessões de fisioterapia intensiva, sabendo que Deus já restabeleceu meus tendões, eu só preciso ter a Coragem e a Força para largar minhas muletas de vez e praticar a verdade Dele em mim. A você que chegou até aqui, saiba que é muito bom te encontrar e poder te falar com toda a leveza do meu coração que somos todos iguais perante o Pai e que esse cuidado de Deus não é só privilégio meu… É teu também. Seja bem-vindo à Fisioterapia Intensiva #TAMOJUNTO” E então, se interessou e deseja embarcar nessa jornada também? Não tenha medo, pois Ele está contigo! Para se inscrever para a próxima edição do curso e obter mais informações, envie um e-mail para cursossantoandre@comshalom.org ou visite a nossa missão que está localizada na Rua Dom João VI, 102, Bairro Casa Branca, Santo André – SP. Entre os dias 6 e 10 de setembro, a missão de Santo André irá realizar na Associação Vicentina, em São Paulo, mais uma edição do curso Tecendo o Fio de Ouro – Itinerário para o autoconhecimento e a liberdade interior. O curso,

O dia em que fui visitar um presídio…

Me chamo Abigail, tenho 21 anos e sou vocacionada da Comunidade Católica Shalom em Brasília. E hoje venho contar uma experiência que tive através do meu ministério que é a Promoção Humana. Lembro-me de uma vez que falei para Deus que eu tinha muita vontade de conhecer um presídio, então eu esqueci que tinha falado e isso me mostrou como ELE vê e percebe tudo que há dentro de nós, no nosso íntimo, Ele nos conhece melhor do que nós mesmos, então foi quando eu menos esperava tive a oportunidade de ir e de mergulhar no amor Dele. E foi nesse momento que desejei fazer muito além do que somente existir, eu queria me sentir viva e o que me dava essa sensação de estar viva era servir ao outro. A promoção humana me salva e vejo como Deus me ama nesse ministério me fazendo experimentar do Cristo pobre, esquecido, marginalizado, aquele Cristo que ninguém se importa, mas Ele me deu essa graça de experimentar desse verdadeiro Amor que é dar e não receber e nem esperar nada em troca. Dia 05/08/2017 foi a primeira vez que eu fui a um presídio e não sei explicar ao certo o que aconteceu, mas só sei dizer que Deus estava lá, o Deus todo poderoso desceu do seu trono para vir ao encontro dos seus pequeninos, ELE que ao mesmo tempo é tão grande, tão poderoso se faz tão pequeno para nos amar. Quantas vidas tão novas, estão vivendo muitas vezes, sozinhos, sem amparo, e a carência deles é muito grande por um afago humano. Eu cheguei lá completamente insegura e nervosa e ficava perguntando para Deus como seria, o que aconteceria e no meu coração eu apenas sentia, confia e venha descobrir junto comigo, e eu não precisei fazer nada, somente me dispor a está lá com eles e para eles, cheguei cheia de preconceitos e Deus me desestruturou, nesse momento eu pude experimentar da minha miséria do quanto eu julgo sem perceber e quando reconheci isso pedi perdão e foi nesse momento que eu percebi para o que eu nasci! Minha vida teve um sentido naquele momento e o sentido estava em amar sem reservas. Tenho certeza que eu ganhei muito e como fui alcançada e moldada e foi como se as escamas tivessem caído dos meus olhos e pudesse sentir e olhar para o ressuscitado. Eu experimentei daquela sensação de sair de si mesmo para que Deus aja, sou grata á ELE pela Promoção Humana e grata pelos meus irmãos de ministério que se dispõe a dar seus corações por essas vidas, esse dia foi diferente, eu senti algo diferente e pude experimentar desse Amor puro, mesmo não merecendo. Se você tem a oportunidade de ajudar alguém, de rezar por alguém, faça, não esperando ser reconhecido, mas para experimentar da misericórdia de Deus.                                                                                                                                                                 Victoria Arruda

Fui em busca da minha vocação e encontrei o meu coração!

