Entrevista: a história de um chamado

“Estou partindo para que o Espírito Santo venha com mais força e poder sobre vocês. E vou com alegria, para dar aquilo que Deus me deu: a verdadeira felicidade”. “Sou fã desse homem”. Ou: “Lenda viva”. Parece que esses costumam ser mesmo os primeiros comentários de qualquer pessoa que tenha tido a oportunidade de conhecer Messias Melo. Um homem cuja decisão por Deus e pelo caminho de santidade continua a influenciar e inspirar centenas de pessoas. Ele, que é um marco na evangelização e no crescimento da Comunidade Católica Shalom em São Paulo, deixa a cidade depois de 16 anos e parte em missão para Lisboa, em Portugal. Messias conversou com a gente sobre sua vocação, seus 33 anos na Comunidade Shalom, sobre o tempo vivido em São Paulo, e também suas descobertas sobre Deus, seus desafios e superações. Essa entrevista é a história de um chamado. Acompanhe. – Messias, você contou outro dia que costumava subir a uma montanha para rezar, muito antes de conhecer o Shalom. A pergunta é: Você sempre foi um jovem de oração? Quando começou a sua relação com a Igreja? Sempre tive o desejo de ter uma vida diferente. Minha família é muito católica. Eu morava no Ceará, então eu saía pelas praias, pelas dunas, e ficava me questionando: meu Deus, que imensidão, que oceano tão grande, por que você criou tudo isso? Então eu acho que, já ali, seria o começo de uma vida de oração. Um questionamento meu, das belezas de Deus. Aquilo me deixava em paz. E mais tarde eu fui descobrir melhor esse caminho, esse caminho de diálogo, esse estar com Deus. Mas tudo começou concretamente mesmo quando eu fiz o Seminário de Vida no Espírito Santo, e eu tive ali uma verdadeira experiência. Foi em 1979. O sacerdote rezou por todos que estavam lá, menos por mim, até que em certo momento me olhou profundamente nos olhos e perguntou se eu queria receber uma oração, eu fiquei em silêncio e ele orou por mim. A partir daquele dia, eu fiquei dois dias inteiros chorando. Chorava mesmo. No terceiro dia, senti um desejo profundo de orar. Eu levantava cedo, às 5h da manhã, caminhava até a praia, e ali, vendo o sol nascer, eu começava a conversar com Deus. Eu não sabia o que fazer, mas as palavras saíam de dentro de mim. Então acredito que naquele dia eu recebi um dom.  Foi reavivado dentro de mim uma vida profunda de oração. Eu comparo muito a vida de oração com o sol. Tem de nascer todos os dias, para iluminar a escuridão. Eu vejo a oração como essa grande luz, que vem sobre mim, que me ilumina nos momentos mais difíceis e me dá essa graça de caminhar sempre fiel na vontade de Deus. Desde aquela data, em 1979, eu nunca mais deixei de rezar um só dia.  Todos os dias, às 5h da manhã, eu estou ali com Deus para o nosso encontro. E como você chegou à Comunidade Shalom? Eu tinha um amigo, o Magno, e ele convidou muitas pessoas para irem na inauguração de uma lanchonete em Fortaleza. Essa inauguração, era a inauguração do Shalom. Estava todo mundo reunido, a gente morava próximo à praia, e ele nos convidou também, eu e minha namorada.  Nós fomos. Interessante que de todos que foram, apenas eu fiquei. Lá, naquela noite, o bispo deu a benção pela inauguração, e nós fomos informados que, ainda naquela noite, ali, começaria um grupo de oração, e eu fui para o grupo de oração. Eu fui a primeira ovelha do Shalom. Fazendo memória da sua história, houve um momento em sua vida que você teve uma experiência mais profunda de fé? Como aconteceu? O maior passo de fé que eu já dei na minha vida foi ter permanecido naquela lanchonete. Aquela noite foi muito impactante. De ver a vida de pessoas sendo transformadas e de ver que eu poderia viver do mesmo jeito. Eu não as conhecia, eu não sabia de nada sobre aquela realidade, e algo me impulsionou a me lançar. Eu abracei. Dei um passo no escuro, sem saber como seria. Esse foi o momento que me fez fiel até os dias de hoje. Deus te mandou algum sinal? Alguma confirmação? Não tenho explicação. Foi algo dentro de mim. Até hoje eu paro e penso: Por que foi que eu fiz isso? (risos). Porque tinha, sim, paróquia do meu lado, outros grupos de oração, eu era amigo de padre, era tão jovem, e de repente eu me decidi por algo que estava dentro de mim. Foi espiritual, eu me sentia chamado. E como aconteceu o seu chamado à Comunidade de Vida? Esse momento em que você decidiu deixar tudo, abandonar tudo, para viver inteiramente a sua vocação. Você comentou há pouco que tinha uma namorada… Foi dificílimo, porque, na verdade, quando dei esse passo, eu não sabia o que seria a Comunidade de Vida. Para falar a verdade, naquele início de tudo, eu nem cheguei a ser acompanhado, não existia, como hoje, encontros vocacionais específicos. Eu sabia que algumas pessoas eram acompanhadas pelo Moysés (fundador) e no final do ano mandavam carta pedindo ingresso. Eu me engajei no Shalom e o Moysés às vezes me perguntava: Quer mandar uma carta? E eu dizia: Não, eu já sou super engajado, me sinto bem. Mas no final eu mandei a carta, sem nem saber ao certo o que estava fazendo (risos). Eu fui um dos poucos que entrou naquele ano, o que me fez pensar, também, que certamente era a vontade de Deus. Eu acho isso tão legal. Porque, se eu parar para pensar, 33 anos de Shalom, e tudo nasceu como uma decisão de coração. Eu não planejei entrar, não planejei fazer esse caminho, eu só tinha o coração, eu disse: Senhor, eu vou. Seja o que o Deus quiser. E a gente, hoje em dia, pede tantas confirmações, não é mesmo? Na sua visão, o que é vocação? Como a gente

