Para um mundo ser construído outro mundo tem que desmoronar

Meu nome é Shirlei, tenho 26 anos. Vou contar um pouco de como foi o meu encontro pessoal com Jesus e como Ele me resgatou. Eu nasci em um berço católico, porém não praticante, meus pais não iam muito à igreja. Com 15 anos foi  quando comecei a fazer o Crisma e senti um desejo de participar mais das coisas da igreja e nesse período fundamos o primeiro grupo de jovens da minha paróquia no interior de São Paulo. Porém, eu sempre fui uma jovem muito rebelde, tudo tinha que ser do meu jeito, não aceitava ouvir não e por isso sempre brigava com meus coordenadores e me afastava da igreja. Mas Jesus com seu amor e cuidado sempre me trazia de volta. Com 21 anos eu participava da renovação carismática, mas sentia um vazio muito grande eu não me sentia feliz. Foi quando resolvi buscar minha felicidade no mundo, tive o meu primeiro contato com as drogas. Achava que tinha encontrado a minha felicidade, entrei direto na cocaína, foi tudo muito intenso, eu saia todos os dias, bebia muito, me drogava e estava amando tudo isso. Afastei completamente da igreja dos meus amigos da minha família. Com quatro meses de uso já estava no fundo do poço viciada, endividada, me encontrava na lama. Então foi quando resolvi contar para minha família, eles perderam o chão, senti e vi minha família desmoronar. Foi uma fase muito difícil, entrei em processo de recuperação e as coisas começaram a voltar para o lugar, mas voltei a sair escondido dos meus pais, a droga sempre falava mais alto. Até que decidi junto com meus pais procurar uma clínica de recuperação. Nessa clínica eu passei o período de nove meses e mais uma vez as coisas voltaram para seu devido lugar. Fiz o tratamento durante nove meses e a tão sonhada liberdade chegou, mas como é se deparar com tudo novamente? Com um mês na rua tive a minha primeira recaída e mais uma vez vi minha família desmoronar, para eles parecia o fim, não tinha mais saída. Mas Deus começou a agir, na verdade Ele nunca tinha nos abandonado, meus pais começaram a ir mais à igreja, começaram a buscar uma resposta em Deus. Eu estava cada vez mais no fundo do poço. Saia e bebia muito, me drogava e ao chegar em casa tentava tirar minha vida, me cortava porque eu sentia alívio na minha dor emocional quando via o sangue descer pelos meus braços. Não via mais saída. Deseja a morte todos os dias. Eu clamava a Deus: Por favor, me leva, pois não aguento mais esse sofrimento. Cheguei ao ponto do meu irmão comprar drogas pra eu usar em casa só para não me ver nas periferias. Eles não sabiam mais como me ajudar. Em certo dia eu estava assistindo o programa PHN, da Canção Nova, e escutava um testemunho muito forte, resolvi adicionar aquela moça no facebook e começamos uma amizade. Na mesma semana tive uma recaída muito forte, quase tive uma overdose e vi que não tinha mais jeito. Ou saia dali ou iria morrer. Mandei uma mensagem para aquela moça pedindo a ela, como que um pedido de socorro, e ela me respondeu no mesmo dia. Ela era do interior de Minas Gerais e me pediu para vir pra Belo Horizonte, porque ela iria me ajudar. Então aceitei aquele convite, pois na minha cidade não tinha mais o que fazer.  A partir desse dia Deus começou a escrever uma nova historia em minha vida. No dia 22 de Maio de 2014 cheguei a Belo Horizonte perdida sem rumo, morava com a minha irmã. Com um mês morando em BH comecei a trabalhar, voltei pra igreja e em Julho de 2014 essa amiga veio para o Shalom fazer o curso Tecendo o Fio de Ouro e fui até o Shalom para conhecê-la pessoalmente. Enquanto ela estava no curso, fui para capela e lá tinha algumas pessoas rezando. Questionava muito a Deus o porquê D’Ele me tirar de São Paulo, de perto da minha família. Porque Ele não me resgatou lá? Foi quando um menino veio rezar por mim e disse: “Jesus está te falando que precisou te tirar do meio dos seus para que você ouvisse a voz Dele. Porque lá você não estava conseguindo ouvir.” Ali eu senti os muros sendo derrubados para novos muros fossem construídos. A partir daquele dia comecei a frequentar o grupo de oração no Shalom, fiz o Seminário de Vida no Espirito Santo e encontrei o que tanto buscava, a minha felicidade. Em 2016 comecei a trilhar o caminho vocacional onde Deus foi selando Sua Vontade, Sua Escolha e Seu Senhorio na minha vida. Hoje pela graça de Deus sou postulante a Comunidade de Aliança na Comunidade Shalom, missão de Belo Horizonte, muito grata a Deus por ter me resgatado da morte e posso dizer com toda certeza: “Sou um milagre, renasci”.