  Meu nome é Matheus, tenho 25 anos e sou da cidade de Montes Claros, Minas Gerais. Aos 14 anos tive minha primeira experiência com o amor de Deus no EAC (Encontro de Adolescentes com Cristo), mas só aos 16 anos me decidi verdadeiramente por este amor. Daquele momento em diante nunca mais deixei Cristo e a Igreja, mesmo com as quedas e os desafios da juventude, vivi tudo isso na presença de Deus. A música sempre esteve muito presente na minha vida e foi o instrumento usado por Deus para me alcançar. Lembro de cada música que marcou meus momentos junto do Senhor e as músicas da Comunidade Shalom sempre foram minhas preferidas, pois me tocavam de forma diferente, preenchiam meu coração e falavam exatamente o que eu gostaria de falar para Deus. Na minha cidade não tem missão do Shalom e nunca tive contato com o carisma da comunidade, a não ser pelas músicas e pregações em vídeo, entretanto, sempre amei muito a comunidade e, desde quando encontrei Jesus pela primeira vez, esse amor tem crescido cada dia mais. Há um tempo comecei a questionar o que Deus queria de mim, qual era minha vocação, pois a sede do meu coração só aumentava e o desejo de alçar um livre vôo crescia dentro de mim, um desejo de ser pleno, de ser todo de Deus, de ousar, de ir muito além do que eu estava vivendo. No início deste ano de 2017 fiz uma oração e falava para Deus que queria viver algo novo, que gostaria de ter uma virada radical na minha vida, pois mesmo estando na caminhada e fazendo a vontade Dele na minha missão, eu sentia que faltava algo. Todos meus amigos já percebiam sinais de uma vocação específica em mim e que eu possuía algo diferente, uma sede diferente. Em uma partilha com um grande amigo, ele me perguntou sobre meu chamado e questionou-me se não estaria despertando uma vocação em mim. Nesta oportunidade, me abri e falei da minha vontade de conhecer e passar um tempo na Comunidade Shalom. Fizemos uma aliança naquela noite e ele me fez prometer que eu iria correr atrás da vontade de Deus, que iria ligar para a Comunidade e ver a possibilidade de passar as últimas semanas das minhas férias no Shalom para que eu  pudesse discernir esse desejo em mim. Liguei para a missão mais próxima, o Shalom de Belo Horizonte, contei toda minha história e desejo de conhecer a comunidade, fui bem acolhido e eles me convidaram para a missão “Dê Suas Férias”. Imediatamente aceitei. Foi esse amor que me impulsionou a sair da minha cidade e ir até a missão de Belo Horizonte, a 440 km da minha cidade. Mesmo sem conhecer ninguém e, nem como de fato era a comunidade. Eu me lancei e confiei porque algo me dizia que iria viver uma grande experiência. E que experiência! Passamos uma semana na cidade de Raposos, próxima a Belo Horizonte, vivendo como comunidade de vida: manhãs de espiritualidade, tardes de evangelização e noites de convivência e partilhas. Tudo era muito novo para mim e tudo me tocava de forma profunda. As laudes, a espiritualidade, as formações, as partilhas com os membros da comunidade, o sinal… Que sinal lindo! Aquela comunidade que eu só conhecia de longe, agora estava ali, me permitindo mergulhar. Chegamos à cidade de Raposos no domingo e, na quarta feira, tive a graça de cantar com membros da comunidade na adoração e foi ali, aos pés de Jesus Eucarístico, o meu chamado. Sentia meu coração inflamado e encontrado, como uma peça que não se encaixava em qualquer lugar, mas que a partir daquele momento, se encontrava, assim eu me senti. Naquela noite, Deus mostrou o lugar que Ele sempre sonhou para mim e, de fato, o meu coração descansou por encontrar o seu lugar. Jesus falava comigo que Ele me queria bem próximo a Ele, que queria minha voz e vida só para Ele, por isso me permitiu servir na adoração. Minha musicalidade ganhava sentido naquela experiência de amor e misericórdia. Brotava no meu peito uma profunda gratidão por Ele ter me escolhido e, ainda mais, naquele Carisma de paz. Saí da adoração com a certeza que sou Shalom para sempre! Voltei para minha cidade com alegria de levar esse carisma para os meus. Alegria de voltar para minha faculdade, para minha vida aqui, mas com a certeza que meu coração ficou no Shalom e está ansioso para voltar. É preciso fechar um ciclo para inaugurar um novo. Hoje vou começar trilhar um novo em minha vida e estou muito feliz, pois sei onde está o meu coração, sei o que Deus quer de mim e isso me dá forças para caminhar e viver o tempo e a vontade de Deus. Ousei quando saí da minha cidade e fui para um lugar até então desconhecido e com pessoas desconhecidas em busca de respostas. Fui para um lugar onde eu só conhecia o Senhor, mas me bastava porque era Ele o meu tudo e o sentido que buscava para minha vida. Fui sem nada e voltei com tudo: amigos que ali eu fiz, os irmãos que ganhei, uma nova família e, o mais importante, o meu coração… Fui em busca da minha vocação e encontrei o meu coração! Quando fui recebido na casa masculina, um irmão da comunidade cantava uma música que eu nunca tinha ouvido para outro irmão em tom de brincadeira, mas se tornou a música da minha vida: “Se o teu coração não está mais aqui Se teu coração anseia por algo maior, do que o que te cerca Corre atrás do teu coração Há um personagem que aqui não serás Se a dor do mundo te inquietas melhor que tu vás Se é o que precisas, corre atrás do teu coração Vai procurar onde ele se encontra Pois onde ele estiver lá estará teu verdadeiro tesouro Lá estarás quem tu és Tenhas coragem de tentar Não tenhas