Meu coração foi compreendendo a vontade Dele

O vocacional a distância está chegando. E mais uma vez eu estou aqui, esperando em Deus mais uma oportunidade de me aproximar da comunidade Shalom. Me chamo Diogo Ricardo, moro em Ilhéus, conheci o Shalom na premiação do Troféu Louvemos de 2012. Lembro como se fosse hoje, meu coração sentiu um grande toque de alegria, ao ver aqueles três jovens do Missionário Shalom, cantando a música “conto contigo”. Ali se iniciava uma grande história de amor pelo carisma. Fui buscando saber quem eram, onde estavam e como fazer para me aproximar. Me encantei em cada musical que assisti, em cada evento que fui e cada música que ouvia. Mas, nunca tive a oportunidade de participar da obra, pois moro muito longe de qualquer missão. Ano passado, estava eu lá com o coração em brasas no vocacional aberto da missão Eunápolis, mas, Deus em sua sabedoria revelou que aquele não seria o tempo fecundo para que eu trilhasse o caminho da vocação Shalom. Meu coração ao tempo foi compreendendo a vontade Dele. Passei o ano inteiro refletindo e fazendo leituras mais profundas a respeito do carisma. Hoje eu espero o vocacional à distância. Compreendi que Deus em sua infinita bondade faz um convite especial para que eu mergulhe inteiramente nele. Vejo a possibilidade de trilhar um caminho de descoberta vocacional mesmo estando longe da obra. Que o Espirito Santo esteja com todos aquele, que no dia de hoje já se preparam para viver o vocacional aberto da Comunidade Shalom nesse ano de 2017. Shalom Diogo Pires

De enfermagem, a arte de cuidar, para missionário, a arte de ofertar!

Hoje, vivendo em um mundo dirigido pelo sucesso e pelas realizações materiais, é fácil esquecer que Deus não deseja tanto as nossas habilidades e sim a nossa vontade e o nosso querer que vem dá fé, vivi assim por 22 anos. O que para mim era fuga, para Deus era amor. Ele esperou todo esse tempo pra assim apresentar-se. E, diante de tantos olhares, esse fitou-me. Ninguém acreditava na força desse sentimento. Alguns apostavam ser por uma semana, outros diziam ser meses e, hoje, estou aqui em 2 anos e 7 meses que eu vivo essa linda história de amor. Ano passado desejei retribuir, dar mais um passo, com medo porque foram muitas as quedas até assumir pra mim que alguém me amava do jeito que sou. Fiz o vocacional aberto e desde então foi só felicidade, às vezes disfarçada de cruz, outras de ofertas e até de renúncias, tudo isso por amor onde Deus sempre vence! Existiu algumas dessas vezes que Ele fazia tudo, tudo mesmo. O ano ia passando e eu ia descobrindo que ainda existia mais e eu O conhecia pouco, escutei uma voz que me chamava a largar os meus barcos, ou seja , as minhas seguranças e eu decidi confiar. Foi ai que, no fim do ano, enviei carta pra CV e em seguida veio a resposta. Senhor do Bonfim-BA será minha nova terra e ainda cheia de medo eu digo sim, porque eu encontrei o que eu tanto buscava hoje eu deixo a minha família, os meus amigos, a enfermagem porque sei que terei mais lá no céu. Naira Harmônny, Jovem em Missão.