A maternidade foi canal de cura, milagres e graças em nossas vidas

Desde criança sempre sonhei em ser mãe. Escolhi nomes, imaginei seus rostinhos…de como seria maravilhoso ouvir aquela linda voz me chamando de “mamãe”. Casei-me aos vinte e um anos, após sete anos de namoro. Foi um namoro vivido dentro da igreja, na juventude da renovação carismática. Tínhamos muitos planos e um deles era de sermos pais. Com quase cinco anos de casados o desejo da maternidade aumentou, nos sentíamos prontos. Logo engravidei, mas com trinta dias de gestação perdi o bebê. Foi muito doloroso e em minha imaturidade achava que não era digna de ser mãe (cegueira das dores). O médico tentou nos acalma, disse que era normal a primeira gestação não prosseguir devido a adaptação do corpo, rejeição do corpo a fetos defeituosos… essas justificativas frias, biológicas que não traz nenhum conforto ou amparo, mas conformismo. Após seis meses engravidei novamente! Fiquei radiante de felicidade, porém sentia dores abdominais e com isso a médica passou medicamentos para sustentar a gravidez e pediu para eu ficar alguns dias em repouso. Mesmo com todos esses cuidados perdi novamente o bebê com quase dois meses de gestação. Fiquei muito triste, mas nunca perdi a confiança em Deus e Nele encontrei conforto para seguir adiante. Meu esposo teve um papel muito importante nesse momento, pois sempre esteve ao meu lado, ouvindo minhas lamentações, sentindo minhas dores que também eram dele e assim conseguimos ficar mais fortes e seguir adiante. Engravidei pela terceira vez, dessa vez a gestação durou até os três meses e eu estava confiante que tudo daria certo. Fui fazer o ultrassom de rotina, mas durante o exame o médico viu que o coraçãozinho do meu bebê não batia a mais de uma semana. Fiquei em estado de choque, não conseguia me mover ou raciocinar. Depois de alguns minutos chorei descontroladamente, sentia-me perdida… foi a pior dor que sentir em minha vida. Minha ginecologista considerou suspeito esses abortos recorrentes e nos orientou a procurar um especialista em reprodução humana. Decidimos fazer uma Inseminação artificial. Procuramos nos confessar antes de iniciarmos o procedimento, pois necessitávamos da bênção e orientação da igreja. Iniciamos o procedimento a inseminação, mas na condição de não descartar e nem congelar nenhum óvulo, pois era vida e todas elas deveriam ser geradas. A inseminação não aconteceu, pois todos os óvulos não resistiram. O médico considerou incomum e pediu autorização para fazer biópsia em um dos óvulos. O exame identificou meu esposo possuía uma translocação genética onde os cromossomos tinham os braços trocados e por isso o bebê não conseguia passar de três meses, período crucial para sua formação. Diante de todos os acontecimentos e exames feitos, o médico geneticista sugeriu que eu fizesse inseminação com esperma doado, pois a possibilidade de eu gerar um filho naturalmente era mínima. Consideramos um absurdo a sugestão dele e decidimos rezar e pedir a Deus forças, algo que deveríamos ter feito desde o começo, pois eu estava agindo mais pelas minhas dores e inseguranças e com isso tomei muitas decisões erradas. Descobri em meio as dores o meu fechamento a adoção. Via-me fechada a vida e me questionei como eu queria ser mãe se eu não compreendia que meu amor deveria ir além do desejo de gestar? Que deveria ir ao simples desejo de amar, de ser mãe. Compreendi que o meu desejo era limitado, era egoísta e cheio de feridas. Pedi a Deus a graça de me abrir a vida, pedi sabedoria para compreender o mistério do amor incondicional da maternidade. Como fruto da oração Deus curou-me, abriu-me a vida e assim decidimos adotar. Em meio a todos esses acontecimentos Deus trouxe de volta ao nosso convívio nossa afilhada e sobrinha Ana Letícia que estava precisando de amor de mãe e pai. Nela depositamos todo amor que desejávamos dar a nossos filhos e acolhemos como nossa filha. No dia 13 de agosto de 2009 fui para uma missa de cura no Shalom da Paz e durante a adoração ao Santíssimo foi proclamado uma profecia: “Uma mulher que está lutando para ser mãe, Deus está olhando pra ti, Nossa Senhora está olhando por ti, assim como você agora olha para ela e nesse mesmo mês Deus dará teu filho.” Eu estava olhando para Nossa Senhora naquele momento pedindo a ela sabedoria e graça da maternidade. Tomei posse daquela graça e no dia 31 de agosto descobri que estava grávida. Eu fiz o exame só para protocolo, pois eu já tinha certeza. Meu esposo, muito cauteloso, sugeriu que esperássemos até depois de três meses para comunicarmos aos amigos e familiares, assim o fizemos. Por graça e milagre de Deus nosso filho estava crescendo dentro de mim sadio. Quando eu estava com quatro meses de gestação surgiu uma grávida de seis meses desejando doar seu filho para adoção. Naquele momento eu e meu esposo ficamos eufóricos de tanta felicidade e nos sentindo muito amados por Deus, pois a alguns meses não tínhamos nada, só dor e sofrimento e naquele momento estávamos com nossa primeira filha do coração, eu grávida do nosso filho, recebendo outro de coração e claro que nós dissemos sim ao nosso terceiro filho, pois nos sentíamos gratos a Deus. No dia que o bebê nasceu os familiares não deixaram a mãe dá-lo para adoção, foi um momento de dor e descoberta da misericórdia de Deus e ali eu vi que Ele só queria nosso sim aquela vida, Ele queria o meu sim a vida. João Vítor nasceu dia 18 de Maio de 2010, dia da natividade de São João Paulo II, por isso o demos o nome “João”. O médico pediu que eu não tentasse engravidar novamente, pois eu havia passado por vários abortos, curetagens e ele tinha receio que eu passasse por tudo novamente. Quando João Vítor tinha cinco meses engravidei da Mariana (nome escolhido como entrega e consagração a Santa Ana e Nossa Senhora). Deus fez uma transformação em nossas vidas, curou-me de muitas feridas que nem eu mesma sabia que tinha, abriu-me a vida, fortificou nosso matrimônio,