O grande legado da minha vó, fé.

Me chamo Luciana, hoje sou Discípula de primeiro ano da comunidade de aliança, e venho partilhar um pouco do que aprendi com a minha vó. Desde pequena ainda no carrinho minha vó sempre me levava às missas fielmente aos sábados e por muito tempo não compreendi, mas hoje percebo os traços da  intercessão de Nossa Senhora desde cedo; os anos se passaram, muito aconteceu nas nossas vidas, mas o relacionamento com minha vó sempre foi a constante pra mim, até que em 2015 nossa família recebeu um choque ao descobrir um câncer em minha vó. E mais uma vez, ela e sua maneira de lidar com a doença me deu, nos deu mais lições de como viver na adversidade, lidar com o amor fraterno e o relacionamento com os familiares. Recordo de um dia  marcante, (10/03/16 )  ela estava no hospital após de ter passado por uma cirurgia bem delicada, e eu estava bem inquieta, por quê no dia seguinte entraria em reciclagem e passaria 10 dias fora, estava sem saber o que fazer, porque sabia que saindo eu, o Senhor nada deixaria faltar em minha família. Foi quando mais uma vez minha vó me surpreende e me convida a rezar o terço; como sempre, ela meditava cada mistério e durante a meditação eu compreendi mais uma vez o cuidado de Maria para comigo, com a minha vocação e sempre pelas mãos doces da minha vó. Segui para Reciclagem, pensando muito nela, em como estaria, se melhorara, se piorara, até que a fidelidade  e a o amor do Senhor me constrangeram: uma sensação de conforto tomou meu coração com Sua Voz que dizia: apenas confie, Eu cuido de vós.  E sim, Ele cuidou e como cuidou! Ao meu retorno nada de grave havia acontecido. Passamos o ano de 2016 rezando o terço às quartas- feira, e como isso foi se tornando um cuidado de Deus para minha família, que por meio da doença minha vó me mostrou o Seu amor pela Virgem Maria. Ela se chamava Maria Ângela, e no fim de 2016 descobrimos outro câncer no mesmo local do anterior, não sabia o que fazer, mesmo sabendo que o Senhor sempre cuida de nós, nos sentimos impotentes. Nesta época eu já era postulante e, muitas vezes foram meus irmãos que me ajudaram a perceber o amor de Deus por mim.  Em março de 2017, foi necessário uma nova cirurgia de alto risco, ela  permaneceu na UTI, e tivemos que ser fortes, porque percebíamos que ela já estava bem fraca e nós abalados. No nosso último contato ela me disse: ‘Deus te faça feliz!’ , tratei de trazer essa frase pra vida ordinária. Minha vó faleceu no dia 8/03/17, dia das mulheres, o que pra mim demonstra a mulher guerreira que ela foi.  Enterrei minha vó no fim da tarde do dia 9/3 e no dia 10/3 pela manhã segui viagem para Aracaju, fazer reciclagem, foi uma decisão difícil, mas sabia que precisava ir, fui muito abraçada por Deus e lá vi a graça e a necessidade de estar com Ele. Hoje posso dizer, Deus me sustentou e sustenta. Minha vó muitas vezes não entendia a minha vocação, mas no fundo, no fundo eu sabia da sua felicidade. ” Pensar em uma pessoa que se ama é rezar por ela” já dizia Sta Teresinha. Então se a saudade aperta, eu rezo.

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