O Senhor me alcançou com sua misericórdia e deu-me um novo sentido para ser feliz

Sabe quando você corre atrás da sua própria felicidade e quanto mais você a busca, mas você se encontra na solidão? Meu nome é Robson de Oliveira Costa, tenho 27 anos e vou contar para vocês o que Deus me deu que nenhum ser humano foi capaz de oferecer: O seu amor. Eu sempre fiz parte da igreja Católica apostólica romana, porém participava contra a minha vontade. Não sabia do verdadeiro sentido da igreja, o porquê de acreditar nela e porque me entregar a um Deus que pra mim não sabia se realmente existia. Como o filho pródigo, depois de ocasionar propositalmente a minha expulsão da crisma quando pré adolescente, na primeira oportunidade que tive pedi a minha herança a Deus e fui conhecer o mundo. Participei de tribo punk e vivi uma das fases mais rebeldes da minha vida. Comecei a conhecer a bebida e diariamente buscava uma felicidade que me completasse em meio ao vazio do meu coração. Ainda não satisfeito, fui depositando a minha felicidade nas pessoas e me entregava em amizades e nos relacionamentos, o mundo sempre me presenteava com a decepção. Eu tinha em mente que a bebida era o maior motivo para minha felicidade e fora do efeito que ela tinha, também percebia que se tornava o grande motivo para a minha desilusão. Se eu estava triste, bebia para me alegrar. Se eu estivesse alegre, bebia para comemorar. Se eu tinha problemas, bebia para esquecê-los. Foi a partir dessas bebidas que eu comecei a me desconhecer como pessoa. Agia como não deveria, dava desgosto a minha mãe, e pra mim não importava o que as pessoas achavam, aquela era a minha maior diversão. Já que com os amigos, aquele refúgio saciava o meu coração. Depois de um tempo, comecei a passar por situações difíceis e cheguei até pedir a Deus de joelhos para me livrar de toda aflição. Comecei a perceber que eu estava vivendo uma felicidade passageira e comecei a pedir a Deus para me libertar daquela prisão. No ano de 2015 eu não sabia o verdadeiro sentido da quaresma, mas Deus deu o primeiro sinal de que me queria por perto na vida dele naquele momento. Durante uma noite, tive um pesadelo no qual eu me encontrava em uma estrada escura cercada de arames farpados e caminhava com um amigo em meio a escuridão. Quanto mais caminhava, mais eu ficava sozinho. De repente algo me segurava, tapava a minha boca e perfurava o meu coração. A dor que eu sentia não era só na alma, mas o meu corpo sentia o peso da solidão e do desespero naquele momento. Eu não tinha forças para acordar e nem para pedir ajuda, mas lembrei de minha avó assistia ao programa do Divino Pai Eterno e durante um desses programas o Padre chamava várias vezes o nome de Jesus. Comecei a chamar mentalmente e depois de três vezes, a minha boca relaxou e eu consegui acordar e depois de muito tempo sem conseguir rezar, essa foi a minha primeira oração. Um amigo do Shalom sempre me convidava para participar, eu achava bonito o sorriso daqueles jovens e me questionava o porquê deles serem tão felizes. Partilhei com ele sobre esse sonho e ele me aconselhou a me confessar e ir ao Shalom. No dia seguinte fui me confessar e o Padre me acolheu com um abraço e palavras tão confortantes, que naquele momento iniciei a busca da minha primeira tentativa conversão. À noite fui ao Shalom para esse amigo me aconselhar, logo depois da partilha ele me chamou para participar do grupo. Foi ali que durante a oração senti uma felicidade tão grande e na hora que uma das meninas veio orar em mim, Deus me dava uma primeira visualização: Eu caminhando em meio a escuridão e havia dois caminhos: Um estreito e outro largo. Comecei a caminhar pelo estreito e ele ia clareando, bem mais na frente eu visualizava Jesus me esperando de braços abertos e com um brilho intenso. Fui para casa feliz, mas ainda assim eu não sabia que seria fácil buscar a conversão! Na confissão que eu tinha feito, o padre me apresentou a oração do São Miguel Arcanjo e a partir dali, comecei a luta diária contra aqueles que me afastavam de Deus e da bebida. Depois de um tempo, algumas pessoas começaram a me criticar, falavam que eu estava com frescuras depois da igreja e brigavam porque eu não queria sair para beber. Eu não me importava, mas quando batia a tristeza e a solidão comecei a recorrer novamente a bebida. Poucos meses depois, comecei a me afastar do Shalom, conheci pessoas que me afastaram da igreja e de Deus novamente. Eram brigas em casas, desgosto na faculdade e falta de sorrisos no meu dia a dia. Eu tinha aquela sede de buscar a igreja novamente e o Shalom, mas não tinha forças. Quando foi no período de carnaval de 2016, passei por uma situação mais difícil ainda. Eu pedi de joelhos novamente uma mudança de vida a Deus, e ele me concedeu um livramento que eu sou eternamente grato até hoje. Pedi a ele em orações para ir para o retiro de carnaval, o Renascer, e confiei na providência da minha caminhada.  Comecei a frequentar o Shalom novamente, a igreja e me entreguei nas orações para conseguir dinheiro para ir para o Renascer. Todos me falavam da mudança de vida e como era bom, eu queria provar daquilo. Próximo o período de inscrição do Renascer, eu não tinha nada. Eis que minha mãe tinha um dinheiro para ir para o salão, mas percebeu o meu interesse pelo evento e me deu o dinheiro. São José providenciou a minha ida para o Renascer! Na mesma semana a minha mãe ganhou o dobro do que havia me dado. Deus com certeza estava agradecendo a ela pelo que tinha feito por mim. Fui para o Renascer, lá tive uma experiência incrível com o amor de Deus. Ele me dizia tantas