É impossível resistir a esse amor tão grande

O ano vocacional em minha vida foi um tempo de graça, pois pude experimentar a grande e infinita misericórdia de Deus; onde Ele se derrama para aqueles que tanto amam. Senti-me muito amada por Deus, porque mesmos diante de tantas fragilidades, pecados, quedas, sua misericórdia infinita me alcançou. Não poderia mais fugir desse amor, como tantas vezes fiz, mas os passos de Deus e do seu amor foram maiores me alcançou e venceu. Não foi não é fácil ser um vocacionado, mas alegria maior não pode existir. Quando hoje olho minha vida, vejo esse verdadeiro amor de Deus. Ele me permitiu realizar vários anseios do meu coração; ter uma formatura, me casado e tantas outras coisas , só que nada disso pode preencher e superar a sede e o vazio que existia , dando um verdadeiro sentindo a minha vida como é o meu chamado a ama-Lo e servi-Lo. Foi assim, ao convite de uma amiga que acendeu mais uma vez a chama que estava escondida no meu coração, o que Deus tinha reservado a meu respeito: o ser Shalom. A partir dai tudo começou o primeiro plantão vocacional e depois a espera ansiosa se seria ou não vontade de Deus fazer o vocacional, diante de todos aqueles requisitos que eu estava tão distante. Meu Deus será que faço o vocacional?  Recebido o sim de que daria mais um passo só pôde agradecer a Deus por sua infinita bondade e amor por mim. E assim foi dado inicio a um ano de muitas batalhas, lutas contra eu mesma, mas na certeza que era isso que Deus me chamava a viver. Em cada encontro era fortalecida pelo amor dos meus irmãos e seus testemunhos. Sei que não termina por aqui, é apenas o começo do que Deus tem a realizar em minha vida. Sou grata por sua eleição, chamado de amor e cuidado. Pois “O Pai em sei infinito amor resolveu escolher a mais pecadora, a mais fraca o vaso de argila para ir realizar sua grande obra”. Meu coração se alegra e deseja corresponder esse chamado de e para felicidade, pois sei que a Comunidade Católica Shalom é a via que Deus escolheu para que eu possa está mais perto Dele para ama-lo e servi-lo. Impossível não dar o meu sim e resistir esse amor tão grande. Aqui estou para ser discípulo teu. Sou feliz, sou Shalom!                                                                                                                            Ariana Oliveira                                                               Postulante da Comunidade de Aliança Shalom

