Formação

O vício da preguiça e o pecado do não cumprimento do dever

É conhecida a frase: “o ócio é a oficina do diabo”. Este enunciado lembra que a preguiça é geradora de uma numerosa lista de pecados.

O vício da preguiça e o pecado do não cumprimento do dever
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Fizemos um percurso no qual conhecemos os vícios capitais e as virtudes que servem de remédio. No fim da lista dos vícios capitais está o pecado da preguiça ou acídia.

Trata-se uma tendência à ociosidade ou à negligência, ao torpor na ação. Consiste num gosto desordenado pelo prazer sensual, que faz fugir ou rejeitar qualquer sacrifício e esforço.

A fuga do esforço

Não é apenas o simples desagrado ao trabalho, mas sobretudo fugir do trabalho pelo esforço que ele implica. O pecado da preguiça é o desgosto e a recusa do cumprimento dos deveres.

O preguiçoso fere, antes de mais nada, a si mesmo, pois, ele deixa de buscar aquilo que ele mesmo deseja, pelo esforço que alcançar isso exige. Condena-se a si mesmo à mediocridade.

Uma geradora de pecados

Santo Tomás de Aquino afirma que “todos os pecados que provêm da ignorância podem ser reduzidos à acídia, à qual se refere a negligência pela qual alguém recusa adquirir os bens espirituais por causa do trabalho” (ST I-II q. 85, a. 4. Pág. 457).

É conhecida a frase: “o ócio é a oficina do diabo”. Este enunciado lembra que a preguiça é geradora de uma numerosa lista de pecados. Basta lembrar do pecado do rei Davi (cf. 2 Sm 11). 

E qual foi o pecado do rei Davi?

Sabemos que Davi cometeu adultério e mais tarde homicídio do seu amigo Urias, porém, a origem destas grandes pecados não foi outro a não ser a preguiça, pois, o autor Sagrado afirma, no início da narrativa que, na época, os reis saíam para a guerra, todos os soldados israelitas foram para a batalha, mas Davi ficou em Jerusalém (cf. 2 Sm 11,1).

No versículo seguinte afirma que quando Davi levantou-se já era tarde (cf. 2 Sm 11,2) e foi passear pelo terraço do palácio. De modo que fica em evidência que a origem do adultério e o homicídio de Davi foi a preguiça.

Numa análise mais profunda, o pecado da preguiça se opõe a tudo o que é bom, pois, tudo que é bom exige sacrifício, como bem lembra Santa Teresa D’Ávila: “é justo que muito custe o que muito vale”.

Existe todavia a preguiça espiritual, que é comumente chamada de tibieza. Trata-se de um estado de indisposição e indiferença a Deus, produzido pelo pecado e que se dá geralmente nas almas que não são amigas dos sacrifícios e esforços. São aqueles que imaginam que podem ser santos sem maiores sacrifícios.

Reflexão

Faça um exame de consciência e veja se existem traços da preguiça em você. Peça perdão a Deus pelas suas omissões naquilo que lhe foi confiado. É sempre possível recomeçar.

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