Eu sempre tive sede de algo que fosse eterno

Em um certo momento da minha vida foi inevitável pensar sobre o que eu realmente vim fazer no mundo, e acredito que isso passe na cabeça de todas as pessoas, principalmente na cabeça de quem é jovem. Pois é, me deparei com um turbilhão de pensamentos, sentimentos e obstáculos que, por algum tempo, me fizeram estar de olhos completamente fechados àquilo que realmente importava. Passei por lugares, sensações, momentos e pessoas que até me faziam feliz, mas feliz por um momento ou por um determinado tempo e o mais angustiante é que eu sempre tive sede de algo que fosse eterno, de algo que não passasse, que não terminasse depois de um momento… Custou muito para que eu encontrasse a felicidade que não é passageira, a felicidade que além de ser plena, é também eterna, uma felicidade que brota do coração, mas que ultrapassa todas as barreiras impostas. Até hoje, não sei ao certo como encontrei a Comunidade Católica Shalom, só sei que no coração de Deus esse encontro já estava selado há muito tempo, desde a eternidade… Como um bom estudante de direito (rs), gosto muito de ler e o meu primeiro contato com a Comunidade foi através de um dos livros da nossa cofundadora: “O segredo de Madalena – Itinerário do amor esponsal”, livro esse que me foi emprestado por um amigo e que depois da leitura, o meu coração tinha a necessidade, sim, a NECESSIDADE, de conhecer mais sobre esse tal de “amor esponsal”. Comecei a pesquisar sobre os autores do livro e me deparo com a Comunidade Shalom… Depois disso, não preciso mais explicar nada, não é? Mas mesmo assim, vale muito a pena dizer: eu não poderia ter encontrado melhor forma de ser amigo de Deus, de ter a experiência de sair de mim, de ter a possibilidade de tudo doar e nada mais reter pra mim mesmo, se não fosse na Comunidade Shalom. A minha vida mudou de uma forma extraordinária, e isso não significa que eu tenha tido apenas experiências surreais ou improváveis, mas experiências concretas e que me fizeram realmente decidir e escolher viver o que DEUS quer pra mim. Decidir pelo vocacional da Comunidade Shalom foi, e creio que sempre será, a minha melhor escolha, mesmo com todas as dificuldades que o caminho de uma vida consagrada apresenta, mesmo com as dores, mesmo com as quedas, eu sei que essa é a vontade de Deus pra minha vida e se Deus quer, eu também quero. Hoje, vivo o momento da espera com o desejo de ingressar na comunidade para continuar, mais profundamente, a fazer aquilo que eu hoje já faço, que é ser o feliz terceiro, o mais feliz por fazer os outros felizes, o menor que pela graça de Deus testemunha um amor tão grande a todos aqueles que são esquecidos e que ainda não tiveram a dimensão de que existe sim alguém que nos ama INCONDICIONALMENTE, o mais realizado por estar na vontade suprema de Deus e, na certeza de que a minha oferta de vida não é sucesso, mas sim martírio, estou disposto a abraçar este chamado com todas as suas bençãos e renúncias. É aqui o meu lugar, por que Deus, primeiramente, assim o quis. Venha fazer parte de uma alegria que não acaba JAMAIS. NÃO TENHA MEDO, VIDA MELHOR NÃO HÁ. SHALOM! Caio Rodrigues Postulante da Comunidade de Aliança Shalom Missão São Paulo (Perdizes)