Quanto tempo vale a pena esperar pelo amor?

“Sim, eu conheço os desígnios que formei a vosso respeito – oráculo do Senhor -, desígnios de paz e não de desgraça, para vos dar um futuro e uma esperança’’ (Jeremias 29, 11)  No coração de Deus, existem sonhos para cada um de nós e, na vida, são justamente eles que geram a esperança e, mais que isso, a alegria na espera do bem que está por vir. Quantos são os sonhos que guardamos em nosso coração! Conhecer países, ter uma carreira de sucesso, formar-se no curso que se ama, escrever um livro, deixar um legado para o mundo, encontrar um grande amor, ter uma família…. Interessante notar que a maioria dos sonhos cultivados ao longo da nossa história dependem, em algum nível, do nosso comprometimento, esforço e dedicação para sua realização, entretanto, o sonho de encontrar um grande amor foge a essa regra. Não depende do esforço em uma busca frenética pelo parceiro ideal; tampouco ajuda comprometer-se com uma receita mágica para atrair a pessoa amada. Para que aconteça o encontro com o amor, parece óbvio, mas é necessário deixar o Amor agir. Confiança, abandono, paciência e entrega a Deus são as estratégias que dispomos para realização desse sonho. Foi em 2012, após alguns relacionamentos superficiais, que descobri o caminho para a realização do grande sonho de encontrar a pessoa certa para construir uma família. Esse caminho de confiança em Deus se tornava concreto por meio da oração. Na oração, entendi que, para enamorar-me de alguém, primeiro deveria enamorar-me de Deus, comprometer-me com Ele, experimentar de Sua ternura, de Sua fidelidade, de Seu cuidado, de Sua amizade, de Suas gentilezas e delicadezas expressas diariamente no ordinário de minha vida. E nesse ponto pode surgir uma pergunta: qual importância do enamorar-se de Deus para a realização do sonho de viver um grande amor? Bem, ninguém melhor que o Amor para nos ensinar o que é verdadeiramente amar. No relacionamento com Deus, fui aprendendo a ter os novos parâmetros, a ter critérios justos , a perceber os valores que são essenciais para mim e a viver a deliciosa contradição do amor que dá segurança, mas que deixa livre, do amor que cuida, mas que, também, envia o outro ao mundo como um dom. Nesse processo de intimidade com Deus, as mentalidades distorcidas sobre o amor como: ciúmes, apego, fechamento no casal e dependência foram sendo descontruídas porque, a cada dia, eu provava do amor verdadeiro em Cristo que sempre deixa livre e gera paz. Não é raro ouvir alguém dizer: ‘’eu tenho o ‘dedo podre’ para escolher namorado(a)”, isso porque, ao longo da vida, escolheu pessoas que lançavam sobre ele “seus lixos”, aquilo que havia de tóxico, deixando profundas feridas na auto-estima daquele que era usado como “terreno baldio”. Entretanto, quando nos abrimos a Deus, Ele escreve em nós Sua assinatura e quem nos olha passa a ver o limite: ‘’não posso fazer o que bem entendo com essa pessoa, ela é diferente’’, mesmo que não identifique o que há de diferente, ela intui, sente, percebe, ilumina-se com esta verdade: não posso violar a dignidade dessa pessoa. O reflexo do sagrado passa a ser revelado em nós. Quando nos decidimos pela vida de oração, aprendemos que o tesouro mais precioso que podemos oferecer a alguém não é o nosso corpo ou os nossos sentimentos, embora sejam valiosíssimos, mas a experiência com o Senhor: aquele detalhe de Deus que só eu terei acesso (porque seu amor é pessoal) e que, portanto, só eu posso comunicar. Este é o tesouro que pode atrair o olhar do seu amor a você. Como sei disso? No dia 28 de abril de 2016, após quatro anos de um profundo e radical enamoramento por Deus, conheci, dentro da vocação a qual Deus me chamou, o homem que percebeu a voz de Deus a me apresentar a ele, que se decidiu por mim e que hoje vive um  namoro santo ao meu lado. Experimentamos, desse modo, o cumprimento da promessa de Deus que tem nos surpreendido e não se deixa vencer em generosidade: “Os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, tudo o que Deus preparou para os que o amam’’(1 Coríntios 2, 9). Após um caminho de amizade e oração, com a benção da Comunidade Católica Shalom, da qual fazemos parte, e de nossa família, iniciamos o namoro. O Isaak mora no Paraná e eu em Brasília, mas nem a dor da distância, nem a dor da espera ao longo desses anos se comparam à felicidade que vivemos por nos decidirmos por Deus, pela vocação e um pelo outro. Quanto tempo vale a pena esperar pelo amor? O tempo que for proporcional à importância desse sonho para você, na certeza que a alegria do encontro supera (e muito!) toda a dor da espera. Pabline Coimbra Bemfica de Sousa Postulante de segundo ano da Comunidade de Aliança, em Brasília     Vem navegar no nosso portal! Acesse nossas redes sociais para mais fotos, vídeos e matérias.    

