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A virtude da paciência como remédio para combater o vírus da ira

A paciência é uma das virtudes mais louváveis e altas que existem. Que tal crescer nela?

Foto | Unsplash

Nos referimos à virtude da paciência no livro Virtudes: Caminho de imitação de Cristo: “O termo paciência se compõe dos vocábulos latinos passio e scientia, que significam “sofrer” e “conhecimento”, respectivamente, de modo que a paciência pode ser definida como “saber sofrer”.

Esta virtude capacita a suportar as contrariedades sem enfraquecer. Ela coloca os desafios, por maiores que sejam, no seu devido lugar, que são sempre inferiores a Deus.

E quem é a pessoa paciente?

O paciente é aquele que mantém viva, dentro de si, a convicção de que tudo passa, encontrando forças para não desanimar na caminhada. Para o mundo, a paciência pode ser tida como um sinal de inferioridade ou de mediocridade.

Porém, a paciência é uma das virtudes mais louváveis e altas que existem. Aquele que possui esta virtude não foge do sofrimento, antes dá sentido a ele; dele tira proveito e se fortalece com ele; sabe que não é absoluto, mas passageiro.

À paciência, todavia, podemos vincular a virtude da longanimidade que nos faz suportar, por muito tempo, contrariedades incessantes que, às vezes, se renovam todos os dias durante anos. Também a virtude da firmeza que nos convida a permanecer sem duvidar nem fraquejar nas nossas convicções morais, a fim de não nos desviar “nem para a direita nem para a esquerda” (Pr 4,27).” (Virtudes: caminho de imitação de Cristo. Cap. 6)

5 dicas para crescer na paciência

1- Oração: a contemplação do Cristo crucificado nos ajudará a crescer na “ciência do sofrer”. Do lado dos sofrimentos de Cristo, todas as nossas angústias, dores e sacrifícios são pouco. Em oração, devemos suplicar a Deus a graça da paciência, a de fim de que Ele envie o auxílio divino que nos capacita a suportar e esperar.

2- Fazer memória dos feitos de Deus no passado: não consiste em apenas “lembrar” aquilo que Deus já fez, mas de verdadeiramente visitar os episódios no quais aparentemente o sofrimento nunca ia acabar e Deus interveio e venceu. Esta prática é comum na Sagrada Escritura. Nos leva a renovar a fé nas promessas e no poder de Deus, mesmo quando parece que as dificuldades nunca vão passar.

3- Tomar perspectiva: quando estamos sofrendo ou irritados, parece que tudo o que existe é aquela situação difícil. É necessário respirar fundo e lembrar que isso é apenas uma questão particular e não o todo da existência. Tomar perspectiva nos ajuda a dar o seu devido lugar a cada coisa, o que se torna particularmente difícil quando estamos no “olho do furacão”. É necessário ter sempre presente que Deus e seu amor é maior do que tudo.

4- Partilhar com pessoas adequadas: é salutar, em momentos de dificuldade, partilhar com alguém em quem confiemos. Pode ser um amigo, familiar assim como também um diretor espiritual, confessor ou acompanhador pessoal. O importante é que seja uma pessoa em quem sabemos que podemos confiar, de preferência, sábia e discreta. Assim poderemos viver a experiência de Jesus e o Cireneu de permitir que o nosso irmão carregue conosco a cruz.

Devemos aprender a partilhar, a fim de não transformarmos este espaço de partilha em um momento de murmuração, auto-piedade ou fofoca.

5- Ascese: é salutar fazer penitência a fim de fortalecer a nossa vontade. Com apenas pequenos sacrifícios diários, seremos capazes de dominar o homem velho que vive dentro de nós e que quer que tudo seja feito como ele quer, quando quer, do jeito que quer.

Que o Senhor nos dê a graça de que sermos cada vez mais como Ele, que é “misericordioso e clemente, lento para a cólera”. Shalom.

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