“Vede como eles se amam”

“Para devolver alegria aos homens é preciso que nos permitamos experimentar da misericórdia de Deus, em unidade, fraternidade.” Linha vermelha do metrô. Estações cheias. É noite de carnaval.  Em meio à confusão de gentes – sim, no plural, porque são tantas fantasias, estilos e expressões que é impossível falar em um público homogêneo – ali no meio alguns jovens se destacam. É impressionante porque falam baixo, não chamam atenção pela voz, e menos ainda pela vestimenta. Mas ainda assim, possuem algo de diferente. Pouco a pouco, os transeuntes silenciam para observá-los. Esses amigos estão sorrindo, como tantos, mas esses têm olhares que revelam uma alegria peculiar. Dialogam com afeto, com empatia, e cada qual parece sorrir pela alegria do outro. O vagão está em silêncio. Algumas pessoas se aproximam mais. De onde eles são? De onde vem essa paz? Quem estiver atento a qualquer um dos observadores, será capaz de ver o que eles agora de certo modo já compreendem: “Vede como eles se amam”. O retiro de carnaval da Comunidade Católica Shalom “Reviver”, com o tema “Alegra-te”, reuniu centenas em São Paulo nos últimos três dias. Essa gente sabe, por experiência, que a alegria oferecida nas ruas é apenas anestesia. Não cura as feridas, e não permanece. “Jesus disse: ‘Encham as talhas’. É preciso nos enchermos do amor de Cristo se quisermos doá-lo aos outros. Vocês já ouviram aquele ditado: ninguém dá o que não tem. Para se encher desse amor, para alcançar as grandes graças, precisamos de fidelidade na vida de oração”, disse o frei dominicano José Almy Gomes na pregação do dia. A oração pessoal é um carvão aceso, vira brasa, explicou o frei. Se você mantém o carvão nessa temperatura e o leva a se unir com outras brasas, haverá um grande fogo. “Há quem pense ‘eu rezo sozinho e isso me basta’. Mas não por acaso o Pentecostes ocorreu em Comunidade. Não por acaso Paulo precisou entrar na Comunidade para voltar a enxergar. Há graças que Deus só nos concede em Comunidade, porque Ele quer que cresçamos juntos na fé”. Para devolver alegria aos homens, alegria verdadeira, esse “alegra-te” que vem do fogo ardente, é preciso que nos permitamos experimentar da misericórdia de Deus, em unidade, fraternidade. “É melhor a alegria de quem se esforça em viver em Comunidade, do que ser alegre sozinho”, concluiu frei Almy. Talhos cheios. Tão cheios que conseguimos compartilhar vinho com um vagão inteiro. Felizmente eu estava entre esses. Felizmente, eu era uma delas. Com esse brilho que silencia multidões. Brilho que transborda. Brilho que é reflexo de um Deus que se faz Homem, todos os dias, no meio de nós.   Salmo 133: Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união. É como o óleo precioso sobre a cabeça (…) Ali o Senhor ordena a benção e a vida para sempre. Marília Saveri Missão São Paulo – Perdizes  