Eu, o Tau e o mendigo

Em uma cidade enorme como São Paulo me chama a atenção que um simbolo tão pequeno chame tanto a atenção das pessoas que cruzam conosco por essas ruas e avenidas tão movimentadas e tão cheia de outros simbolos. Era segunda-feira, neo-discípulo, fui à missa em uma paróquia, pela primeira vez, usando meu tau. Era uma manhã fria. Voltava para casa. Eu em meu costume de prestar atenção em tudo o que me rodeia. Um mendigo caminha em minha direção e me pára. Segue-se um dos diálogos mais emblemáticos e ao mesmo tempo revelador para mim. – Me dá esse cordão com essa cruz. -Ih, negão este aqui não posso não. Mas providencio outro para ti. -Mas eu quero é esse. Esse teu. -Este não. E toca no sinal. E eu querendo evitar esse toque. Com medo de sujar, de contaminar com algo de sua falta de higiene. Passado mais de três horas do acontecido, viajando para São Luis do Maranhão, eu entendo que ele não sujou meu sinal. Ele o abençoou. Lembro neste exato momento de uma frase de Nikos Kazantzakis que em seu livro O pobre de Deus  diz que “as vezes, Jesus vem à terra disfarçado de mendigo”. Lembro de meu amigo Francisco com medo e asco do leproso. Eu, ainda, emotivo pelo ingresso no discipulado, me emociono só em pensar naquele e neste encontro. No diálogo que se estabeleceu entre aqueles homens e entre eu e esse mendigo. E me arrependo, ao relembrar da expressão de desejo que se estampou em seu rosto. Eu não o abracei. Poderia ter feito isso. Apenas pus as mãos em seus ombros e continuei: -Esta não é apenas uma cruz. É um tau. É o simbolo visível de uma vocação invisível. É de uma comunidade. -Mas eu quero. Ela é minha. Me dói seriamente não ter chamado ele para ir comigo no Shalom. -Meu irmão, quer algo para comer? -Não. Quero esse teu cordão. Escrevendo sobre isso a emoção toma conta de mim. Eu que estava com tanto medo de como me veriam usando o tau, de como seria tratado na faculdade por meus professores e colegas de turma. É para sentir vergonha, eu sei. Mas a vergonha cedeu seu lugar à alegria, porque esse mendigo veio me dizer o que nenhuma daquelas pessoas a quem eu confessara isso me disse: “esse tau é o sinal de Deus em tua vida. Ele te fará alguém melhor. Ele te levará ao encontro de Deus e de quem Ele quer que você evangelize. Ele te fará amar aqueles que ninguém ama, ele te fará perceber os invisíveis desta sociedade” É revelador para a minha vocação que na última reciclagem eu tenha  tirado como pessoas pelas eu devesse rezar justamente os moradores de rua. Que Deus é esse que vem nos lembrar do que esquecemos e é importante em nossas vidas? Quem me conhece sabe que sou teimoso. Que sou resistente. Sabe que eu tenho muito mais perguntas do que respostas. E quando penso em tantas perguntas uma certeza se faz: eu jamais terei respostas para muitas dessas perguntas, mas um dia, ao chegar diante de meu Senhor, Ele me dirá: senta-te aqui, sabe aquelas perguntas todas? Aqui estão as respostas. Mas enquanto este dia não chega, Ele com sua pedagogia fantástica vai respondendo algumas. E uma delas foi essa. Eu não dei o meu sinal a ele. Mas me decidi a ter sempre comigo algo que pudesse expressar o amor de Deus pela humanidade como Ele fez comigo. “Querido Deus, eu não sei aonde me levarás, mas ensine-me a ser teu sinal nesta cidade e aonde me enviares. Como meu santo do ano eu me abandono em ti e com a valentia de Francisco eu te suplico faze de mim o que quiseres. Estou aqui e diposto a tudo, desde que a tua vontade se faça em minha vida.” Jorge Marvão Neo-Discípulo/ Missão São Paulo    