O Santo Sepulcro e a Comunidade Shalom

Quando em agosto de 2016 Roneide, a Responsável Local da missão do Rio de Janeiro, atendeu o telefone, mesmo sendo um número desconhecido, ela não podia imaginar que aquela ligação seria a resposta de pelo menos três anos de oração do Conselho Local que buscava uma casa de retiros que pudesse ser da Comunidade. Do outro lado da linha Dr. José Humberto Resende queria saber quem era a pessoa que pudesse responder pela Comunidade Católica Shalom pois ele procurava há tempos uma comunidade, um movimento, uma expressão de trabalho da Igreja Católica a quem ele pudesse praticamente doar o Sítio do Santo Sudário de Jesus, da sua família, e tinham lhe dito que o perfil da Comunidade Shalom se encaixava perfeitamente no que ele procurava. A conversa foi curta e emocionada, pois, a providência divina havia feito acontecer o encontro de duas buscas, de duas necessidades que reconheceram de imediato a ação da graça de Deus: de um lado quem queria negociar praticamente a doação do sítio para quem o recebesse e dele cuidasse segundo a vontade de Deus, e do outro quem buscava um local para encontros e retiros onde a presença de Deus Nosso Senhor fosse o centro e o motivo de sua existência, onde muitos pudessem ser evangelizados. Por um lado a Comunidade Shalom representava o perfil de pessoas e de espiritualidade que o Dr. José Humberto buscava para cuidarem do sítio que desde o princípio foi concebido como local de oração e de encontro entre as pessoas e delas com Deus cujo nome é bem sugestivo: Sítio do Santo Sudário de Jesus. Inclusive várias missas foram celebradas no sítio e uma delas, de modo particular, marcou o coração dos presentes pois, nela, o próprio Cardeal D.Eugênio Sales, que presidia a celebração, profetizou que aquele o sítio seria um local de oração, de retiros onde a graça de Deus se manifestaria a muitos. Por outro lado, mesmo sem a princípio entender muito, a Roneide teve convicção interior vinda da fé, que o telefonema que estava recebendo era a resposta esperada, um grande presente surpresa da misericórdia divina. Ao conversarem, mesmo tomando conhecimento da não reserva financeira da missão, Dr. José Humberto percebeu, internamente, que a espiritualidade Shalom que adora o Senhor como o Ressuscitado que passou pela Cruz, entenderia, preservaria e perpetuaria o que ele havia sonhado e construído no sítio. Mais ainda, levaria à frente a presença do Ressuscitado ao rezar e cuidar de dois grandes tesouros que davam nome ao sítio: a capela feita em pedra, sem portas, aberta a todos e uma outra capela, também em pedra com precisão e exatidão de medidas, cópia de um sepulcro do tempo histórico da vida de Jesus na Galiléia, semelhante ao Santo Sepulcro onde Jesus foi depositado morto e onde Ele ressuscitou deixando o lençol de linho branco – o Santo Sudário – que envolvia o seu corpo. Esta é a capela do Santo Sudário. Além dela e da capela de pedras, aberta e sem portas, há também uma réplica da Casa de Maria, outro recanto muito propício à oração. E o Dr. José Humberto estava certo em sua intuição espiritual: ninguém melhor do que a Comunidade Católica Shalom para valorizar, usufruir e perpetuar o sítio. E a medida que ele foi conhecendo os membros da Comunidade de Vida, Roneide, Raquel, Raíssa, Pe. Jean, só para citar alguns e da Comunidade de Aliança, especialmente o casal Francisco e Fátima Epifânio, se havia qualquer sombra de dúvida, ela se dissipou. Roneide, por sua vez, mesmo recém acidentada e muito fragilizada física e emocionalmente, foi inundada de uma experiência forte com a misericórdia divina – estávamos no ano do Jubileu Extraordinário da Misericórdia – que de modo inesperado e totalmente desproporcional, dava à missão do Rio de Janeiro um presente muito além do que qualquer um poderia ter imaginado ou pedido ao Pai. Dr.José Humberto é um homem cheio de talentos, um grande amigo e servo do Senhor que O tem servido fielmente durante toda a vida em várias áreas de atuação, da medicina à colaboração extraordinária no estudo sobre o Santo Sudário (uma das razões de sua paixão pelo tema) junto à Santa Sé e perante o mundo científico, além de ser artista plástico, escritor, escultor, a lista é longa. Seu segredo está na vida de oração pessoal, intensa e diária, sacramental e na certeza de que os talentos recebidos devem ser multiplicados 100 por 1, porque essa é a vontade de Deus e quando se vive assim se é verdadeiramente humilde. E foi em oração, perguntando ao Senhor meses a fio que ele finalmente chegou à Comunidade Shalom, conheceu a  responsável local, e poucos dias depois alguns membros da Comunidade e em seu coração o sinal for dado: são eles que parcialmente herdarão e em outra parte adquirirão o sítio do Santo Sepulcro. Dr.José Humberto abriu mão da sua parte na herança do sítio, doando-a inteiramente à Comunidade e as outras duas partes, herança do filho e de sua esposa, a gentilíssima e amorosa D. Adelaide, foram negociadas para serem pagas em sete anos. Se diria que foi negócio de pai para filho, mas o mais justo é dizer: foi coisa do Pai do céu através de seu filho José Humberto e família, para os seus outros filhos da Comunidade Católica Shalom. Em tempos de crise econômica e de tantos vereditos sombrios nada mais enriquecedor para a fé do que ver e tocar a extraordinária ação da bondade de Deus para nós, para todos nós. O sítio é um primor de beleza e de bom gosto em cada recanto, árvore e flor plantada, nos móveis, na decoração e na disposição das casas. Para retiros menores ela já está em funcionamento e posso testemunhar pessoalmente que a célula comunitária da qual faço parte, célula Porta do Céu, cujos membros em sua maioria já fez promessas definitivas, foi fortemente visitada pela graça de Deus e renovada no amor esponsal ao sermos a primeira turma de consagrados da missão

O Renascer foi um despertar de Deus em minha vida

Meu nome é Karina dos Santos, tenho 21 anos e fui criada dentro da Igreja Católica. Participei durante sete anos do grupo Ágape e hoje estou na Obra Shalom. Fiz o Renascer em 2015 depois de ter visto um post no Facebook. Sempre no carnaval eu ia para o Rebanhão ou ficava em casa. Mas naquele ano algo me atraiu para participar do carnaval no Shalom, mesmo sem conhecer direito a Comunidade – minha prima já participava de um grupo de oração e eu sabia de algumas coisas por alto. Nessa época eu estava morna na minha vida de oração e tratava as coisas de Deus como rotina. Fazia muitos questionamentos sobre o que seria da minha vida quando acabassem as atividades no grupo que eu participava. Não me via em nenhuma pastoral e sentia que meu tempo ali estava acabando. Durante uma adoração no Renascer, Deus falou muito forte: meu coração se estremecia, era um sentimento de pertença, como se eu tivesse mesmo que estar ali. Eu saí daquele local, no último dia, com uma alegria que eu não sabia explicar. Ainda assim, fiquei meio relutante. Eu tinha acabado de assumir uma coordenação no meu grupo e não queria deixar as coisas pela metade. Em 2016 fiz o Acamp’s, entrei para um grupo de oração e, quando chegou o carnaval, lá estava eu novamente no Renascer, de novo na adoração, onde Deus confirmava o chamado feito no ano anterior. Eu não podia mais relutar. É como está nos Escritos da Comunidade: “É preciso ter consciência de que se precisa ser podado em seus galhos velhos, ou até naqueles aparentemente verdes, mas que não dão frutos, para assim produzir os verdadeiros frutos. E isto não é fácil. É árduo e difícil! Por isso precisamos da humildade e do desejo de nos deixarmos formar” Hoje, na Obra Shalom, participo do meu grupo, tenho ministério e nesse carnaval estarei em Santo André (SP) trabalhando no Reviver, para que mais pessoas tenham a experiência que eu tive. Shalom! .:: Saiba mais sobre o Renascer “Alegra-te” ::. Clique AQUI e veja as demais cidades que a Comunidade Shalom promove retiro de carnaval   Não Perca Tempo. Acesse Agora    

Eu apertei o botão REVIVER

Se me permite o caro leitor  (quem lê pensa que sou culto rsrs) gostaria de  começar essa pequena partilha com um trecho de uma música que me indentifica muito: “eu encontrei oque tanto buscava liberdade e segurança amor que nunca passa… Foram nos dias 15 16 e 17 de fevereiro de 2015 que eu apertei o botão REVIVER, revivi no amor e pude tocar na plenitude da felicidade. Um dia antes, fui em minha paróquia de origem, São Francisco de Assis dos Pequeninos, para a festa de carnaval que acontece todos os anos. Levei comigo a minha amiga  (na qual eu estava me relacionando na época); ela não era de nenhum movimento da igreja, porém, sempre disse a ela que nenhum relacionamento me tiraria da igreja novamente (mas esse já estava me afastando aos poucos). Fomos muito bem recebidos ao chegar lá, ela dançou pulou, porém a todo instantes algo me inquietava muito. Quando deu o intervalo, fomos para o lado de fora e lá, sem nunca ter comentado sobre isso, falei para ela que eu precisava encontrar o meu lugar na igreja e ela até brincou dizendo: “você quer ser padre?” Eu disse que não, pois nunca me senti chamado a isso. Voltamos para dentro e uma amiga, que hoje posso chamar até de anjo, chegou do nada e disse: “ei amanhã tem o retiro de carnaval, o Reviver, da Comunidade Shalom, vamos?”. Eu disse que não daria pois já tinha compromisso. O evento acabou, fui para casa, mas algo dentro de mim dizia para eu ir para esse retiro. Sem pensar duas vezes combinei com a galera e fui sem medo. chegando lá fui MEGAAAAAAA, isso mesmo, muito bem acolhido e principalmente amado. Eu queria saber de onde vinha tanta felicidade. Foi então que começou a peça de teatro da minha vida, onde no meu lugar se encontrava um rei chamado Macário. Ele tinha o poder de viajar no tempo e fazia isso para encontrar a felicidade, porém não a encontrava. Mas Deus, na sua maravilhosa dinâmica, dividiu a peça para os três dias. E eu, só tinha 20,00 reais para almoçar, ou seja, só iria um dia. Foi quando um amigo me chamou para almoçar com ele e pagou a minha comida; sem saber, estava eu ali sendo amado por Deus e experimentando da sua divina providência. No dia 16 estava eu lá com 20,00 reais e apaixonado pela comunidade. Já era de se esperar, o Rei não encontrou a felicidade. Estava ficando triste porque bem provalmente não iria no último dia pois não tinha dinheiro para comer. Mas, mais uma vez fui alcançado pela providência divina. No dia 17, o Rei e eu descobrimos que a verdade felicidade está dentro de nós e essa felicidade é Deus. No último dia você via corpos cansados, porém rostos extremamente radiante de felicidade. Daquele dia em diante passei a não desejar outra coisa se não essa felicidade que não acaba na quarta feira de cinzas, e queria, assim como eles, ofertar a minha juventude para que outros jovens possam sentir essa mesma alegria que eu sinto até hoje. Quem me conhece sabe que não estou mentindo. Posso dizer que eu mudei e mudei muito. Não me tornei santo, estou longe disso, mas dentro de mim cresce a cada dia a vontade de ser INTEIRAMENTE DE DEUS.  Depois de 2 anos, sou vocacionado da Comunidade Shalom com caminho para comunidade de vida. O eu posso mais fazer se não dar de graça aquilo que de Graça recebi de Deus? Por isso te convido: ALEGRA-TE  e permita Deus fazer uma virada de 180 graus em sua vida. Lucas Martins, vocacionado da Missão São Paulo da Comunidade Católica Shalom