Um filho é como um salário!

“Sim, os filhos são herança do Senhor, é um salário o fruto do ventre! Como flechas na mão do guerreiro são os filhos da juventude. Feliz o homem que encheu sua aljava com elas: não ficará envergonhado diante das portas, ao litigar com seus inimigos” (Sl 126,3) É interessante estarmos “grávidos” do 2º filho. A maioria das pessoas reagem com um: “já??”, “que corajosos!” Ou um “que loucura”. Mesmo os mais próximos acabam se traindo e dizendo algo semelhante a isso. Se eu fico chateado? Na verdade, não esperaria uma reação diferente disso. Confesso que eu mesmo me pego pensando isso uma hora ou outra. Mas não é esse o problema. Somos filhos dessa “geração” que acha que um filho é “caro”, que educar é “difícil”, que na “época dos nossos pais era diferente”. Somos filhos dessa geração que tem medo do futuro, das consequências da vida, etc. Mas aí eu leio esse salmo e vejo que a mentalidade de Deus é exatamente o contrário: um filho é como um “salário”! É como flechas numa aljava! Meu Deus, que maravilha!!! Sim, fomos abençoados com nosso 2º filhote! Sim, temos consciência dos desafios que teremos. Temos consciência de que talvez não tenhamos condições de dar “tudo do bom e do melhor”, que talvez tenhamos que escolher um “colégio mais barato” quando vierem outros filhos (se Deus quiser virão!). Sabemos que vamos nos “empobrecer”, etc, etc. Mas sabe de uma coisa? Que assim seja! Um filho é um salário! Então eu quero ser muito rico! Ter vários! Um filho é como flecha! Que minha aljava esteja cheia delas! E se para isso eu precisar me esforçar mais, trabalhar mais, ficar “mais pobre”, que fique mil vezes! Nossos filhos não precisam de “tudo de melhor”, nem dos “melhores colégios”, muito menos de uma mesada gorda! Ou mesmo que “não lhes falte nada”. Nossos filhos precisam de nosso amor, nossa dedicação e, sobretudo, de aprenderem conosco a confiarem e a amarem a Deus, Senhor de todas as coisas e nosso Pai! Tobias Cortez Consagrado Aliança – Shalom Fortaleza

Interpretei Jesus e Ele se transfigurou em mim

Durante o retiro de Semana Santa, promovido pela Comunidade Católica Shalom Missão Belo Horizonte nos dias 14, 15 e 16 de abril, o ator do Projeto Artes André Rodrigues, que representou Jesus durante as encenações contou como o momento representou um novo significado do papel de Cristo em sua vida. Quando recebi a notícia que eu iria interpretar Jesus na Via Sacra, eu não havia aceitado muito bem. Por vários motivos, entre eles, de não ter a aparência que Jesus é representada em quadros, filmes ou livros, mas principalmente pela dificuldade e complexidade de interpretar Cristo. Mas durante uma conversa com alguns irmãos da Comunidade, onde estávamos brincando e falando sobre o assunto, um deles disse uma frase que me encheu de coragem: “A gente faz o que for preciso”. Foi então que passei a aceitar e de estar de coração aberto para viver este ministério, no qual tenho a convicção que foi uma escolha de Deus que eu vivesse aquilo. Confesso que no Shalom, nunca teve ensaios tão emocionantes como esta da Via Sacra. E no dia foi uma grande graça viver tudo aquilo. Sofri com os chicotes, senti uma grande fadiga, chorei, tive câimbras, me doei de corpo e alma. Doei-me, porque sentia muito forte que o elenco precisava ter uma experiência profunda com amor de Cristo, não só eles claro, mas eu e todos aqueles que estavam presentes naquela Sexta-feira da Paixão. E vivendo aquilo, fui percebendo que não era nada comparado ao que Cristo sofreu por mim, por nós. Não chegava a 1%! Foi então, durante os açoites dos chicotes eu não me contive, comecei a chorar, escorriam lágrimas… Lágrimas de vergonha, de gratidão, de amor. Reconhecendo Jesus como o meu Salvador! Uma experiência ÚNICA e MEMORÁVEL.

Desde pequena o amor de Deus cuida de mim

Meu nome é Suelen Pereira Santos, tenho 29 anos, sou noiva e também por graça de DEUS, estudante de Psicologia. Atualmente sou vocacionada na Comunidade Católica Shalom,  missão de Belo Horizonte. A minha trajetória em busca de Cristo começou muito cedo, os meus pais eram católicos não praticantes, mas aprendi com minhas avós a ter fé, inclusive para esperar em Deus que as crises em minha família mudassem. Tive muitas experiências com o amor e misericórdia de Deus, mas dentre eles um episódio muito marcante me trouxe à vida. Sendo uma criança com dez anos de idade e que sofria de muitos pesadelos e que tinha medo de dormir sozinha, lembrei-me da oração que minha avó tinha me ensinado e pedi pela intercessão de N. Senhora, dizendo: “Mãezinha do céu, eu não sei rezar, eu só sei dizer que quero te amar”. E cantarolando eu fui me acalmando e adormeci. Acordando de madrugada, novamente tive medo, comecei a orar e uma luz tomou conta do meu quarto e senti a presença de Maria que no seu colo me ninava e prometia-me a sua proteção. Hoje posso dizer que o Espírito Santo também ali estava, pois senti uma paz tão grande que eu nunca havia experimentado. Foi por buscar essa paz que em meio aos tropeços da vida eu voltei a procurar o meu caminho. Por meio do testemunho do meu primo Rafael Santos, que é missionário da Comunidade de Aliança em Salvador-Ba, que  conheci a Comunidade Shalom. Ingressando no caminho da paz, que é um itinerário próprio da comunidade, senti o amor de Deus que me recebia de volta como o  “filho pródigo”. A alegria dos servos e o brilho no olhar deles me confirmava que aquele era o lugar que eu tanto procurava. Eu encontrei uma família, que unidos pelo Sangue de Cristo lutam pelo retorno dos filhos de DEUS, ofertam diariamente as suas vidas, com PARRESIA. E essa coragem me impulsionou a amar mais a DEUS tornando-me mais grata pelo seu amor. Por meio do ano vocacional de 2016 vivi mais intensamente o encontro com Deus na oração diária. Aprendi o que é viver a pobreza, a humildade de depender da misericórdia do Pai, e também pude me conhecer melhor, acendendo em mim a chama da evangelização, do dar-se sem querer receber em troca. O carisma me proporcionou uma experiência mais profunda com o amor de DEUS, me fez viva para ser discípula: “Nosso alvo é a santidade, não por presunção, mas por vocação, pois todos os homens a isso são chamados”. (Moyses Azevedo – Fundador da Comunidade Católica Shalom em Escritos Amor Esponsal). “Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e as dos anjos, se eu não tivesse a caridade, seria como címbalo que tine.Ainda que tivesse o dom da profecia, o conhecimento. De todos os mistérios e de toda ciência, ainda que tivesse toda a fé,a ponto de transportar montanhas,se não tivesse a caridade,nada seria”. I Cor 13 (1-3). É por meio do amor Esponsal, que inflama as nossas almas de gratidão que anseio por poder corresponder ao amor que o Senhor dedica a mim e a minha família por todos esses anos, guiados e sustentados pelo Ressuscitado que passou pela Cruz. Pelo amor primeiro e a experiência de alguém que outrora era uma criança inocente, e que se refaz diariamente pela graça e misericórdia do mestre. O texto acima foi um pouco da experiencia de fé da Suelen. Queremos conhecer um pouquinho dos irmãos que frequentam o Centro de Evangelização Shalom Belo Horizonte. Conte pra nós a sua História. Envie-nos um e-mail no endereço comunicacaobh@comshalom.org.