No fundo eu só queria RENASCER e não sabia…

Eu conheci a comunidade Católica Shalom no RENASCER de 2016 e foi amor ao primeiro gesto do carisma. Desde minha experiência mais profunda com o Espírito Santo de Deus eu buscava algo que não sabia explicar, passei em vários Grupos de oração, andava de um lado para outro, sabia que Deus queria algo de mim, algo diferente do que estava vivendo, mas não conseguia encontrar… comecei a achar que estava louca e que eu buscava algo que não existia!!! Mas descobri que existia SIM aquilo que meu coração buscava e não era doideira minha, era o meu chamado. Eis que Deus me surpreendeu no RENASCER de 2016!!! Sempre via fotos da comunidade no Facebook e sentia uma enorme vontade de conhecer, mas sempre colocava a falta de tempo como um grande empecilho de conhecer a comunidade. Até que chegou o renascer e eu fui participar, acompanhando amigos e participando de tudo como sempre fazia em vários retiros e eventos… Mas no Renascer foi diferente de qualquer coisa, eu realmente Renasci para a verdadeira alegria, para o que Deus me criou, eu descobri que fui criada para o amor e não podia permitir morrer novamente, e tive a minha vida mais alegre e renovada. Ao chegar no local, as palmas os olhos nos olhos, o primeiro contato com o carisma me fez sentir amada por Deus e eu tive a verdadeira sensação de responder para o meu coração: ERA ISSO QUE EU PROCURAVA E NÃO SABIA!!! Me gerou uma imensa sensação de alegria, caminho certo e amor a Deus e de me sentir em casa, saber que Deus tinha um chamado para mim, e que ele tinha escolhido um lugar para eu caminhar, uma verdadeira via de salvação e ele me esperava exatamente ali para eu Renascer no caminho dele! Tive uma experiência tão forte de Amor com Deus, que decidi que não podia estacionar, eu que tanto tinha buscado uma direção a seguir e foi exatamente o que encontrei ali sem saber, e disse: SIM vou te segui, tua voz me conquistou! Disse sim ao Vocacional. E descobri que a minha alegria não iria “acabar” na quarta-feira de cinzas, minha vida ganhou um caminho de salvação ao lado do Ressuscitado que passou pela Cruz. Hoje eu sei qual é o meu Chamado, eu descobri que preciso gritar para o mundo todo que a Paz, o Shalom do Pai está dentro de cada um de nós, e quer renascer diariamente em nossas vidas!!! Eu poderia estar em qualquer lugar do mundo, fazendo qualquer outra coisa, curtindo o carnaval de outras mil diferentes formas… Mas Deus me criou para estar exatamente aqui, renascendo no amor, vivendo uma experiência de ver para que eu fui criada. Eu tenho um amor de Carnaval que não passa na quarta-feira de Cinzas, eu ganho diariamente presentes dEle, eu sou amada por Deus e Ele me presenteia com uma via de Salvação e Santidade Extremamente Feliz!!! Eu Renasci a primeira vez no renascer 2016, aprendi a renascer diariamente e descobri que a vida não acaba por aqui.   Angélica Campos, Vocacionada da Comunidade Shalom Missão de Vitória -ES.

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