Somente nos braços de Jesus serei livre para amar

Chamo-me Paulina, tenho 18 anos e sou da cidade de Cajueiro da Praia. Minha história com Carisma Shalom teve início quando alguns missionários da Comunidade foram passar a Semana Santa em minha cidade, eu era uma jovem que frequentava a Igreja mas no meu coração o centro era o mundo. Uma jovem que aos 17 anos buscava em tudo e em todos algo que preenchesse o vazio que existia dentro de mim. A partir daquela Semana Santa eu já não era a mesma! No meu coração brotava um desejo enorme de conhecer mais afundo esse Carisma… Logo fui convidada para participar de um Seminário de Vida no Espírito Santo, o “INSIGHT”. Fui, porque no meu coração pulsava uma vontade enorme de ir. Hoje posso dizer que aquele fim de semana foi o melhor da minha vida! Onde eu tive minha experiência pessoal com o Amor de Deus e pude ver que mesma com todas misérias, minhas infidelidades, que mesmo assim Deus me amava e era esse amor que eu buscava a tanto tempo. Lá preenchi meu vazio! E Posso dizer que somente nos braços de Jesus eu serei livre para amar; pude ver que viver longe daquele amor, que abraçou-me, já não dava mais, pois somente Ele me preenchia. Hoje o que há no meu coração é uma gratidão enorme, por saber que eu encontrei a felicidade que nunca passa! Por isso posso afirmar: Jesus enfim te encontrei! SHALOM  

O Amor é uma decisão

Meu nome é Pablison, tenho 21 anos, sou de Santo André/SP e estou sendo enviado como postulante da Comunidade de Vida na Missão de Ponta Grossa/PR. ​T​ive a minha primeira experiência com o Carisma Shalom, durante um acampamento para jovens em Arujá/SP o “A​camps”​. ​Essa experiência gerou em mim ​a vontade de trilhar o caminho vocacional para a descoberta d​a​ vontade de Deus para a minha vida. O tempo do vocacional foi um ​período​ muito difícil, tinha certeza d​aquilo​ que era chamado, mas diante dos confrontos ​interiores​ e o medo, muitas dúvidas foram surgindo. O processo Vocacional, é um processo de auto conhecimento muito grande, e ao enfrentar este processo,​ Deus foi me dando a graça da coragem. Neste tempo pude tocar na grandiosidade do amor de Deus e em​ sua misericórdia, ​n​a minha vida​, na​ vida dos meus irmãos​ e nos​ acompanhamentos. F​oi um tempo de muitas graças! Quando fiquei sabendo o tema do vocacional “Sim! Vou te seguir, Tua voz me conquistou”, essa frase gritava ao meu coração. Realmente a voz de Deus me conquistou e me fez desejar fazer a vontade Dele, essa voz doce que ressoa em tantos corações​, nos​ fazendo​ querer entregar tudo. Durante o Vocacional ouvi uma frase que levarei comigo para sempre “O Amor é uma decisão”​. E​ ouvir essa frase foi algo​ forte para mim, pois,  sempre fui apaixonado por Deus, porém a paixão passa, e eu tinha que me decidir por Ele​ e a partir da decisão do meu coração aderir a S​ua vontade. Foi a partir dessa voz, que resolvi pedir ingresso na Comunidade de Vida. Essa carta ​foi​ um pequeno passo diante de tudo o que Deus já havia realizado em mim. Quando chegou a resposta que eu tinha ingressado e que iria para Ponta Grossa, foi um momento de muita alegria, mas de muita oferta, de realmente estar abandonado nas mãos de Deus. Hoje o meu povo, é o povo de P​onta Gr​ossa, lá é a minha casa, onde Deus escolheu para que eu pudesse gastar a minha juventude e me ofertar dia após dia; e na vontade de Deus é onde eu quero me ofertar inteiramente. ​H​oje, como postulante,​ eu possa dizer que sou plenamente feliz, no tempo de Deus e na vontade de Deus. A voz que me chamou me da ​a coragem e impulsiona o meu coração a abandonar tudo, e fazer a vontade Dele.​ H​oje eu posso falar com plena certeza​: Sim, vou te seguir, tua voz me conquistou!

Doar